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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

QUAL É O FRUTO APETECIDO?

Como fruto apetecido.
Despertando a inveja de deuses imortais e esquecidos; alojados nas teias vorazes do Tempo. A eternidade não lhes sabendo a nada. Ausentando-se do sabor do significado: “novidade”. O sangue que lhes corre nas veias, envelhecido, em folhas amarelas, levadas para um canto da memória. Ao compasso de menos de que um bater do coração. De um século comprimido no relâmpago de um segundo.
Não lhes rezam palavras. Não lhes agradecem dádivas nem lhes pedem mais nada. O seu esquecimento é o castigo maior do que o dito fruto apetecido. O esquecimento é o meio termo perdido entre a Vida e a Morte. E sem os passos dos outros, nem para a frente nem para trás, se movem estes deuses.
Perseguindo as suas próprias sombras sem o saber.
Confiando no rosto que esperam surgir por entre as brumas dos sonhos. O sorriso que espreita por detrás de cada acto falhado que deitaram por terra…acena-lhes um pequeno demónio: o seu. Uma madrasta qualquer que mata, continuadamente cada renascer do coração. Das cinzas nem Fénix nem mundo novo. A inconsciência de que são o seu próprio maior inimigo faz deles a sua própria maior vítima. O frio que espreita por detrás do calor promete a queda da batalha. A derrota de mais um dia a menos do que nunca acaba.
Tentam vender os sonhos numa cesta enfeitada a troco de nada…apenas de alguém que os veja, de alguém que lhes pegue e de alguém que os alimente. Que prove o seu doce sabor amargo, conforme a dentada.
Choram o fruto apetecido. Aquele que vêem nas árvores dos outros. Sem ser necessária qualquer serpente que lhes tente a expulsão desta prisão, dourada a glórias passadas e a pó. Aquele fruto que cai nas mãos dos outros e que os torna humanos. Baptizados a imperfeição e a termo certo. Com coração e alma acabados. Vida e Morte. Por isso, desejados.
Fingem-se inspiração de espectrais livros santos, escritos a fogo e a sangue, no entanto caem como os anos que se sacodem dos nossos corpos…sem mais nem menos. Sentindo o corpo como a prisão. A alma como o guarda. O desejo como a chave. A morte como a porta. Sem ninguém para a abrir.
Quais deuses?!
Aqueles que já se esqueceram. Sem nem Culto. Sem Reino nem Piedade.
Sem fruto apetecido.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

REFLEXO

Seduzo-te, retribuindo a imagem que não é a tua.
Visto-te da mais fina e desejada beleza que se vê de dentro para fora.
Olhas-me as palavras que só consigo esboçar através dos reflexos.
Missão cumprida: és aquilo que queres que desejem que sejas.


O outro ser social que se recorta das páginas do dia-a-dia, colando-se a situações sucessivas que, somadas, empatam as horas. Sabe a medo saber o tempo que passa. Por isso, todos os dias usam-se os olhos dos outros como os espelhos que lisonjeiam e seduzem as nossas imagens. Porém, os olhos dos outros reflectem palavras e acções. Os espelhos reflectem o ser imutável dentro da própria contagem decrescente para a nossa última etapa.
Por isso, enganam o espelho. Não o conseguindo, ganham 7 anos de azar…

Acabam por parti-lo.

sábado, 1 de dezembro de 2007

FRAGMENTOS

Não sei se já acordei.
Escondo-me do olhar do espelho que me assusta. Não me reflecte para além do escuro que me habita frequentemente. E se o olho, também, envelheço nessa imagem que se me apresenta. Os dias pesam ao canto dos olhos e o sorriso dos mesmos desliza, sinuosamente, como máscara estranha que cai, perante um acto terminado. O palco dos sonhos fica para outra história, onde as personagens sejam outras que não eu. Em que a outra face dada não seja a minha e em que os pés que caminham sobre as águas não sejam estes que se arrastam pelos pântanos. Para além de que estas águas são frias. Profundas. Traiçoeiras. Desdenhosas.
Trago da noite o sussurrar lento de mil asas de anjos perdidos que passam, apenas, por mim, numa auto-estrada até ao Inferno. Tentam resgatar aquela imagem que não sabe se já acordou. Estátua de sal ou mulher que olha para trás: a sua dura e eterna prova será nunca confiar em si mesma.
E se estava escuro, mesmo assim, o espelho procurava-a. Oferecendo-lhe a mão que apenas era sua, sem presentes nem passado, sem lugar onde se recolher. Os seus lábios, frios, soletravam, sem voz, o que eu escutava dentro de mim. Traçavam desenhos de sentido nas paredes embaciadas da minha mente.
Deixei os seus dedos tocarem-me. Aniquilarem-me, sem nexo, porque sentia, também, a sua extrema doçura.
- A morte sabe tão bem…também…

- Tu sabes melhor do que eu…vive-la todos os dias. Deixa-me tocar-te. Para além desta pele, destes dedos, destes ossos. Para além do que possas sentir. Deixa-me adormecer a tua dor, suavizar a tua alma. Tomar-te como a sombra do meu corpo, sendo o meu próprio corpo. Anestesiar-te com a indiferença.

- Serei, somente, o que restar de mim mesma?

- Não serás menos do que restas agora.
Tirei-lhe a mão, suavemente, da minha mente e não aceitei. Não por medo. Apenas por qualquer coisa. A apatia que me corre nas veias bombeia-me em estados sucessivos de indecisão e de projectos adiados. Encosto a face ao espelho e com a outra mão faço estilhaços imunes à dor de qualquer dia ensolarado. Mil estrelas de vidro e de gelo baptizam-me como lágrimas desmanchadas. Rastos brilhantes tatuando a pele a gelo ácido. A aranha que corre, atrás da perda, costurando as feridas com fios de esperança, não vence a letargia sonâmbula que cicatriza ainda mais profundamente.
Fogem fantasmas de mim mesma por entre as novas feridas e poros dementes e, de facto, quando arrisco um novo olhar ao espelho…já nem ele me olha: não resta nada.

- Acorda…acorda

Agora sei que acordei.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Vamos fazer um pacto...



As palavras encontram-se
livremente
anelando-se em torno de nós
como os dias encadeados
sucessivamente
um após o outro
no calendário dos corpos
que se desfolham um no outro...
As palavras encontram-se
em nós; saboreando-nos
aos poucos
intensamente
agora...

"...with grace..."

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

CINEMA NA TEIA: ME AND YOU AND EVERYONE WE KNOW



A propósito do clip, do post anterior, dos Blonde Redhead, com participação, em termos de "modelo", de Miranda July (nas suas "One pose for second"), recordei-me de um filme, poeticamente simples e inesquecível, no qual ela participa e realiza, intitulado: "Me and You and Everyone We Know". Altamente aconselhável...vejam só este post que "raptei" (com as devidas autorizações!) do blog THE SPIRAL, do Taliesin, de Maio de 2006:

"Qualquer palavra que queiramos utilizar para definir este filme, saberá sempre a pouco. A realizadora de “Me and You and Everyone We Know”, Miranda Jennifer Grossinder, mais conhecida no meio artístico por Miranda July. É engraçado que o apelido de “July” foi escolhido segundo Miranda, devido ao facto de ser o mês (Julho) em que se sente mais criativa. Aqui está um indício da simplicidade de Miranda July.Embora não veja os filmes por ganharem prémios, mas não devemos esquecer que esta película foi premiada no festival Sundance, além de ter recebido a câmara de ouro no festival de Cannes e muitos outros premios em vários festivais de cinema.July é um versátil dínamo, ela faz curtas-metragens, instalações sonoras, performances multimédia, trabalhou numa rádio, publicou em livro pequenas histórias e não esquecendo a sua principal “veia” artística de artista plástica.“Me and You and Everyone We Know” é uma historia impressionista, um pedaço de um conjunto que une um grupo de diversas pessoas numa serie de episódios perdidamente relacionados. Não há exactamente personagens centrais, uma vez que prevalece um curioso efeito coral, quase melodramático. Em todo o caso, tudo se desencadeia a partir dos encontros e desencontros de Richard (John Hawkes) e Christine (a própria Miranda July).Richard é um empregado de uma sapataria que está em fase de divorcio com a sua mulher, onde têm dois filhos que obviamente estão desorientados com a situação dos pais. Chistine é uma jovem que mantém um serviço de taxi para idosos, ao mesmo tempo que se entrega às suas mais ou menos insólitas artes performativas.

If you really love me, let's make a vow - right here, together... right now.

Mas este filme está recheado de personagens curiosas e ao mesmo tempo apaixonantes…há uma miúda que colecciona miniaturas de electrodomésticos para o seu casamento, um dos dois filhos de Richard, naufragando na recente separação dos pais, o mais novo dos quais, de sete anos, marca inadvertidamente um encontro erótico através da Internet, (provavelmente dos melhores momentos do filme), um par de raparigas adolescentes e determinadas a explorar a sua sexualidade, um vizinho com uma plena fantasia sexual, um idoso que se apaixona por uma mulher que está ás portas da morte… e podia continuar a descrever mais algumas personagens que povoam este magnifico filme…desculpem, mas não podia deixar de referir o peixe de aquário em cima do carro, que cena genial! Este filme é uma mistura matizada de inteligência, idealismo e realidade, onde a imaginação fértil de July preenche o ecrã com incidentes, muitos dos quais são perceptivos e encantadores. Existe um look de uma crónica realista que se vai transfigurando em conto quase fantástico, mas de um fantástico puramente interior, enraizado nos afectos que as personagens partilham ou tentam partilhar. Onde tudo isto é filmado com a precisão de uma observadora que oscila entre a austeridade psicológica e a sedução abstracta, porventura integrando algo das suas experiências também como artista plástica.O seu olhar possui as virtudes de uma simplicidade que não esconde a complexidade do mundo e as suas relações, bem como explora as tentativas de atravessar a brecha da solidão existencial.A frescura da visão de July é evidente e muito bem vinda…bem, não escondo que este filme é sem duvida um padrão para a minha visão do mundo, apenas posso e quero recomendar este filme ao maior número de pessoas que conseguir, embora a tarefa esteja difícil devido ao adiamento da estreia deste filme em Portugal, que estava marcada para o dia 11 de Maio mas infelizmente foi alterada. Quem conseguiu ver este filme no festival Indie que decorreu em Lisboa, de certeza que partilha estas opiniões, quem não teve a oportunidade de ver…tenho que fazer qualquer coisa, mas o quê?"

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

"TOP RANKING"



Não é hoje.
Provavelmente nem é amanhã.
As frases feitas estão cheias do mundo que as atira às consciências uns dos outros, transformando-as em meros sensos-comuns que beliscam a vontade de ser o Peter Pan durante todo o dia.
Deixo para amanhã o que posso fazer hoje porque hoje não me apetece nada. Até porque costumo colher tempestades antes, sequer, de pensar em semear ventos.
Portanto, não é hoje.
Provavelmente e realmente nem será amanhã.
Quando a Sininho me puser a dormir e a Wendy vos for despertar...

Será o dia (?!)...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

15 NOVEMBRO: DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA

"A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente."


Soren Kierkergaard

sábado, 10 de novembro de 2007

"NATURA INEST IN MENTIBUS NOSTRIS INSATIABILIS
QUAEDAM CUPIDITAS VERI VIDENDI."



Marco Túlio Cícero

Tusculanae

domingo, 4 de novembro de 2007

O FIO DA ARIANA

Há algum tempo atrás, a personagem da Ariana iniciava o seu mundo bloguístico na primeira TEIA , e acolhia quem quer que por lá passasse com estas palavras:

"ONDE ESTAMOS
Dizem que foi há muitos, mas muitos anos, que Teseu, um jovem semi-deus de Atenas, aceitou de Ariadna, uma bela princesa de Creta, um fio de lã para o orientar no seu percurso no labirinto do Minotauro. Teseu cumpriu com sucesso a sua missão de matar Minotauro, regressou do labirinto através do fio e, como prometera a Ariadna, que se apaixonara por ele, levou-a consigo. Na ilha de Naxos, contudo, este abandona-a à solidão. O fio de amor que Ariadna lhe ofertara foi apanhado por Dionisos, que casou com ela, estabelecendo laços fortes de paixão por ela. Após a sua morte, Dionisos colocou a coroa de Ariadna no céu, em forma de estrelas, e como lembrança eterna do seu amor.Mas não foi há assim tantos anos que esta Ariana (que também dizem ser uma variante, em termos de nome, da primeira Ariadna) me apareceu em sonhos. Ainda não sei toda a sua história pois vai fazendo história comigo. Aos poucos e poucos, como início de uma chuva miudinha prestes a tornar-se numa sonora tempestade, vai ganhando forma, enquanto a resgato aos sonhos e a faço abandonar o seu mundo, onde só sei que dorme durante o dia numa teia de aranha esticada entre os braços de uma velha árvore. E quase à semelhança da “outra Ariadna”, aparece com os fios da sua teia neste mundo do virtual (onde teia até se diz WEB) para orientar os caminhos de todos aqueles que o queiram, até este seu espaço que pretende ser acolhedor: a Teia de Ariana.Que os fios sejam as nossas palavras... "
Um dos fios da Teia, ainda nessa casa, abriu um LIVRO DE RECLAMAÇÕES à custa de tanta manutenção que era feita no espaço que a alojava. E a alice, do chromaesthesia, onde nos deixa admirar os seus belíssimos trabalhos (vão lá espreitar!), a 11 de Outubro, deixou um post intitulado NÃO SOMOS SÓ PALAVRAS, no qual recuperava o meu poema do Livro de Reclamações, acompanhando-o, de uma maneira espectacular, com dois trabalhos em acrílico e com colagens sobre tela, baseados no mesmo. Fiquei surpresa. Fiquei "maravilhada" com o gesto. Para além de ter encontrado nas suas imagens o reflexo das palavras que eu quis dizer. Mais uma vez deixo o meu sempre OBRIGADO, não só por semelhante gesto como também pela beleza que se encontra nele e pelos sorrisos que me fizeram nascer! Ficou assim:

"De sentimentos decorados

Com letras por pendurar.

Tatuamos o corpo com histórias intermináveis.

Não vivemos só em fios

Cortantemente estendidos

Entre as vozes mudas de cada um.

Percorremos o som de cada Teia.

Não usamos máscaras feitas à medida

Do abismo que se encerra

Labirinticamente dentro de todos nós.

Herdamos o fio de Ariadne.

Não descemos os mesmos degraus

Que se alojam discretamente

Nas ruínas das nossas almas.

Colocamos novas pedras na Torre de Babel.

Não apagamos a lua da noite

Quando amamos, em segredo,

A luz do dia que nos desperta.

Procuramos sempre o momento exacto.

Não queremos mais do que a dose certa

Da vida servida a quente

Sobre o prato frio da morte como vingança.

Vivemos o amanhã no dia de hoje.

Não sabemos tudo o que queremos

Mas despimos o corpo da ignorância

Quando nos reflectimos perante as questões.

Descansamos na doce esperança.

Não temos o que queremos

Porque encetamos uma luta diária

A cada esquina do amanhecer.

Adiamos a perfeição.



Entre o real e o engano

Entre a porta e a janela

Entre a fuga e a prisão

Entre a pausa e o movimento

Somos o mesmo e múltiplo ser humano."
susana júlio
Carmen Aka Alice
Entretanto, este mundo da Ariana, para além de se "refazer" aqui pelo blogspot, continuou-o no Reflexos do Espectro, onde se encontra com o próprio mundo do Taliesin, de outro blog: o The Spiral. Aqui nos Reflexos não temos medo da escuridão...vemos com os olhos das imagens que nos ficam gravadas não só na objectiva como também na memória da alma, e damos corpo a essas fotografias com molduras de palavras de outros.

E do outro lado da Ariana, as suas mãos trabalham, continuamente, com a Alma na ponta dos dedos, fazendo surgir o blog D`Alma, repleto de inúmeros trabalhos em bijuteria, pinturas e madeiras.

No fundo, estes diversos mundos bloguísticos só são possíveis graças à vossa passagem por aqui. São feitos das vossas palavras que assinalam mais do que uma presença constante outra coisa ainda: a companhia e uma nova "espécie de amizade", que nasce das semelhanças, das diferenças, das opiniões e da partilha. Para todos os que passam por aqui deixo-vos, de coração, o prémio que me foi atribuído pela Teté: Blog 5 estrelas. Supostamente devia atribuir este prémio por outros cinco bloguistas mas contrariando a regra também, aqui fica para vocês recolherem e levaram para os vossos cantinhos. Porque é realmente VOSSO!
Beijos em fio a todos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO, MANO!

A uma pessoa que conhecemos desde sempre, com todos as suas qualidades e algumas "menos qualidades" (que fazem parte do "cadastro" de qualquer um de nós!) é um pouco difícil, após uma boa soma de anos, desejar algo de diferente ou único, que não seja igual ao dos anos anteriores. Afinal, a pessoa é a mesma e o sentimento é o mesmo.

Eu e o Nando (o meu irmão) sempre tivemos uma tendência para "chocarmos" um com o outro, em termos de feitios e querelas. Principalmente, quando eramos miúdos! Um caranguejo e um escorpião! Para além de que conhecer muito bem a outra pessoa, ao longo de uma vida inteira, todos os dias dessa mesma vida, dá tempo para tudo! Mas, acima de tudo, é inegável o carinho e o amor, a preocupação, a amizade, o respeito e a admiração que temos um pelo o outro.

Nando, tu sabes que eu "" quero tudo de BOM para ti; acima de tudo que a LUZ ilumine o teu caminho e o teu coração vida fora. Já sabes que vou andar sempre por aí, algures por perto!

Muitas felicidades e muitos parabéns neste teu dia. Que os teus sonhos nunca deixem de ser sonhos concretizados no teu dia-a-dia.


ADORO-TE, maninho! Para ti, como gostas:

O velho tanque -
Uma rã mergulha,
barulho de água.
(haiku de BASHÔ, poeta japonês, 1644-94)