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domingo, 23 de março de 2008

RECONSTRUÇÃO

Tinha nas mãos os teus braços estendidos, sem perceber porque ficaste assim ali…impávido e sereno, com a morte como peso das tuas costas; com cada palavra que não disseste como prego arrependido, segurando-te à eternidade.
Caía suavemente dentro de mim o teu amor…um manto escuro por detrás da realidade que assomava à janela da inconsciência. Gota a gota, coração sangrando do sacrifício, soando as últimas palavras como sendo sempre as primeiras que eu esperava. A redenção do passado e a justificação da vida em frente.
Guarda a minha alma, material perene, dentro da tua…e quando ficares na cruz que seja a minha a ficar no teu lugar. Restando ao sabor do Tempo, lambida pela chuva, devorada pelo sol, acesa pelo ódio dos Homens, desgastada pelas suas mentiras e devassada em cada pretensa oração. Deixa-me ficar ali sozinha, mais só do que vou ficando, perante a incredulidade dos outros, que todos os dias fabricam os pregos que Te prendem a essa cruz. Pede a devolução da tua vida para outra vida melhor. Melhor do aquela que invadimos na privacidade das páginas sagradas escritas pelo Homem; aquele que foi dizendo que escutava sempre a voz do Teu pai, enquanto se esquecia de ouvir a própria voz dos seus semelhantes. Aceita a minha desconfiança como a única prova que Te reconheço mesmo assim…pois se não te desse o benefício da dúvida, não seria assaltada pela inquietação da tua existência. Perdoa qualquer coisa que eu não faça em Teu nome porque dizem que esse teu nome assim como do Teu pai não se conhecem e não podem ser soletrados. Não opero milagres nem pratico adivinhação. Não leio entrelinhas e sou cega a explicações. Não quero saber do próximo quando entre mim e ele não existe nada. Nascemos solitários e morremos da mesma forma, perante o circo desta vida, como consequência de um acto falhado de uma Eva perdida. Como se o primeiro erro humano fosse de uma mulher…sendo que o eterno erro humano é acreditar realmente nisso. Como a maça, não deito fora o pecado, abro os portões do teu Éden e deixo todos entrar. Combato o teu egoísmo e nivelo todos por igual. A serpente fica à porta e não te deixa entrar para que não caias em tentação de nos expulsar. Não há anjos caídos porque voam todos por igual.
E da costela do teu filho não nasce nada, nem homem nem mulher, a não ser a dor de pensar na sua solidão. Quem lhe molda o corpo, com mãos demiurgas e atentas, sabe tão bem como eu, que quem faz um faz o outro, mesmo que seja à sua imagem e semelhança.
Quando afasto a tua cruz do meu coração, em seu lugar, fica a sombra queimada na pele da tua existência. E continuam os teus braços nas minhas mãos e eu sem saber porque tinhas de ficar assim…sem mim…ou eu ali…ou outro…e não Tu…ou até porquê…se tudo o que fizeste ficou debaixo de tudo o que somos agora.
Do mundo que temos lá fora.

quarta-feira, 19 de março de 2008

DESAFIO MUSICAL: 1º tema musical com PINK FLOYD!

Os sons principais escutavam-se como se fossem batimentos cardíacos. A banda sonora de uma casa que crescia em mim e eu com ela. Entre as esfoladelas de joelhos na rua, as meias coloridas puxadas até acima, o cabelo curtinho a rapaz e um chapéu de cowboy a tapar, as torcidelas de cair das árvores porque era bom era ficar em cima delas, com muito vento (é o que dá gostar do sabor da tempestade em câmara lenta), o tulicreme no pão e à colherada, antes de ir para a rua, a mala às costas recheada de livros, cadernos e lápis…os lápis de cera misturados com os lápis de cor, as folhas brancas desenhadas com nuvens azuis porque não sabia usar o branco…o cheiro do estojo usado, as carteiras que pareciam maiores do que nós, as réguas e as reguadas e o raspanete do pai e da mãe, o sangue que costumava cair do nariz, enquanto o sol escaldava lá fora e as bolas de sabão que levavam os meus segredos, o leite simples bebido na cantina e no recreio, o castigo do intervalo na sala a fazer a tabuada (quem te mandou passar a aula a conversar?!), o puxão de orelhas a arder de vergonha e a mudança de lugar para ao pé de um rapaz, o ditado sem erros e as seis horas a mandar-nos para casa. A corrida para casa e os deveres feitos. O lanche acompanhava os desenhos animados…a Candy Candy e o Tom Sawyer; As Misteriosas Cidades de Ouro e o Conan, O Rapaz do FuturoA Casa na Pradaria e a rua lá fora…estradas para atirar caricas em caminhos improvisados na areia, o berlinde satélite da minha colecção…e o pião, gira, gira pião…que foi o meu pai que mo deu para a mão. Arroz doce depois do jantar…canela à janela, conversas até me ir deitar…os vizinhos do lado eram como irmãos… Maria Rapaz que não escutava nada enquanto fingia que escutava tudo…a música por enquanto ainda ali não morava. Mas quando começou…o muro estava a cair…caiu e deixou entrar a música e o pensamento. A mãe ouvia e o pai suportava. A filha seguia o que a mãe colocava no gira-discos a tocar.
Mais tarde, um trabalho para Inglês…doze anos a começar…o filme The Wall sem legendas para ler, apenas ouvir, ver, entender, resumir e contar nessa língua estrangeira que se estava a aprender. A professora absorvida, a su absorvida, a turma entretida e aborrecida… Crescer, crescer, dolorosamente a crescer…a poesia incomodava porque já me espreitava e fazia pensar…outra vez o pensamento…e a paixão forte, segura, que ainda dura, por esta banda intemporal: PINK FLOYD. O tema:”Another Brick in the Wall". Marcante…origens musicais marcantes… imagem e cassetes...fita e coração...
Isto tudo a propósito de um DESAFIO MUSICAL que a teté deixou lá no seu cantinho, há uns tempos atrás. Escolher “apenas” (e aqui é que dói” para quem vive da música e para a música, a cada instante da sua vida!) seis temas que nos acompanharam e marcaram a nossa vida, até aos dias de hoje. E, tal como ela, vou fazendo assim: apresentando, aos poucos e poucos, esses meus caros amigos sonoros que me acompanharam até aos dias de hoje. Para um primeiro momento, aqui ficou este tema dos PINK FLOYD…mais tarde, voltarei com um segundo tema dentro dessa lista perigosa de seis! E desafio é desafio. Vou passá-lo, com a medida justa de curiosidade, para: o taliesin; o matchbox31; a tons de azul; a borboleta; o carteiro; a nelinha; a butterfly; a un-dress; a Alice; a Sandra Daniela; o mixtu; o oliver; a lenita; a muguet; a som do silêncio, a liz; a gerlane; a kátia; a dark-me; a impulsos; o azer; o roberto; o árabe; a Fernanda; a Maria; o Filipe; a bia; a serenidade; a Ana s.; a carmen zita; a lua prateada; o efneto; o profeta; a papoila; a oceanus; o littledragonblue; a paulinha; a poeta_silente; a mel; o dream alive; o gz; o Rangel; o bono_poetry; o zezinhomota; a Inês; o efvilha; o artista; o fernando pessoa; a menina do rio; a menina_marota; o sentir dos sentidos; a flora; o márcio e TODOS aqueles que por aqui passarem e quiserem levar consigo este penoso desafio!
Boa selecção!

terça-feira, 18 de março de 2008

E quando tudo passar...

Quando tudo passar
E sobre a tua pele deixar as letras desfolhadas
Como páginas sem sabor ou sem sentido
Revoltadas pela exaustão
Marcadas pela passagem do sangue
Entre o corpo e a alma
Quando tudo passar
E não for mais do que poeira liberta
Pela corrida do tempo contra a vontade
E os textos que escrevemos terminarem
Como inúmeras sombras destacadas no horizonte
Do que restar na memória
Quente e extenuada memória
Contra a velha árvore que se encosta
À última palavra à beira do fim do mundo
Com cuidado…não se cai.

Tornamo-nos no ponto final.

domingo, 16 de março de 2008

CENAS DO CIRCO: parte 2!

O circo continua…e o show dos palhaços é o mais assistido.
Então, não tendo mais nada para fazer na ociosidade nas suas salas ultra-modernas e sofisticadas, sentados nos seus enormes cadeirões do poder, a loucura dos deuses continua a atingir graves proporções nestes simples mortais, que usam e abusam do seu poder, à imagem e semelhança de outros tempos (leia-se antes 25 de Abril!). Já há quem diga: “Volta Salazar. Estás perdoado!”. Claro, tudo muito baixinho porque eles andam aí. Alguns disfarçados, outros à paisana e muitos em estilo low profile.
Um vira-se para outro e diz:
- Olha, o que é que podíamos inventar hoje para chatear o Zé Povinho?!
- Bem…sabes, há uma coisa que me anda a incomodar tremendamente. O meu filho quer fazer um piercing na língua e outro no seu órgão genital…assim, se proibíssemos esta prática, matávamos dois coelhos de uma só cajadada! Ele já não o podia fazer (e eu deixava de ser o pai tirano!) e continuávamos a chatear aquela gente toda que ganha muito menos do que nós (trabalhando muito mais!).
-Boa, Mike! E já agora, estendíamos isso às tatuagens e nem sequer deixávamos à consideração dos pais e/ ou Encarregados de Educação, dar autorizações a menores de idade para executar tais práticas! Seremos nós quem decidirá tudo…até em casa do Zé Povinho!
-Pois… afinal, quem é o Presidente da Junta sou eu!
- E eu!
- Temos de manter um certa “referência de qualidade” aqui no nosso país! E eles têm de perceber quem é que manda aqui. Aquela “cena” de “O povo é quem mais ordena” já são outras cantigas…eu sou dos anos 90, em que idolatrava aquela letra dos SNAP:”I`ve got the power”!
- Estudaste bem a lição!
- E para disfarçar isto tudo, para ficarem bem endrominados, estabelecemos que é tudo para defesa do consumidor. Locais bem identificados para fazer as tatuagens, com as tintas e utensílios correctos, descartáveis e devidamente esterilizados, piercings só em aço cirúrgico e após os 18 anos de idade.
- Mas olha lá, em grande parte dos sítios profissionais já se tinha tudo isto em atenção…
- Não faz mal. É só para chatear mais um bocadinho…e atirar mais areia para os olhos de quem não o sabia!
-Então e como é que vamos fiscalizar a cena?!
- Ó meu amigo da mesma panelinha… temos a nossa querida ASAE! Ou já te esqueceste?! Eles passam a fiscalizar quem faz os piercing`s e tatuagens ilegais. Haverá pesadas multas. E pronto.
- Então não preciso de me preocupar com …enfim… sabes, aquela tatuagem que fizemos juntos aos 16 anos de idade, naquela noite em que nós…
- Bem…chega! Ficamos por aqui…resolve-se já a questão! Serão consideradas ilegais apenas aquelas que forem feitas após a publicação da lei.
- E mais nada!
É de referir que existe uma verdade neste diálogo: já existiam locais de extrema confiança e devidamente autorizados para executarem estes géneros de trabalhos artísticos; respeitando todas as condições necessárias para a elaboração de um bom trabalho e para quem realmente está decidido fazê-lo. Posso indicar dois desses locais, não por estar a fazer publicidade ou algo de género, mas porque conheço de há uns bons anos: O Bad Bones, no Bairro Alto e o Impact Tattoo, em Almada.
Tirar o poder aos pais de decidirem se os seus filhos podem ou não fazer uma tatuagem ou um piercing é só mais um abuso de poder deste governo, que faz dos seus erros constantes e sucessivos, um vaivém de piadas políticas. Vejam só esta afirmação do porta-voz do PS, Vitalino Canas: “…foram tantas as coisas que fizemos bem que não temos de perder tempo com o que fizemos de mal.”. Sim senhor…é caso para dizer: “É grupos! O senhor só dá cana!”
Portanto, meus amigos…não se admirem se um dia a ASAE vos bater à porta e, com todo o profissionalismo, vos disser:
- Abra as pernas, por favor!
"NO PAIN...NO GAME!"

quinta-feira, 13 de março de 2008

ENCANTAMENTO

Por entre os sinos as vozes sibilam antigas profecias.
De tempos que não os meus escondidos na manga.
Magias enegrecidas pela noite mais negra
Sem as farpas da luz rasgando esse tecido.
Cobre-me o corpo o desalento voraz de o ter esquecido.
O Infinito rejeitado e arrancado
Como erva daninha contra uma nova religião
Que não mais fez do que desligar
A alma fria do quente coração.
Por entre as esquinas cinzentas da compaixão
O orgulho escondido da memória alimenta-se do medo
E das sombras contrárias aos passos que são dados
Enquanto o dia caminha para o seu final feliz.

É o momento preferido dos fantasmas que se anunciam
Por detrás da consciência de qualquer um.
Os sussurros sobem em espiral
Como tatuagens de incenso ardente e despedaçado
Contra o ar que penso que respiro.
Dispo o corpo de palavras que me identifiquem
E sou a anónima do passado que se arma de lança e de espada,
Armadura e cavalo,
Sem encontrar o seu Dragão Encantado.
A sua luta empobrecida perde-se nas trevas distantes.

Pelas ausências e presenças,
Intervaladas,
De um bater de coração,
Do deslizar de uma lágrima,
Do peso de um suspiro,
No sobrevivente que já não queria viver.
Agora são as palavras que me despertam
Acariciando a alma em toques lentos.
Amante renascido de outra época qualquer
Decora o meu corpo,
Letra a letra,
Beijo a beijo,
Prece a prece
Como fórmula secreta de um antigo milagre.
Aquele que nunca se escreveria num livro.
Sagrado ou por sagrar.
E os murmúrios que repetem essa reza
Crescem como raízes confusas em transe
Que me puxam de novo para aqui.
Onde me sento a adivinhar o que foi o passado
De costas viradas para o que há-de vir.
Por cima do ombro
Espreita-me a eternidade.
Nas minhas mãos
Pulsa o sangue e a vida.
O presente do Presente.

Aceita-O.

quarta-feira, 12 de março de 2008

...um pouco de paz...

"Esta é a luz da razão, fria e planetária.
As árvores da razão são negras. A luz é azul.
As ervas descarregam as suas mágoas nos meus pés como se
[eu fosse Deus,
Picando os meus tornozelos e murmurando a sua humildade.
Esfumadas, inebriantes neblinas habitam este lugar
Separado da minha casa por uma fileira de lápides.
Só não consigo ver para onde se vai."

in "A Lua e o Teixo", de Sylvia Plath

segunda-feira, 10 de março de 2008

MANIFESTAÇÃO DOS PROFESSORES: Marcha da Indignação!

Em jeito de antecipação e, ao mesmo tempo, de "revisão", deixo aqui o meu contributo, ou melhor, o meu grito virtual mas real, sobre o que se passa na Educação. Digo antecipação porque no terceiro período, todas as segundas, irão ocorrer manifestações por todo o país; e revisão porque dou o meu ponto de vista do que foi a manifestão deste Sábado passado.Os professores estão de luto esta última semana do segundo período.Irá ser assinado um abaixo-assinado para ser entregue ao Primeiro-Ministro e irão decorrer as tais manifestações semanais, das quais já falei. Sexta-feira, dia 14, será feita Greve Geral da Função Pública. Nesta manifestação de docentes (leia-se pessoas com qualificação para exercer a sua profissão) estiveram presentes cerca de 100 mil profissionais do ensino. 100 mil professores que se juntaram para dar o seu grito de revolta (sim, é preciso gritar visto que a ministra anda surda!), no Sábado passado, dia 8 de Março, iniciando a sua marcha no Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, onde se escutaram uma série de discursos, poemas e cantigas de outrora. Nunca tinha visto tantos autocarros juntos a estacionarem em Lisboa. Pelos vistos, as forças policiais também não, visto que fizeram questão de deter alguns autocarros com professores na estação de Aveiras, de modo a não comparecerem na manifestação. Aliás, as forças policiais estiveram mesmo em cima do acontecimento, mesmo antes da manifestação! O seu empenho foi tanto que uns dias antes andaram de algumas escolas em escolas, à paisana e noutras à descarada, a tentar saber quem eram e quantos eram os professores que iam participar. Claro, entenda-se que os motivos deles eram apenas por uma questão de organização do trânsito, como vieram dizer mais tarde. Sim! Esta forma de actuação, conjuntamente, com a da "sinistra" da educação, parece-me mais daquelas atitudes típicas (que não cheguei a presenciar...mas a história e os mais velhos contam!) salazaristas, fascistas, autoritárias e ditatoriais. Controle, pressão, castigo, monólogo...muito monólogo. Os professores falam para a parede...ou para uma cabeça vazia (parece-me mais este caso!). É de frisar que os professores não têm medo da avaliação. Aliás, somos avaliados todos os dias assim que entramos numa sala de aulas. A todas as horas em que lá estamos. Passam-nos pelas mãos mais de quatro turmas diferentes por dia, por vezes. Não há medo. Apenas se contesta o modo como esta avaliação quer ser conduzida, nos prazos ridículos que nos dão, nos moldes ridículos e ditatoriais (mais uma vez!) em que se inserem, assim como o índice de trabalho que foi avolumado para além daquilo a que um professor, por "natureza", se deve dedicar: ENSINAR! (Entenda-se ensinar no seu genuíno sentido da palavra, pois hoje em dia, somos obrigados a dividir esta tarefa com o EDUCAR...para o qual não fomos formados e informados quando tiramos um curso!). Estão a derrubar por terra, o dom e o gosto do ensino. Estão a humilhar os professores. Editam uma série de leis que imaginam ser as adequadas aqui para o Zé Povinho (que é o seu tubo de ensaio), manifestando uma óbvia ignorância do que é ser professor, dia-a-dia, todos os dias, na escola e em casa (porque em casa também temos coisas da escola para fazer...e não são assim tão poucas! Não encerramos a porta do trabalho às cinco da tarde e o trabalho fica na gaveta!). Estes senhores estão lá no alto do seu poleiro, não estão a "dar ao litro" no campo do trabalho. Estão completamente distantes do que é estar no ensino e numa sala de aulas. Lá nos seus sossegados e confortáveis escritórios, de onde nos observam, devem sentir-se como uns deuses. Mas estes deuses estão loucos...ou para além disso, surdos e cegos! Exigimos, tal como todos os outros trabalhadores estão a exigir cada vez mais e com razão, RESPEITO. E aqui fica a dedicatória daquele clássico da Aretha Franklin "RESPECT" para a "sinistra" da educação, que continua naquela atitude arrogante e autista de alguém que não está nada aberto ao diálogo, nem lhe interessa estar. E ao seu lado, temos um senhor que se denomina por Primeiro-Ministro, que faz panelinha com a "sinistra". É um Sócrates feito à imagem do outro (que no fundo até sabia o que dizia!): "Só sei que nada sei!". E não é que não sabe mesmo?! Ou finge que não sabe? Porque nós sabemos que estes testas de ferro servem outros senhores de guerra, anónimos e discretos, que assim actuam com os seus fantoches privados. Os tais "gatunos políticos"!
Apesar de ter sofrido uma intervenção cirúrgica nessa manhã, na extracção de um dente de siso, não deixei de estar presente na manifestação. Foi visível o apoio que a população nos prestou, nos passeios, aplaudindo e dizendo que estavam do nosso lado, entre outras coisas. Quase no final da manifestação, o comício no Terreiro do Paço incitava à união e à acção dos professores nesta luta desigual, sem eco, ao mesmo tempo que ainda estava a chegar a "cauda" da marcha da Avenida da Liberdade, com os professores da zona norte do país.
Os gritos de ordem foram de facto: a demissão da ministra da Educação, a renegociação do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação de desempenho. Porém, eu acredito que a demissão desta "sinistra" não resolva as coisas. Quem para lá fosse actuaria do mesmo modo. Para além disso, está mais que visto que o "cão do Tintin" ( não sei se se lembram do nome dele; mas achei a expressão engraçada, vinda de um amigo meu que também se manifestou) não larga o osso nem arreda pé da sua decisão política. Acima de tudo, não está aberto ao diálogo.Por mim, está mais do que chumbada!
P.S. Não sei se sabem, estes do PS (sem ser do Post Scriptum!) também vão fazer um comício na rua, este próximo Sábado dia 15 de Março, como resposta a esta manifestação...a seguir cenas do próximo capítulo...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Eu tive um sonho...
Um sonho onde encontrei um quarto forrado
em papel azul.
Em papel azul e com lágrimas de mim...
Fiz dele o meu quarto.
E nele coloquei uma enorme moldura.
Uma moldura que traria até mim o mar.
O azul mar.
E então ouviria o som do mar, enquanto os barcos de papel
transportariam os meus sonhos para o alto mar!
Para lá do horizonte, onde o Céu se junta ao mar.
E no meu quarto tudo era tão mais azul!
texto por tons de azul (do blog Tons de Azul)

...outro texto encantador para o post IMAGEM PROCURA TEXTO, recheado das cores que eu também gosto, das junções que mais admiro: a linha do horizonte fundida no nosso olhar. Muito obrigado, tons de azul, pela tua participação, sempre tão atenciosa e delicada nos pormenores! Onde é que acaba a realidade e começa o sonho?!
Álbum aconselhado: LAMB- "Best Kept Secrets"

quarta-feira, 5 de março de 2008

Quem sou eu?
Que faço aqui?
Nesta praia improvisada
Que me entra pela janela
Da alma partida
Desgastada...
Sinto-me cansada...
De uma vida já meio vivida
Onde os sonhos se afundaram
E os destroços me rodearam
Nesta praia que ninguém conhece
Perdida no oceano das esperanças
Que também se afogaram...
O terço já não me chega
Mesmo que com ele rezasse...
Resta-me o guarda chuva
Que me servirá de vela
E o barquito de papel
Talvez reciclado...
Para de novo me lançar
Por esse mar adentro
Em águas já mais calmas
Até onde o vento me levar...

texto de impulsos ( do blog Impulsos da Alma)

...mais um belíssimo poema que nos foi deixado pela impulsos, para texto do post IMAGEM PROCURA TEXTO. Entre fios antagónicos da doçura e da raiva, se batem as palavras numa ritmada e cativante dança de significados. Obrigado, querida amiga de há algum tempo nestas andanças virtuais.
Onde vamos buscar as nossas forças "extra"?!
Álbum aconselhado: "My Blueberry Nights - Soundtrack" ( e já agora, o filme também vale muito a pena!)

segunda-feira, 3 de março de 2008

No quadro imaginário da vida,
Os oceanos invadem o teu mundo,
Transfiguram o cheiro da terra molhada
Num aroma a sangue,

Em que navega o barco da felicidade
Nas linhas cruzadas da magia.

poema por Taliesin

Continuando com os textos gentilmente doados por todos vocês à IMAGEM PROCURA TEXTO, ficamos, agora, com o simples, poderoso e bonito poema do Taliesin, onde as suas palavras vão de encontro ao que a imagem lhe quis dizer. Muito obrigado.
Com que linhas nos "cosemos" no mundo da magia?!
Álbum aconselhado: M83 "Digital Shades"