O Outono é um peão do Inverno, Chega e reparte cartas, Desnuda as árvores e os sentimentos,
Veste de cinzento a imagem momentânea,
Do poente e, no fardo descaído das tardes,
Fulmina as folhas, que planeiam, rendidas,
Como aparições sem volume,
Incumbidas de designar,
O gesto intolerável de uma impotência e uma derrota.
Nos decepcionará a primeira imagem,
Do ignóbil que oferece,
O Outono é unicamente um peão do Inverno.
As minhas estações são aqui, na minha ilha,
O mito do idêntico: “um eterno verão”,
E o Outono é o cinzento.
O leito pródigo das folhas,
A larguíssima soma de uma tristeza,
Mais além do espaço em que habitas,
À distância de um pensamento.
Enquanto no Verão tudo é inocente,
No Outono tudo é sombrio,
Também, não se anuncia cerimonialmente,
Como a primavera que surge simplesmente,
Deixando-nos instalados na perplexidade de que o tempo se desvaneça.
Não se pode duvidar que o Outono,
Possui o mais assombroso poder de transformação,
Figura inteligente que altera,
A natureza, o homem e a mulher,
Move sentimentos, arranca amores,
E nos deixa desnudos diante o frio da solidão.
Noutras culturas, noutros tempos, celebrava-se, hoje, a Festa de Avalon, ou a Festa das Colheitas ou o Mabon (terminologia celta). Era pedido a Mabon ou a Angus (Deus do Amor) a harmonia no Amor e a protecção para as pessoas amadas. A Roda está em equilíbrio entre a Luz e a Escuridão, O Verão e o Inverno... Faça-se os altares enfeitados com sementes e forrados com folhas secas. Agradeça-se o que se tem (mesmo que nos pareça ser pouco) comparado com aquilo que os outros precisam e não têm...e os antepassados, guias e espíritos familiares deixarão os seus conselhos.
Guiem-se pela Noite e detenham-se no brilho da Lua dos céus de hoje...
As suas bençãos para todos vós!