Tinha nas mãos os teus braços estendidos, sem perceber porque ficaste assim ali…impávido e sereno, com a morte como peso das tuas costas; com cada palavra que não disseste como prego arrependido, segurando-te à eternidade.Caía suavemente dentro de mim o teu amor…um manto escuro por detrás da realidade que assomava à janela da inconsciência. Gota a gota, coração sangrando do sacrifício, soando as últimas palavras como sendo sempre as primeiras que eu esperava. A redenção do passado e a justificação da vida em frente.
Guarda a minha alma, material perene, dentro da tua…e quando ficares na cruz que seja a minha a ficar no teu lugar. Restando ao sabor do Tempo, lambida pela chuva, devorada pelo sol, acesa pelo ódio dos Homens, desgastada pelas suas mentiras e devassada em cada pretensa oração. Deixa-me ficar ali sozinha, mais só do que vou ficando, perante a incredulidade dos outros, que todos os dias fabricam os pregos que Te prendem a essa cruz. Pede a devolução da tua vida para outra vida melhor. Melhor do aquela que invadimos na privacidade das páginas sagradas escritas pelo Homem; aquele que foi dizendo que escutava sempre a voz do Teu pai, enquanto se esquecia de ouvir a própria voz dos seus semelhantes.
Aceita a minha desconfiança como a única prova que Te reconheço mesmo assim…pois se não te desse o benefício da dúvida, não seria assaltada pela inquietação da tua existência. Perdoa qualquer coisa que eu não faça em Teu nome porque dizem que esse teu nome assim como do Teu pai não se conhecem e não podem ser soletrados. Não opero milagres nem pratico adivinhação. Não leio entrelinhas e sou cega a explicações. Não quero saber do próximo quando entre mim e ele não existe nada. Nascemos solitários e morremos da mesma forma, perante o circo desta vida, como consequência de um acto falhado de uma Eva perdida. Como se o primeiro erro humano fosse de uma mulher…sendo que o eterno erro humano é acreditar realmente nisso.
Como a maça, não deito fora o pecado, abro os portões do teu Éden e deixo todos entrar. Combato o teu egoísmo e nivelo todos por igual. A serpente fica à porta e não te deixa entrar para que não caias em tentação de nos expulsar. Não há anjos caídos porque voam todos por igual.E da costela do teu filho não nasce nada, nem homem nem mulher, a não ser a dor de pensar na sua solidão. Quem lhe molda o corpo, com mãos demiurgas e atentas, sabe tão bem como eu, que quem faz um faz o outro, mesmo que seja à sua imagem e semelhança.
Quando afasto a tua cruz do meu coração, em seu lugar, fica a sombra queimada na pele da tua existência. E continuam os teus braços nas minhas mãos e eu sem saber porque tinhas de ficar assim…sem mim…ou eu ali…ou outro…e não Tu…ou até porquê…se tudo o que fizeste ficou debaixo de tudo o que somos agora.Do mundo que temos lá fora.













monólogo...muito monólogo. Os professores falam para a parede...ou para uma cabeça vazia (parece-me mais este caso!). É de frisar que os professores 


