As palavras encontram-se livremente anelando-se em torno de nós como os dias encadeados sucessivamente um após o outro no calendário dos corpos que se desfolham um no outro... As palavras encontram-se em nós; saboreando-nos aos poucos intensamente agora...
A propósito do clip, do post anterior, dos Blonde Redhead, com participação, em termos de "modelo", de Miranda July (nas suas "One pose for second"), recordei-me de um filme, poeticamente simples e inesquecível, no qual ela participa e realiza, intitulado: "Me and You and Everyone We Know". Altamente aconselhável...vejam só este post que "raptei" (com as devidas autorizações!) do blogTHE SPIRAL, doTaliesin, de Maio de 2006:
"Qualquer palavra que queiramos utilizar para definir este filme, saberá sempre a pouco. A realizadora de “Me and You and Everyone We Know”, Miranda Jennifer Grossinder, mais conhecida no meio artístico por Miranda July. É engraçado que o apelido de “July” foi escolhido segundo Miranda, devido ao facto de ser o mês (Julho) em que se sente mais criativa. Aqui está um indício da simplicidade de Miranda July.Embora não veja os filmes por ganharem prémios, mas não devemos esquecer que esta película foi premiada no festival Sundance, além de ter recebido a câmara de ouro no festival de Cannes e muitos outros premios em vários festivais de cinema.July é um versátil dínamo, ela faz curtas-metragens, instalações sonoras, performances multimédia, trabalhou numa rádio, publicou em livro pequenas histórias e não esquecendo a sua principal “veia” artística de artista plástica.“Me and You and Everyone We Know” é uma historia impressionista, um pedaço de um conjunto que une um grupo de diversas pessoas numa serie de episódios perdidamente relacionados. Não há exactamente personagens centrais, uma vez que prevalece um curioso efeito coral, quase melodramático. Em todo o caso, tudo se desencadeia a partir dos encontros e desencontros de Richard (John Hawkes) e Christine (a própria Miranda July).Richard é um empregado de uma sapataria que está em fase de divorcio com a sua mulher, onde têm dois filhos que obviamente estão desorientados com a situação dos pais. Chistine é uma jovem que mantém um serviço de taxi para idosos, ao mesmo tempo que se entrega às suas mais ou menos insólitas artes performativas.
If you really love me, let's make a vow - right here, together... right now.
Mas este filme está recheado de personagens curiosas e ao mesmo tempo apaixonantes…há uma miúda que colecciona miniaturas de electrodomésticos para o seu casamento, um dos dois filhos de Richard, naufragando na recente separação dos pais, o mais novo dos quais, de sete anos, marca inadvertidamente um encontro erótico através da Internet, (provavelmente dos melhores momentos do filme), um par de raparigas adolescentes e determinadas a explorar a sua sexualidade, um vizinho com uma plena fantasia sexual, um idoso que se apaixona por uma mulher que está ás portas da morte… e podia continuar a descrever mais algumas personagens que povoam este magnifico filme…desculpem, mas não podia deixar de referir o peixe de aquário em cima do carro, que cena genial! Este filme é uma mistura matizada de inteligência, idealismo e realidade, onde a imaginação fértil de July preenche o ecrã com incidentes, muitos dos quais são perceptivos e encantadores. Existe um look de uma crónica realista que se vai transfigurando em conto quase fantástico, mas de um fantástico puramente interior, enraizado nos afectos que as personagens partilham ou tentam partilhar. Onde tudo isto é filmado com a precisão de uma observadora que oscila entre a austeridade psicológica e a sedução abstracta, porventura integrando algo das suas experiências também como artista plástica.O seu olhar possui as virtudes de uma simplicidade que não esconde a complexidade do mundo e as suas relações, bem como explora as tentativas de atravessar a brecha da solidão existencial.A frescura da visão de July é evidente e muito bem vinda…bem, não escondo que este filme é sem duvida um padrão para a minha visão do mundo, apenas posso e quero recomendar este filme ao maior número de pessoas que conseguir, embora a tarefa esteja difícil devido ao adiamento da estreia deste filme em Portugal, que estava marcada para o dia 11 de Maio mas infelizmente foi alterada. Quem conseguiu ver este filme no festival Indie que decorreu em Lisboa, de certeza que partilha estas opiniões, quem não teve a oportunidade de ver…tenho que fazer qualquer coisa, mas o quê?"
Não é hoje. Provavelmente nem é amanhã. As frases feitas estão cheias do mundo que as atira às consciências uns dos outros, transformando-as em meros sensos-comuns que beliscam a vontade de ser oPeter Pandurante todo o dia. Deixo para amanhã o que posso fazer hoje porque hoje não me apetece nada. Até porque costumo colher tempestades antes, sequer, de pensar em semear ventos. Portanto, não é hoje. Provavelmente e realmente nem será amanhã. Quando aSininhome puser a dormir e aWendyvos for despertar...
Há algum tempo atrás, a personagem da Ariana iniciava o seu mundo bloguístico na primeiraTEIA, e acolhia quem quer que por lá passasse com estas palavras:
"ONDE ESTAMOS
Dizem que foi há muitos, mas muitos anos, que Teseu, um jovem semi-deus de Atenas, aceitou de Ariadna, uma bela princesa de Creta, um fio de lã para o orientar no seu percurso no labirinto do Minotauro. Teseu cumpriu com sucesso a sua missão de matar Minotauro, regressou do labirinto através do fio e, como prometera a Ariadna, que se apaixonara por ele, levou-a consigo. Na ilha de Naxos, contudo, este abandona-a à solidão. O fio de amor que Ariadna lhe ofertara foi apanhado por Dionisos, que casou com ela, estabelecendo laços fortes de paixão por ela. Após a sua morte, Dionisos colocou a coroa de Ariadna no céu, em forma de estrelas, e como lembrança eterna do seu amor.Mas não foi há assim tantos anos que esta Ariana (que também dizem ser uma variante, em termos de nome, da primeira Ariadna) me apareceu em sonhos. Ainda não sei toda a sua história pois vai fazendo história comigo. Aos poucos e poucos, como início de uma chuva miudinha prestes a tornar-se numa sonora tempestade, vai ganhando forma, enquanto a resgato aos sonhos e a faço abandonar o seu mundo, onde só sei que dorme durante o dia numa teia de aranha esticada entre os braços de uma velha árvore. E quase à semelhança da “outra Ariadna”, aparece com os fios da sua teia neste mundo do virtual (onde teia até se diz WEB) para orientar os caminhos de todos aqueles que o queiram, até este seu espaço que pretende ser acolhedor: a Teia de Ariana.Que os fios sejam as nossas palavras... "
Um dos fios da Teia, ainda nessa casa, abriu um LIVRO DE RECLAMAÇÕES à custa de tanta manutenção que era feita no espaço que a alojava. E a alice, do chromaesthesia, onde nos deixa admirar os seus belíssimos trabalhos (vão lá espreitar!), a 11 de Outubro, deixou um post intitulado NÃO SOMOS SÓ PALAVRAS, no qual recuperava o meu poema do Livro de Reclamações, acompanhando-o, de uma maneira espectacular, com dois trabalhos em acrílico e com colagens sobre tela, baseados no mesmo. Fiquei surpresa. Fiquei "maravilhada" com o gesto. Para além de ter encontrado nas suas imagens o reflexo das palavras que eu quis dizer. Mais uma vez deixo o meu sempre OBRIGADO, não só por semelhante gesto como também pela beleza que se encontra nele e pelos sorrisos que me fizeram nascer! Ficou assim:
"De sentimentos decorados
Com letras por pendurar.
Tatuamos o corpo com histórias intermináveis.
Não vivemos só em fios
Cortantemente estendidos
Entre as vozes mudas de cada um.
Percorremos o som de cada Teia.
Não usamos máscaras feitas à medida
Do abismo que se encerra
Labirinticamente dentro de todos nós.
Herdamos o fio de Ariadne.
Não descemos os mesmos degraus
Que se alojam discretamente
Nas ruínas das nossas almas.
Colocamos novas pedras na Torre de Babel.
Não apagamos a lua da noite
Quando amamos, em segredo,
A luz do dia que nos desperta.
Procuramos sempre o momento exacto.
Não queremos mais do que a dose certa
Da vida servida a quente
Sobre o prato frio da morte como vingança.
Vivemos o amanhã no dia de hoje.
Não sabemos tudo o que queremos
Mas despimos o corpo da ignorância
Quando nos reflectimos perante as questões.
Descansamos na doce esperança.
Não temos o que queremos
Porque encetamos uma luta diária
A cada esquina do amanhecer.
Adiamos a perfeição.
Entre o real e o engano
Entre a porta e a janela
Entre a fuga e a prisão
Entre a pausa e o movimento
Somos o mesmo e múltiplo ser humano."
susana júlio
Carmen Aka Alice
Entretanto, este mundo da Ariana, para além de se "refazer" aqui pelo blogspot, continuou-o no Reflexos do Espectro, onde se encontra com o próprio mundo do Taliesin, de outro blog: o The Spiral. Aqui nos Reflexos não temos medo da escuridão...vemos com os olhos das imagens que nos ficam gravadas não só na objectiva como também na memória da alma, e damos corpo a essas fotografias com molduras de palavras de outros.
E do outro lado da Ariana, as suas mãos trabalham, continuamente, com a Alma na ponta dos dedos, fazendo surgir o blog D`Alma, repleto de inúmeros trabalhos em bijuteria, pinturas e madeiras.
No fundo, estes diversos mundos bloguísticos só são possíveis graças à vossa passagem por aqui. São feitos das vossas palavras que assinalam mais do que uma presença constante outra coisa ainda: a companhia e uma nova "espécie de amizade", que nasce das semelhanças, das diferenças, das opiniões e da partilha. Para todos os que passam por aqui deixo-vos, de coração, o prémio que me foi atribuído pela Teté: Blog 5 estrelas. Supostamente devia atribuir este prémio por outros cinco bloguistas mas contrariando a regra também, aqui fica para vocês recolherem e levaram para os vossos cantinhos. Porque é realmente VOSSO!
A uma pessoa que conhecemos desde sempre, com todos as suas qualidades e algumas "menos qualidades" (que fazem parte do "cadastro" de qualquer um de nós!) é um pouco difícil, após uma boasoma de anos, desejar algo de diferente ou único, que não seja igual ao dos anos anteriores. Afinal, a pessoa é a mesma e o sentimento é o mesmo.
Eu e o Nando (o meu irmão) sempre tivemos uma tendência para "chocarmos" um com o outro, em termos de feitios e querelas. Principalmente, quando eramos miúdos! Um caranguejo e um escorpião! Para além de que conhecer muito bem a outra pessoa, ao longo de uma vida inteira, todos os dias dessa mesma vida, dá tempo para tudo! Mas, acima de tudo, é inegável o carinho e o amor, a preocupação, a amizade, o respeito e a admiração que temos um pelo o outro.
Nando, tu sabes que eu "só" quero tudo de BOM para ti; acima de tudo que a LUZ ilumine o teu caminho e o teu coração vida fora. Já sabes que vou andar sempre por aí, algures por perto!
Muitas felicidades e muitos parabéns neste teu dia. Que os teus sonhos nunca deixem de ser sonhos concretizados no teu dia-a-dia.
ADORO-TE, maninho! Para ti, como gostas:
O velho tanque - Uma rã mergulha, barulho de água. (haiku de BASHÔ, poeta japonês, 1644-94)
Em diversos locais no mundo é já tradição há muitos, muitos e muitos anos festejar o dia das bruxas, dos fantasmas e dos mortos. Esta moda de "aplicar partidas e sustos" caso não se dê as "guloseimas", ou outras coisas, que se querem também está a ganhar terreno cada vez mais no nosso país. Proliferam, as "bruxas" e os "bruxos" que, sem máscaras, todos os dias, esmeram-se ao máximo em assombrar-nos e a aplicar requintados sustos às pessoas que cada vez mais vêem à prova a sua paciência de Santos (e não é só porque por cá houvesse tradição do Dia de Todos-os-Santos!). Eles estão por todo o lado e fazem do nosso dia-a-dia um Halloween pegado, que só resulta para quem tem um saco cheio de "guloseimas" para satisfazer este bando de "meninos".
Contudo, na realidade, este tempo é de mudança. Significa uma passagem e início de um novo ano na mais velha tradição celta. É o Festival do Samhain. Assim, o 1 de Novembro seria o primeiro dia do ano para este antigo povo europeu. E o Dia do Deus Sol. Nesta mudança, acreditavam que as portas entre os reinos dos vivos e dos mortos eram abertas e estes mundos eram ligados, reatando-se laços, fazendo-se previsões e cumprindo-se promessas. No ano passado, a outra casa da Teia fez um post comemorando este rito de passagem (se quiserem relembrar o verdadeiro significado, ironias "à parte", é só clicar na Teia).
Portanto, o tempo deveria ser mesmo de mudança e não de ter medo dela. Tirar os "esqueletos" do armário, "sacudir o pó aos mortos", limpar a aura das bruxas e dos fantasmas. E olhem que para tal, não é necessário que se acenda uma vela cor-de-laranja, como manda a tradição ritualística...uma cor qualquer serve...haja é vontade! A este "reino", tipo "balbúrdia no Oeste", dominado por estas "crianças travessas" dedico o poderoso e fantástico filme: "V - Vingança". Quem o viu percebe o porquê desta "dedicatória"!
Bons pedidos, ponderem bem os vossos desejos, reconsiderem e um bom NOVO ANO!
Em nome de muita coisa já se morreu ao longo da história da humanidade. Em defesa de ideias e crenças religiosas, culturais, científicas, sociais e até pela arte. De livre e espontânea vontade, consciente do acto em si ou "voluntários à força", em nome de determinada causa.
O caso mais recente que está causar polémica por todo o mundo é o de um cão vadio, que foi apanhado num bairro de lata, faminto e cheio de sede. O seu carrasco captor foi o "artista" costa riquenhoGuillermo Habacuc Vargas, escolhido para representar o seu país na Bienal Centroamericana Honduras 2008. De seguida, em nome da arte, colocou o dito cão, amarrado, em exposição numa galeria de arte, na Nicarágua. O animal acabou por morrer, de fome e de sede, durante o "evento artístico", à vista de qualquer pessoa. Por detrás desta exposição macabra do animal encontrava-se uma frase escrita com a colagem de biscoitos (ração) para cães: Tu és aquilo que lês (tradução da foto deste post).
A intenção deste "artista" era a de pôr à prova a hipocrisia das pessoas (disse ele) e, perante a contestação de que está a ser alvo, a nível mundial, afirmou ao jornal Nácion: "O animal transformou-se em centro das atenções por estar num local onde as pessoas querem ver arte, mas ninguém ligaria se ele estivesse a morrer de fome nas ruas. Ninguém libertou o cão, ou lhe deu de comer, ou chamou a polícia. Ninguém fez nada".
Digamos que a Arte é a forma livre de expressão de tudo o que se pretende; desde o início dos tempos que se pretende a liberdade de expressão como a forma mais honesta, fiel e "exorcizante" do que nos vai pela alma...mas a que preço é que temos de submeter a arte pela arte? A que ponto a dignidade humana tem de descer para chamar atenção? Ah...desculpem...esqueci-me de que afinal não estamos, ou não estou, a falar de um artista...mas sim de uma pessoa medíocre, capaz de tudo para chamar a atenção sobre si e sobre os seus pseudo-trabalhos artísticos.
Existe uma petição online a exigir que este "senhor" não seja admitido na Bienal...já lá deixei o meu nome. E vocês?!
Estava a pensar...e que tal uma exposição em tempo real com este "senhor" acorrentado, sem comida e sem água, para testar a benevolência humana?! Não, não sou apologista do "olho por olho, dente por dente"...mas este caso mexe com todos os meus "genes" de bondade!!
À saída do trabalho, caminhando algures pela rua, olhando por sobre o ombro, descobri o sorriso mais lindo, esperando por mim, acompanhado de uma das minhas tentações preferidas: castanhas assadas!
Há um "frio" que parece sobrepôr-se ao calor "impróprio" desta estação. Dizem as "más-línguas" que as castanhas assadas não combinam com os aparentes dias de um Verão renitente em partir. Quando telefono para a minha avó e lhe pergunto pelas nozes e pelas castanhas, "estranhamente", diz ela, este ano ainda só caíram e apanharam as nozes. As castanhas ainda estão na árvore e alguns castanheiros estão queimados. Os tempos mudam!
No entanto, mesmo que a Natureza dite que esta é uma semente de época (sim, semente, porque regra geral diz-se que é um fruto! Ora, o fruto é o ouriço que envolve a semente: a deliciosa castanha!); outrora (há uns bons anos atrás!), comer gelado era também uma coisa que só se fazia no Verão! Felizmente, há coisas que mudam... E se fosse pelas coisas da moda, por mim, a castanha estaria sempre presente para além dos Outonos da minha vida. Porém, a lei da natureza, neste caso, fala mais alto do que a questão das modas.
A combinação do canudo feito de papel jornal, as castanhas assadas na brasa que deixam as cinzas nos dedos das mãos, o aroma inebriante que assalta, subtilmente, as ruas das cidades são um conjunto de sensações únicas que condicionam a alma naquele embalo que toda gente sente e sabe: as coisas simples da vida têm outro sabor - o MELHOR!