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segunda-feira, 10 de março de 2008

MANIFESTAÇÃO DOS PROFESSORES: Marcha da Indignação!

Em jeito de antecipação e, ao mesmo tempo, de "revisão", deixo aqui o meu contributo, ou melhor, o meu grito virtual mas real, sobre o que se passa na Educação. Digo antecipação porque no terceiro período, todas as segundas, irão ocorrer manifestações por todo o país; e revisão porque dou o meu ponto de vista do que foi a manifestão deste Sábado passado.Os professores estão de luto esta última semana do segundo período.Irá ser assinado um abaixo-assinado para ser entregue ao Primeiro-Ministro e irão decorrer as tais manifestações semanais, das quais já falei. Sexta-feira, dia 14, será feita Greve Geral da Função Pública. Nesta manifestação de docentes (leia-se pessoas com qualificação para exercer a sua profissão) estiveram presentes cerca de 100 mil profissionais do ensino. 100 mil professores que se juntaram para dar o seu grito de revolta (sim, é preciso gritar visto que a ministra anda surda!), no Sábado passado, dia 8 de Março, iniciando a sua marcha no Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, onde se escutaram uma série de discursos, poemas e cantigas de outrora. Nunca tinha visto tantos autocarros juntos a estacionarem em Lisboa. Pelos vistos, as forças policiais também não, visto que fizeram questão de deter alguns autocarros com professores na estação de Aveiras, de modo a não comparecerem na manifestação. Aliás, as forças policiais estiveram mesmo em cima do acontecimento, mesmo antes da manifestação! O seu empenho foi tanto que uns dias antes andaram de algumas escolas em escolas, à paisana e noutras à descarada, a tentar saber quem eram e quantos eram os professores que iam participar. Claro, entenda-se que os motivos deles eram apenas por uma questão de organização do trânsito, como vieram dizer mais tarde. Sim! Esta forma de actuação, conjuntamente, com a da "sinistra" da educação, parece-me mais daquelas atitudes típicas (que não cheguei a presenciar...mas a história e os mais velhos contam!) salazaristas, fascistas, autoritárias e ditatoriais. Controle, pressão, castigo, monólogo...muito monólogo. Os professores falam para a parede...ou para uma cabeça vazia (parece-me mais este caso!). É de frisar que os professores não têm medo da avaliação. Aliás, somos avaliados todos os dias assim que entramos numa sala de aulas. A todas as horas em que lá estamos. Passam-nos pelas mãos mais de quatro turmas diferentes por dia, por vezes. Não há medo. Apenas se contesta o modo como esta avaliação quer ser conduzida, nos prazos ridículos que nos dão, nos moldes ridículos e ditatoriais (mais uma vez!) em que se inserem, assim como o índice de trabalho que foi avolumado para além daquilo a que um professor, por "natureza", se deve dedicar: ENSINAR! (Entenda-se ensinar no seu genuíno sentido da palavra, pois hoje em dia, somos obrigados a dividir esta tarefa com o EDUCAR...para o qual não fomos formados e informados quando tiramos um curso!). Estão a derrubar por terra, o dom e o gosto do ensino. Estão a humilhar os professores. Editam uma série de leis que imaginam ser as adequadas aqui para o Zé Povinho (que é o seu tubo de ensaio), manifestando uma óbvia ignorância do que é ser professor, dia-a-dia, todos os dias, na escola e em casa (porque em casa também temos coisas da escola para fazer...e não são assim tão poucas! Não encerramos a porta do trabalho às cinco da tarde e o trabalho fica na gaveta!). Estes senhores estão lá no alto do seu poleiro, não estão a "dar ao litro" no campo do trabalho. Estão completamente distantes do que é estar no ensino e numa sala de aulas. Lá nos seus sossegados e confortáveis escritórios, de onde nos observam, devem sentir-se como uns deuses. Mas estes deuses estão loucos...ou para além disso, surdos e cegos! Exigimos, tal como todos os outros trabalhadores estão a exigir cada vez mais e com razão, RESPEITO. E aqui fica a dedicatória daquele clássico da Aretha Franklin "RESPECT" para a "sinistra" da educação, que continua naquela atitude arrogante e autista de alguém que não está nada aberto ao diálogo, nem lhe interessa estar. E ao seu lado, temos um senhor que se denomina por Primeiro-Ministro, que faz panelinha com a "sinistra". É um Sócrates feito à imagem do outro (que no fundo até sabia o que dizia!): "Só sei que nada sei!". E não é que não sabe mesmo?! Ou finge que não sabe? Porque nós sabemos que estes testas de ferro servem outros senhores de guerra, anónimos e discretos, que assim actuam com os seus fantoches privados. Os tais "gatunos políticos"!
Apesar de ter sofrido uma intervenção cirúrgica nessa manhã, na extracção de um dente de siso, não deixei de estar presente na manifestação. Foi visível o apoio que a população nos prestou, nos passeios, aplaudindo e dizendo que estavam do nosso lado, entre outras coisas. Quase no final da manifestação, o comício no Terreiro do Paço incitava à união e à acção dos professores nesta luta desigual, sem eco, ao mesmo tempo que ainda estava a chegar a "cauda" da marcha da Avenida da Liberdade, com os professores da zona norte do país.
Os gritos de ordem foram de facto: a demissão da ministra da Educação, a renegociação do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação de desempenho. Porém, eu acredito que a demissão desta "sinistra" não resolva as coisas. Quem para lá fosse actuaria do mesmo modo. Para além disso, está mais que visto que o "cão do Tintin" ( não sei se se lembram do nome dele; mas achei a expressão engraçada, vinda de um amigo meu que também se manifestou) não larga o osso nem arreda pé da sua decisão política. Acima de tudo, não está aberto ao diálogo.Por mim, está mais do que chumbada!
P.S. Não sei se sabem, estes do PS (sem ser do Post Scriptum!) também vão fazer um comício na rua, este próximo Sábado dia 15 de Março, como resposta a esta manifestação...a seguir cenas do próximo capítulo...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Eu tive um sonho...
Um sonho onde encontrei um quarto forrado
em papel azul.
Em papel azul e com lágrimas de mim...
Fiz dele o meu quarto.
E nele coloquei uma enorme moldura.
Uma moldura que traria até mim o mar.
O azul mar.
E então ouviria o som do mar, enquanto os barcos de papel
transportariam os meus sonhos para o alto mar!
Para lá do horizonte, onde o Céu se junta ao mar.
E no meu quarto tudo era tão mais azul!
texto por tons de azul (do blog Tons de Azul)

...outro texto encantador para o post IMAGEM PROCURA TEXTO, recheado das cores que eu também gosto, das junções que mais admiro: a linha do horizonte fundida no nosso olhar. Muito obrigado, tons de azul, pela tua participação, sempre tão atenciosa e delicada nos pormenores! Onde é que acaba a realidade e começa o sonho?!
Álbum aconselhado: LAMB- "Best Kept Secrets"

quarta-feira, 5 de março de 2008

Quem sou eu?
Que faço aqui?
Nesta praia improvisada
Que me entra pela janela
Da alma partida
Desgastada...
Sinto-me cansada...
De uma vida já meio vivida
Onde os sonhos se afundaram
E os destroços me rodearam
Nesta praia que ninguém conhece
Perdida no oceano das esperanças
Que também se afogaram...
O terço já não me chega
Mesmo que com ele rezasse...
Resta-me o guarda chuva
Que me servirá de vela
E o barquito de papel
Talvez reciclado...
Para de novo me lançar
Por esse mar adentro
Em águas já mais calmas
Até onde o vento me levar...

texto de impulsos ( do blog Impulsos da Alma)

...mais um belíssimo poema que nos foi deixado pela impulsos, para texto do post IMAGEM PROCURA TEXTO. Entre fios antagónicos da doçura e da raiva, se batem as palavras numa ritmada e cativante dança de significados. Obrigado, querida amiga de há algum tempo nestas andanças virtuais.
Onde vamos buscar as nossas forças "extra"?!
Álbum aconselhado: "My Blueberry Nights - Soundtrack" ( e já agora, o filme também vale muito a pena!)

segunda-feira, 3 de março de 2008

No quadro imaginário da vida,
Os oceanos invadem o teu mundo,
Transfiguram o cheiro da terra molhada
Num aroma a sangue,

Em que navega o barco da felicidade
Nas linhas cruzadas da magia.

poema por Taliesin

Continuando com os textos gentilmente doados por todos vocês à IMAGEM PROCURA TEXTO, ficamos, agora, com o simples, poderoso e bonito poema do Taliesin, onde as suas palavras vão de encontro ao que a imagem lhe quis dizer. Muito obrigado.
Com que linhas nos "cosemos" no mundo da magia?!
Álbum aconselhado: M83 "Digital Shades"

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

CINEMA NA TEIA: INTO THE WILD

Passados alguns minutos de visualizar o mais recente filme do actor/realizador Sean Penn “Into The Wild” a rendição é absoluta. Com este filme Penn, conta a história verídica de Christopher Johnson McCandless, um recém-licenciado que rejeita todas as formas de materialismo e auto intitula-se de Alexander Supertramp. Para iniciar uma épica viagem (de dois anos) através do seu país; para realizar uma descoberta do seu ser e para concretizar a perseguição da liberdade até ao Alaska.
O filme está dividido em vários capítulos, Alex vivendo no Alaska (seu último destino) e a viagem que efectua até chegar a este lugar paradisíaco, incluindo flashbacks da sua juventude, com trágicos momentos do ambiente familiar em que cresceu e que sempre rodeou os seus pais. Ao longo da película vamos também conhecendo as últimas pessoas que tiveram a possibilidade de conviver com McCandless na sua viagem para o Alaska.
Quando estamos bem introduzidos no filme, o realizador pára a narração ( de Alex e de sua irmã) e inicia-a de um modo visual para a descrição do que existe na mente de Alex. É com este estilo visual que Sean Penn nos cativa com uma tal mestria, que por vezes sentimos que estamos a viajar lado a lado, ou até mesmo a sentir o que Christopher sentiu ao efectuar tal aventura, “aprisionados” pela própria natureza.
O que dizer deste filme?....Simplesmente uma obra de arte….extraordinário como esta película utiliza sempre uma extensão da metáfora de uma forma brilhante e consegue sempre captar a beleza que Alex viu e sentiu. Oferece-nos também uma perfeita e profunda caracterização da felicidade da natureza e a diferença entre o estar sozinho e a sensação de solidão.
As imagens podiam ser autênticos quadros visuais de poesia, a par e passo da mensagem que este filme nos transmite. Quem nunca desejou partir à aventura, desligar-se das coisas mais mundanas, materiais e banais que nos prendem ao quotidiano e ao compromisso social; quem nunca quis encontrar a serenidade de espírito no viver pelo simples prazer do viver e do existir na sua forma mais pura e verdadeira? Escapar à prisão da Sociedade?
O mergulho do Homem no lado selvagem da natureza, sendo que, desta vez, quem vence a batalha é realmente o selvagem… mesmo que após esta viagem iniciática se descubra uma verdade suprema: “Happiness is only real when shared”.
Não podemos esquecer a banda sonora de Eddie Vedder, que consegue sobrelevar, muitas vezes, ao nível da perfeição, cada uma das cenas deste maravilhoso filme.

Se espreitarem este link
AQUI podem ver algumas fotos reais dos últimos lugares onde esteve McCandless (inclusive o por si apelidado de “autocarro mágico”, que o acolheu durante 100 dias, e que neste momento está transformado em museu, em sua homenagem).

Se tivéssemos de fazer um TOP3 de filmes, para os vencedores dos Óscares, fomos unânimes em decidir assim:
1º INTO THE WILD;
2º O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD;
3º EXPIAÇÃO


Mas não somos os críticos…apenas uns grandes amantes do bom cinema, que gostam de partilhar estas sugestões com todos vocês!
Texto por Taliesin e Su.

Em memória de Christopher Johnson McCandless (12 de Fevereiro de 1968 – 18 de Agosto de 1992)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

DESAFIO DAS 12 PALAVRAS

O carteiro ( do blog selos difusos) e a teté ( do blog Quiproquó) surpreenderam-me, há uns dias, com o DESAFIO DAS 12 PALAVRAS. Ora, para além de gostar de desafios, tudo o que me soe ou toque a palavras parece-me sempre bem. Por isso, em jeito de resposta, aqui deixo o meu texto, com destaque para as "minhas" (que são de todos) 12 palavras, que à sua forma e maneira são-me extremamente especiais.

palavras assim como que soltas; pétalas desfolhadas dos lábios de cada um, traduzidas em signos, tatuando papéis.
Palavras difíceis e palavras fáceis assim como as próprias pessoas. Leves e pesadas, medindo os gestos de quem as liberta.
Há palavras que nos tocam, de mãos ausentes da matéria. Palavras amantes que se deitam com o nosso corpo e acordam com a nossa alma.
Há palavras que habitam no nosso universo e outras que ficam apenas à porta…esperando uma outra oportunidade qualquer para serem usadas; e assim entram em nós.
Vestimos as palavras conforme saímos do tempo e do lugar, de nós e dos outros, dos espaços cheios e dos espaços vazios, da realidade e do sonho.
Há palavras que nos abordam como ondas de mar revolto, enquanto caminhamos descalços à beira da Vida. Deixamos as pegadas na areia molhada em forma de passado…que desaparece, lentamente, conforme a água que nos vem do presente.
Há palavras que são como lágrimas, arrastando-nos dentro de nós mesmos atrás de uma dor infinita e cruel; porém, outras iluminam-nos como as estrelas e a lua, nos céus que fazemos existir aqui na terra, à nossa beira.
Há palavras que nos escondem na noite enquanto o mundo adormece na perfeita certeza de que assim é que está certo. Existem outras que nos despertam adrenalina, correndo em vez do sangue, pelos caminhos do nosso corpo.
Sejam quais forem as palavras, serão sempre as palavras a espiral que nos liga uns aos outros…como a mais delicada mas resistente Teia do Amor.

Uma das regras dita que a seguir escolho mais 12 "escritores" para nos revelarem as suas 12 palavras (estou a tentar nomear bloguistas que ainda não tenham sido nomeados para este desafio). Engraçado é ver a coincidência de gostos nas palavras que dizemos e escolhemos:
gerlane
Considerem-se desafiados, e mesmo aqueles que aqui não estejam nomeados, em jeito de lista. Afinal, as palavras são mesmo de todos!
Conselho musical: RADIOHEAD - In Rainbows

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O PODER

É hoje que penduro o Tempo a um canto
E espanto as Horas da minha frente.
É hoje que penduro o coração ao
Sol
E deixo-o secar à luz do teu
Amor
É hoje que dou corda à Alma
E corro mais do que a Vida inteira.
É hoje que sonho acordada
E adormeço, deliciosamente cansada.

Porque é Hoje, como sempre,
Que o meu Agora existe.
Em Pleno.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Qual é a vossa constelação?!

Quando eu era pequenita, a minha avó, e também a minha mãe, costumavam-me dizer que não devia contar as estrelas. Era um acto que resultava numa coisa má, pois podiam aparecer-me sinais no corpo. E então eu contava às escondidas, não sei bem de quem, com a estranha sensação de que estava a infrigir uma qualquer lei sagrada e ancestral. Na ausência da amiga Lua, andava sempre, literalmente, com o nariz espetado na noite, em alturas de céus negros e brilhantes, descobrindo os quatro cantos possíveis às posições das estrelas. Se de dia me entretinha com os desenhos das nuvens, à noite desenhava com as estrelas…e talvez tenha sido assim que me surgiu este gosto urgente pelo desenho e pela pintura. Também se “escreve” com as imagens.
Não pedia desejos. Esquecia-me de o fazer perante a beleza das “estrelas” que “caiam”. Só mais tarde, na varanda da casa da minha prima Sandra, algures no Norte, até às tantas da madrugada, na companhia do voo rasante dos morcegos, de um bom cobertor, almofadas e do nosso piquenique nocturno, é que ficávamos em grandes conversas, enquanto esperávamos os desejos, à conta da queda de umas quantas estrelas. O céu é mais límpido e está longe das luzes e dos fumos das cidades.
Hoje em dia, não é que eu não tenha desejos, mas voltei àquela fase da infância em que me deleito a olhar para os céus, admirando e desenhando todas as formas possív
eis e impossíveis; descobrindo os nomes oficiais das constelações. A companhia é outra mas a hora continua a resultar na mesma: de madrugada… enquanto passeio o meu Sky!
Lembro-me, há muitos anos atrás, da altura em que descobri que estando a olhar para o céu e para as estrelas é estar a olhar para o passado. Fiquei “assombrada”! A minha mente não conseguia fazer a ginástica necessária para entender esse raciocínio. Não conseguia perceber como é que podia estar, no presente, a observar uma estrela que poderia já não existir. Fazia-me cócegas no inteligível tentar compreender que poderia estar a olhar para um eco do passado. Que o brilho das estrelas demoram uma determinada quantidade de anos-luz (distância percorrida pela luz durante um ano, a uma velocidade de quase 300 000 km/s!) a chegar até nós; que chama-se de magnitude aparente à intensidade do brilho que vemos nas estrelas; que a cada temperatura superficial das estrelas corresponde uma determinada cor; que existem enxames estelares, nebulosas e maternidades de estrelas, entre outras coisas espectaculares e dignas de nota.
Sempre admirei a Constelação de Orion. Antes de saber que era assim que se chamava, seguia, quando era a posição dela no meu horizonte de céu, as três irmãs. Aquelas três estrelinhas que se seguem em linha recta, muito juntinhas umas às outras, como se estivessem numa carreirinha. Mais tarde, é que aprendi, por mote próprio, que faziam parte de uma constelação, e eram designadas pelo “cinturão de Orionte”. Neste momento, todas as noites, descubro-a bem visível enquanto ando de novo com o nariz espetado nas estrelas. Está aí bem em cima de nós!
Esta constelação é conhecida desde a Antiguidade. Nela, os Sumérios viam a figura do seu herói Gilgamesh (4000 a.c.). Surge numa escultura de um templo egípcio de cerca de 3285 a.c., com o nome de “Sahu”. Para os Acádios tinha o nome de “Uru-Na-Na” (a Luz do Céu) e para os Assírios e Caldeus era “Dumu-Zi” (Filho da Vida). Ficou conhecida, contudo, com o nome que lhe foi atribuído nos primórdios da civilização grega: Orionte. Segundo a mitologia, era um gigantesco caçador, filho de deuses, que tinha crescido tanto que podia caminhar com os pés no fundo do mar e a cabeça acima da água. Usava uma moca e uma pele de leão. Fazia-se acompanhar pelo seu cão Sírio. Foi companheiro de caça da deusa Diana. Perseguiu as Plêiades durante cinco anos, e estas só conseguiram escapar com a ajuda de Zeus, que as transformou em pombas, colocando-as no céu, entre as estrelas. Apaixonou-se por ele Eos, a Aurora, e diz-se que a deusa continua ainda a enrubescer todos os dias com a recordação desta paixão, explicando-se, assim, a cor do céu ao amanhecer. Diz a lenda que morreu com uma flecha enganada de Diana, outras dizem que foi um escorpião que perseguiu, picou e matou este gigante. Com a sua morte foi levado para o Tártaro, e aí tan
to o gigante como o seu cão foram convertidos em constelações. Quando
se avista Órion no céu não se vê a constelação de Escorpião, e vice-versa.
Mas na Astronomia herda-se apenas o nome que lhe foi dado pela Antiguidade. O mito fica para trás e a ciência informa-nos que o Inverno do hemisfério norte é uma excelente época para a ver nas primeiras horas da noite. As estrelas que formam o cinturão são chamadas de Delta (920 anos-luz), Épsilon (1340 anos-luz) e Zeta (920 anos-luz). São estrelas muito quentes, por isso revelam uma cor azulada. No trapézio formado pela restante constelação destacam-se uma das estrelas mais brilhantes, a gigante vermelha Alfa (também chamada de Betelgeuse, a 430 anos-luz) e a sul do Cinturão uma nebulosa, que é considerada uma das mais belas dos nossos céus. Está situada a uma distância que ronda os 1400 anos-luz e tem um diâmetro superior a 20 anos-luz. Pode ser detectada a olho nu, em local adequado. É um ninho onde se estão a formar novas estrelas, com matéria suficiente para formar dez mil estrelas como o
Sol. Aconselho-vos um livro fantástico: MITOS NO CÉU, de António Magalhães, Editora Gradiva.

...isto só porque ando a olhar para as estrelas...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

SELO

"Põe-me como um selo sobre teu coração,
como um selo sobre teu braço!
Porque é forte o amor como a morte,
e a paixão é violenta como o abismo:
suas centelhas são centelhas de fogo,
labaredas divinas."

in Cântico dos Cânticos (Bíblia Sagrada)

...e um poema, aqui, para ti...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Enfim conseguiram. Malditos sejam. Sem fogo nos céus; tampouco as estrelas caíram; sequer avistei a Besta Escarlate. Acaso o seu número seria mesmo 666? O João, aquele do Livro das Revelações, escreveu por enigmas. E que enigmas! Indecifráveis. Não há prostitutas no céu; nem toque das sete trombetas; sequer as sete taças com o conteúdo da ira do Senhor. Foram-se os continentes... Retornaremos ao pó, poeira no fundo do grande oceano. Único; o último sinal do fim dos tempos.
Trimmmmm.
"Ah, é você? É, estava dormindo. Tive um sonho estranho, que o mundo se acabava em água. A exposição de Salvador Dali? Estou lembrado, nos encontramos lá. Um beijo, querida!"

texto de oliver pickwick (do blog O MELHOR BLOG SOBRE NADA)
Muito obrigado, oliver, pela tua partilha aqui na Teia, do teu enorme talento como prosador...bela "sinfonia" de letras apocalípticas que nos deixaste no post IMAGEM PROCURA TEXTO.
SEREMOS MESMO OS "ÚLTIMOS" DOS TEMPOS?!