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domingo, 1 de junho de 2008

VIAGEM AO PASSADO - 1ª parte

Demos férias à rotina e fomos em perseguição das raízes do nosso passado. Perante as agruras e passagem do tempo, podemos ser as actuais testemunhas, predispostas a decifrar as mensagens destes monumentos de granito, que fazem dos primórdios da civilização.
Iniciamos a nossa visita histórica no concelho de Fornos de Algodres. Graças à excelente preservação, organização e sinalização destes monumentos, tanto por parte da câmara, quer por parte do GAFAL – Gabinete Arqueologia de Fornos de Algodres (um centro criado de forma a divulgar, preservar e desenvolver actividades no âmbito da riqueza arqueológica do concelho), foi-nos possível concretizar essa mesma visita, nas melhores condições. Ou seja, óptimos acessos aos monumentos; informação objectiva sobre o local e um bom estado de restauro.
Regressámos ao passado, mais precisamente ao 4º milénio A.C. (período Neolítico), ao entrarmos no Dólmen de Cortiçô, com a leitura das informações do GAFAL, apercebermo-nos de que esta anta foi reutilizada no 3º milénio A.C. (período Calcolítico).

Com idêntica informação arqueológica, conhecemos também a Anta da Matança, em que a únicas diferenças consistem na ausência de mamoa e a presença de ténues vestígios de gravuras.
A caminho de Figueiró da Granja, ainda no período Calcolítico, e sob uma chuva intensa de granizo, chegámos ao Castro de Santiago, que está localizado num Tor granítico no ponto mais elevado do cabeço (612 m), entre as aldeias de Vila Chã e da Muxagata. Apresenta grandes penedos com vestígios de troços de muralhas, que levam a concluir que a escolha deste local, cumpriu um objectivo de estratégia defensiva. Para além disso, podemos beneficiar de uma vista espectacular, que se entende até ao sopé da Serra de Estrela, na área de Gouveia.

“ Há sobre os grandes rochedos amplas cavidades ou caldeiras cavadas na pedra, que não têm nenhuma significação histórica, por isso que são de origem natural, produzidas pela acção das chuvas, a que se dá o nome de «marmitas de gigantes», ou «cavidades eólias». “ (in TERRAS DE ALGODRES, por Monsenhor José Pinheiro Marques, 1938)

O tempo transita do Calcolítico para a Idade do Bronze, tal e qual como nós transitamos para a Fraga da Pena, entre Queiriz e Sobral Pichorro. A uma altitude de 750 metros ergue-se um gigantesco Tor granítico, que para além de preocupação defensiva apresenta vestígios de ter sido “ um local especial onde ocorreriam actividades espaciais de carácter simbólico e sagrado. Mais do que uma área residencial, aquele espaço terá sido construído como cenário de praticas ritualizadas. A atracção que o Homem pré-histórico terá sentido pelo local, tal como hoje, terá tido tudo a haver com a imponente formação granítica que constitui, o maciço rochoso que surge aos nossos olhos como a Fraga. “ (in texto introdutório de António Carlos Valera, A LENDA DA FRAGA DA PENA , de Rosa Costa, 2008).
Atravessando um pequeno orifício entre os rochedos, embocamos num “terraço” que nos dá uma imponente vista sobre o vale da Muxagata até à Serra da Estrela. Assalta-nos uma sensação de grandiosidade que nos transforma nos pequenos seres estáticos e presos na fruição do momento…a imaginação alia-se ao peso do silêncio e a alma fica de boca aberta perante aquela magnificência. Só visto e sentido. Olhando para o lado, numa saliência do penedo deparamo-nos com uma curiosidade…ora vejam lá se a descobrem?!
Ao visitar o CIHAFACentro de Interpretação Histórica e Arqueológica de Fornos de Algodres, tivemos a oportunidade de obter informação sobre actividades no âmbito de jornadas arqueológicas, sendo que uma delas era a realização de uma peça de teatral, encenada na Fraga da Pena, aproveitando o momento do pôr de sol até ao anoitecer, quando se acendem as luzes dos archotes e das fogueiras, facilitando a entrada num mundo mágico e misterioso. E a lenda “ONDPEDRACOM” volta a viver… “nenhum ser vivo podia aproximar-se deste local sem receber o apelo divino sujeitando-se a ser comido pelas pedras”.
De novo a caminho… outros vestígios divinos (tidos como pagãos) são encontrados num resto de uma ara romana aproveitada para fazer parede, na Igreja Matriz de Infias. Esta laje era dedicada ao deus Mercúrio e, até há pouco tempo, estava escondida atrás de um vaso de flores de plástico, que se encontrava no exterior da dita igreja, daí serem poucos a darem por ela. Na fotografia podemos verificar que esta ara encontra-se bastante deteriorada pelo tempo cronológico e meteorológico mas encontra-se a seguinte inscrição:
DEO
MERCVRI
APONEVS
SOSVMVS
A(nimo).L(ibens).V(otum).S(olvit).
Fomos mais para baixo no Concelho de Fornos, em direcção a Vila Ruiva e aí procurámos a Capela do Anjo porque ao seu redor sabíamos da existência de uma necrópole medieval. É um conjunto de mais de duas dezenas de sepulturas escavadas na rocha, com características diversificadas. Supõe-se que terá tido origem no século IX, com vestígios de ocupação ainda nos séculos X e XI.
Porém, nem tudo nesta viagem foi ouro sobre azul. Mudando de concelho, mais propriamente no de Mangualde, dirigimo-nos à Cunha Baixa para visitarmos a respectiva Anta. O acesso a este monumento está bem indicado, contudo, o acesso pedonal fez-nos crer que éramos uns Indiana Jones em busca da sua anta perdida, visto que era um autêntico caminho de cabras, desmoronado, cheio de silvas, ervas altas e lama, com um portão de ferro fechado. Com estas dificuldades encontramos a dita anta. Já esteve em melhores condições de conservação. É um monumento megalítico com câmara e corredor, datado entre 3000 e 2500 a.C.. O regresso foi realizado através de um caminho por nós improvisado, entre vinhedo particular e depois pela mata…era preferível ao caminho “oficial”. Ainda dentro do concelho de Mangualde, fomos ao suposto Castro do Monte do Bom Sucesso, a cerca de 765 metros de altitude, na freguesia de Chãs de Tavares. Não se encontra qualquer tipo de informação sobre ser um castro. O que se consegue ver é um monte cheio de silvas e ervas altas (mais uma vez!), totalmente devotado ao abandono de qualquer género de conservação. Para além disso, a via romana que se sabe existir também está escondida algures no meio desta descuidada vegetação. É lamentável que tal suceda, visto que é um um local com uma vista assombrosa que se estende até à Serra da Estrela, partindo de um monte em cujo topo se encontra uma muralha circular, em que o centro é um vértice geodésico. No interior dessa muralha podemos encontrar pedras muito antigas (gravadas com figuras de vieiras e formas circulares), assinalando uma certa presença ritualística. Descemos desse topo através de uma ampla e antiga escadaria que nos conduz ao sopé onde foi erguida a capela da Nossa Senhora do Bom Sucesso. Desta vez, os sons da natureza foram substituídos, desagradavelmente, pelo ruído das duas pedreiras que circundam o Monte do Bom Sucesso. Tudo em nome de outras prioridades, pelos vistos. No concelho de Aguiar da Beira, em Carapito, fomos conhecer o respectivo dólmen. Ele estava lá, após um acesso complicado via automóvel e depois pedonal. Quando lá chegámos deparámo-nos com alguns esteios quebrados e caídos por terra. A vegetação circundante era praticamente da nossa altura. Mais uma aventura na Beira! Passando para o concelho vizinho, em Sátão, tentamos visitar a Anta de Casfreires. A indicação até um dado momento é relativamente fácil. Estacionamos o carro perto de uma placa que indica a dita, anta a aproximadamente 600m de distância dali. Confiantes na boa sinalização, iniciámos o percurso a pé, por entre uma paisagem multicolor e magnífica. Após uns vários 600 metros sem encontrar a dita anta, chegámos a um cruzamento onde não existe qualquer indicação quanto ao rumo a seguir. Ora visto que não temos nenhum perfil para peregrinos de Fátima em busca de miragens perdidas no tempo e no bom senso, resolvemos desistir a procura e voltámos, com muita pena, para trás.
É de louvar a iniciativa da Câmara Municipal de Fornos de Algodres, do GAFAL e do CIHAFA, em termos de acessos, preservação e divulgação dos nossos monumentos megalíticos, que não são só pedras; e gostaríamos de apontar o dedo aos restantes concelhos e respectivas câmaras municipais, no sentido de tomarem este exemplo e cuidarem melhor deste património nacional que é de todos.

“Mas proteger, salvaguardar e valorizar não basta. Antes de tudo o mais, há que não esquecer para quem este trabalho se destina. De uma maneira geral, para todos nós, mas de uma maneira muito mais concreta para as populações locais: para aqueles que vivem em torno desses vestígios que representam, em muitos casos, as suas origens. “ (texto introdutório de António Carlos Valera, IBIDEM).
Nota: Muitos dos vestígios históricos encontrados nos referidos monumentos podem ser vistos em exposição permanente no CIHAFA, situado no edifício do tribunal de Fornos de Algodres. É de salientar a extrema simpatia, atenção e partilha de informações que nos foram facultadas por parte da técnica que aí se encontrava (já agora, esperamos que já se encontre restabelecida!).
texto por taliesin e su

quinta-feira, 29 de maio de 2008

QUEM DÁ MAIS?!

MERCENÁRIAS DO CORPO VENDEM ALMA A PREÇO DE SUCATA!

Sugestão Musical - BAT FOR LASHES: "Fur and Gold"

quarta-feira, 21 de maio de 2008

DO OUTRO LADO DO ESPELHO...

Enquanto passavas por mim deixaste cair as memórias do teu bolso do casaco. Tentei entregar-tas, gritando o teu nome. Não o sabia. É certo. Apenas sabia que tinhas passado por mim e deixado um sinal de alerta. Consciente ou não desse gesto. Interpretei-o como um náufrago no deserto da cidade, que não sabe onde se encontra a verdadeira fonte. Todas as pessoas puxam e empurram, e todos os cantos são perfeitos para alguém se esconder. Quando sabe que o quer fazer.

Corri à tua procura mas também já tinhas abandonado o casaco a um canto qualquer. Vi-o num mendigo sorridente, e sem dentes, que mastigava uma prece qualquer. Colava lágrimas no forro do teu casaco para o caso de um dia voltar a precisar delas. Estariam ali. Não seriam como as pessoas que abandonam e são abandonadas a qualquer altura e em qualquer lugar.
Sem o corpo que te conheci não te identifiquei e eras igual a todos naquela imensa multidão…

...senti-me como um rio que finalmente chega ao mar com as mãos cheias de passado. Atrás de mim ficava a estrada que nunca pensara ter coragem para abandonar. Nem quis olhar para trás. Não saberia voltar. Agora que tinha saído de casa entrara no mundo. E ele era absoluto. Tudo o que eu queria e não queria.

Olhava os rostos que passavam por mim, acelerados e arrastados por coleiras invisíveis e que pareciam não ter fim. Corri um pouco mais do que elas para reconhecer aquela mão que as segurava. Um Kronos cansado olhou para mim e perguntou-me as horas. Sabia as de toda a gente menos aquelas que eram as dele. Tão pouco eu as sabia. Estava perdida mas achada entre cada um daqueles corpos que se aglomeravam na velocidade da vida. As ruas, com calçadas de medo e de esperança, tinham lábios meigos que sussurravam esperanças a quem parecia quase cair.

Onde andavas tu não o sabia…mas as minhas mãos ainda seguravam as tuas memórias, entre teias estendidas pelo céu ardente. Chegavam até mim como um pensamento constante e assim soube o que era ter um objectivo. Apenas mais um.
Corria mais um pouco e nem dei conta do coração a soltar-se na minha expiração. Balões quentes de corpo e de alma pairavam como sinais luminosos sobre mim. Cada passo que dava deixava o início do fim de mim mesma…mais um pouco à frente e o meu corpo terminava na minha sombra. Mais um pouco à frente, sim, e eu desaparecia. Para sempre.

Um dia destes vou devolver-te o teu passado que se fechará na porta do teu bolso enquanto eu retomarei, sossegadamente, o meu caminho de regresso, com peso a menos no meu coração. Um dia destes, encontrarei o teu casaco com o dono certo e com as lágrimas do vagabundo no teu olhar. Será apenas chuva para ele; será completamente a dor do teu passado a visitar-te.
Quis deitar fora as memórias e esquecer que te procurava para tas entregar. À minha frente crescia o mar de gente, que se dispersava acertadamente por portas e mais portas de obrigações, de compras e de vendas, de sorrisos e de apertos de mão, de comes e bebes, de médicos e cangalheiros…a vida e a morte partilhando o mesmo espaço. Parei apenas no meio de todas elas.

Desamarrotei o papel que as embrulhava e fiquei paralisada. Presa dentro de cada linha e de cada imagem que gritavam. Era eu e apenas eu quem ali estava; naquele monte de folhas recheadas de passado. O casaco que fora abandonado para não deixar qualquer sinal ou lembrança era apenas a minha alma…e o corpo que eu procurava era também apenas e somente o meu.
Dei a mão a mim mesma.

Chegara ao fim do mundo.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

PALAVRAS ASSOCIADAS

QUALIDADES: Dizem que sei "ouvir"...numa altura em que todos gostam de falar!
DEFEITOS: Sou humana e com "direito" a tudo o que isso implica. Ok... o que é que dá uma céptica cruzada com uma pessimista?!
GOSTOS: chocolate...aroma a terra molhada e a relva recém-cortada...folhas brancas por estrear (escrevendo ou desenhando)... motivos e cultura celta...arqueologia... um livro novo... descobrir música nova...incenso... fotografias...saltos altos e também ténis... rebuçados Bola de Neve!
NÃO PASSAREI: Falsos testemunhos.
DETESTO: A dor dos outros... ampliada em mim e a falta de tempo.
FAMÍLIA: Dizem que não se escolhe. É verdade! Mas é tudo, ao mesmo tempo.
HOMEM: Espada!
MULHERES: Cálice!
SORRISO: Reflexo essencial de um equilíbrio interior...mas algumas vezes, acaba por ser, também, uma máscara.
PERFUME: BLV, BVLGARI.
CARRO: Não ligo muito a carros. Mas gosto de Jeep`s, PickUp`s e alguns modelos grandes americanos...em suma, um bom todo terreno!
PAIXÃO: Aquelas que não passam... e transformam-se no sentimento que vem indicado já a seguir.
AMOR: De todos os tipos e por todas as pessoas que me dizem algo.
OLHOS: castanhos.
SAL: ...e piripiri e canela e açucar... gosto de "coisas" bem temperadas!
CHUVA: Não me incomoda realmente nada. Mesmo sem o guarda-chuva (que é sempre!).
MAR: Eternidade.
LIVRO: A Lei do Amor, de Laura Esquivel...fascinante, assombroso...encontro-me ali.
FILMES: Ando a pensar muito no A FONTE - Último Capítulo (argumento, interpretações, fotografia, música e temática em simbioses perfeitas!).
MÚSICAS: Adoro música...estou quase sempre com música ligada. Um grande tema:"Ariadne" dos Dead Can Dance.
DINHEIRO: Pode não trazer a felicidade, é certo...mas que dá jeito, dá! Se parte da minha felicidade passa por viajar (porque simplesmente ADORO!)...ele tem de existir, certo?!
SILÊNCIO: No momento certo...
SOLIDÃO: Houve uns tempos que trazia colada num caderno a seguinte frase:"Eu não tenho medo da morte mas sim da SOLIDÃO!" Ah pois é...
FLOR: a Bela Espanca! Pronto...Açucenas brancas.
SINCERIDADE: Agora, acima de tudo...doa a quem doer.
SONHOS: Um arco-íris deles... Um ano de vida na Nova Zelândia...
CIDADE: Adoro Guimarães. Parece uma cidade retirada de "casinhas de bonecas" (sei que a perspectiva é completamente ilógica...mas pronto...)...na realidade, gosto mais de aldeias...
PAÍS: Um dos últimos que visitei, de Norte a Sul e, depois, o inverso, foi Marrocos...tão especial e diferente...carismático e assustador...um dia quando conhecer imensos países diferentes hei-de chegar a alguma conclusão.
NUNCA DEIXAR DE...querer.Trouxe este desafio do blog da Teté. Passo-o a quem quiser levar daqui também...mas vou amigavelmente "provocar": a Tita; a Lenita; a Muguet; o Matchbox31; a Borboleta; a Tons de Azul e a Kátia.
Curiosa! Até às paredes o confesso!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A 13 DE MAIO...



in OS CONTEMPORÂNEOS (programa de 11 de Maio, canal da RTP1)

...diz-me onde te sentas...

Por mais que se mascare a vida
Entre lutas de pincéis e de palavras desenhadas
Entre a mistura de telas e de papéis encomendados
A linha fina do horizonte será sempre tanto o ponto de partida
Como o de chegada.
Pente fino das verdades e das consequências.
Depois de pesada a alma
Resta apenas o fantasma do corpo sentado perante a eternidade
Sem perdão.

terça-feira, 6 de maio de 2008

VOU SAIR

Saio de mim como quem tem um encontro. Visto a alma de roupa nova e lavada. Palavras perfumadas e delicadas. Olhos sorrindo para além da conta do dizível. Cabelo solto, apanhando as estrelas pelo caminho e à medida que a noite desce sobre mim. À luz alva da lua recolho os fragmentos que fui deixando de mim, lançados e abandonados durante o dia. Estilhaços quotidianos que usamos como armas ou como escudos. Conforme o corpo que tivermos pela frente. Junto esses bocados como peças de um puzzle infinito e insano. Espero que a lógica me venha buscar e me dê a dose certa de dedos e de mãos para os colar. Nos lugares certos e nos momentos correctos. É tudo a mesma coisa! Raio de mania de catalogar!
Estendo-me ao comprido sobre o texto formado e espalho, ainda, algumas letras soltas que se recusam em encaixar. Querem outros significados e outras páginas onde se deitar…ser da mesma pele quente, acariciada pelas mãos dos amantes que se tocam antes do sonho chegar. Cedo ao desejo e coloco-as nas suas vontades como se fosse assim desde o início dos tempos: dos delas e do meu. Eu que fujo do tempo como o diabo da cruz…é o que diz a sábia voz do povo. É o que diz a minha consciência.
Saio de mim apressada. Vida ao ombro, bem apertada. Não quero que ma levem assim sem mais nem menos. É só esta a que tenho: sou muito poupada.
Olho em frente, sempre em frente. Não interessa o que ficou para trás. Sigo sempre aquele sinal de luz verde que me avisa para ultrapassar o que não quero ao meu lado. Ainda não sei quem liga esses sinais, nos intermitentes reguladores dos nossos passos, em qualquer direcção. Ainda não descobri quem pinta as passadeiras que agora piso, sem pensar, como se fossem as frases certas sobre as linhas tortas.
Saio como muitos outros saem, e se cruzam à beira da extinção da solidão aparente. Abraçamo-nos a nós mesmos, cuidadosos para não sentir o peso leve da ausência e demoramo-nos no prazer do toque para compensar o pensamento mais célere sobre a verdade da situação.
Cá dentro parece que chove.
Abro o guarda-chuva e amparo as emoções. Escorrem delicadamente pelos cantos da minha alma, e com calma, enovelam-se na acção da minha existência. Sorrio. Facilmente assim sorrio.
Cheguei.
Chegámos.
A vida pode ser uma autêntica festa nesta sala comum que partilhamos.

Sugestão musical: ROYKSOPP com o álbum "Melody A.M."

segunda-feira, 5 de maio de 2008

MAGICAL PIECES: "Se eu tivesse..."

...uma vassoura voadora, não só voava por aí fora (quem é que não gosta de viajar?!), como também "limpava" alguns maus humores ao de cima.Mas, apesar de não ter uma vassoura destas, eu tenho outro objecto que considero mágico: a minha Nespresso! "What else?!" Sou totalmente viciada em café. Confesso! E desde que recebi a minha Nespresso, no dia 14 de Fevereiro, quase não bebo o café na rua. É delicioso e torna os momentos igualmente deliciosos e mágicos. Para além de ser um processo muito rápido e perfeito. É quase um ritual ou uma "religião"!(Nota: ninguém me paga para fazer publicidade!)


Trouxe esta ideia do "MAGICAL PIECES: Se eu tivesse..." do blog da Képia. Atenção que ela já escolheu o tapete voador!
E vocês, o que é que gostariam de ter?!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Sobre a AMIZADE...e muito mais!

Não quero fazer aqui um tratado sobre a AMIZADE. Muitos já o fizeram, ao longo dos tempos. E as palavras desses outros servem perfeitamente para a definir. Até um dicionário simples o faz. Com mais ou menos mérito poético também fica bem. Mas o que interessa aqui salvaguardar é que isto da AMIZADE seja sempre uma "coisa" que fique para o que der e vier, em qualquer momento, como se o Eu fosse o Outro e vice-versa. Importa SENTIR e MANIFESTAR. Aqui pela blogosfera vamos sentindo e vamos conhecendo, através de palavras, essencialmente, o que vai na alma uns dos outros. Os rostos e o comportamento que nos é característico no dia-a-dia fica atrás. Ficam para trás mas não deixam de ser nossos. São mais do que as "fases" que deixamos passar pelo virtual. Seja como for, saudavelmente (sabendo-o gerir!) acabamos por "conhecer" pessoas espectaculares e interessantes, às quais devotamos uma espécie de companheirismo, cumplicidade e amizade todos os dias. Algumas delas, acabamos por vir a conhecer pessoalmente, confirmando a riqueza, desde que levada pelo seu dito lado saudável, que há nas pessoas. Tenho uma série de prémios/ sêlos para distribuir, em atraso. Vou pegar neles, uns com regras e outros sem elas, e tentar fazer o meu melhor na distribuição.
Assim:
Recebi este conjunto de três (que também não vou separar!) da Liz. O seu blog - FALANDO DE TUDO, DA TELA, DO LAR - acaba por ser uma espécie de agenda, onde tudo é tratado e discutido, desde a situações sociais e políticas a questões realmente pessoais. Vou aconselhar um artigo do seu cantinho: "Post contra o Analfabetismo no Brasil!".
E vou passar este triplo prémio a quem merece um destaque pelas suas palavras de poder e de qualidade: à Paulinha (que tem um espírito crítico à flor da pele mas com uma poeticidade delicada ao mesmo tempo...nela encontra-se a intelectualidade de mãos dadas, de um modo tão harmonioso, à emoção); ao Bono_Poetry (que faz do seu cantinho mais um local acolhedor, onde cada post é um compartimento dedicado a uma emoção, a um estado, a um dito, a uma lenda ou conto, ou a um quadro...mas sempre com belas palavras a acompanhar); Ruela (traz a Arte dentro de si e deixa-nos adivinhá-la no seu fantástico blog, repleto de excêntrico magnetismo e de vibrante talento); o carteiro ( as suas cartas e envelopes são palavras delicadamente timbradas com fotos dos seus momentos, inteligentemente entrelaçadas com a emoção e a beleza que consegue captar das coisas mais simples da vida); un-dress (respira-se talento, brilhantismo, palavras e imagens que conciliam o bom gosto e a intenção da mensagem); o /t. (um blogger do Canadá que deriva do mais prosaico para o mais artístico, do simples ao mais complexo, mas sempre de um modo inteligente); a Papoila (do seu campo de palavras podemos trazer sempre poesia, prosa, sugestões literárias, carinho e aconchego!); a Ana Scorpio (talento gráfico, ideias espantosas e desenvoltura fabulosa na exposição das suas ideias e do seu humor!); o Oliver (um grande prosador, como o costumo apelidar...tem um talento que deve ser inato para as palavras...aliás...o Oliver deve ser a encarnação das palavras em corpo presente!); Zézinho Mota (outra alma de talento, com poemas verdadeiramente fantásticos e palavras certas nas alturas certas e para as pessoas certas!) e o Mixtu ( o grande Mixtu, sempre talentoso, brincando de um modo fabuloso com as suas memórias que mexem com aquelas que também são nossas!).
Da Mimo-te recebi, também, uns quantos prémios. O seu blog: MIMO-TE é um cantinho delicado cheio de emoção vibrando a cada palavra. Delicioso de se visitar. Aconselho a leitura de um post seu que gostei imenso...uma autêntica homenagem à MULHER: chama-se "SOU".Este é um prémio Iluminado para Blogs Iluminados. Penso que não está relacionado com a quantidade de luz que o blog irradia...que piada! É certo que determinados cantinhos parece que são tocados por uma luz deveras especial, que brilha para além das palavras. É o caso do Árabe (não saímos do seu cantinho da mesma forma como entramos...é um manancial incrível de lições e de belas palavras que nos alimentam a alma); a Borboleta (no seu Universo voamos para além do que ela nos dá, adivinhamos os contornos da sua alma e sentimos em cada palavra passes autênticos de magia); a Gerlane (que traz no seu Caleidoscópio a vibração das palavras de dentro de si para dentro de nós); a Serenidade (com passos doces e serenos mas fortes e permanentes, marcados pela intensidade das suas palavras); a Bia (que envia palavras como se fossem mensagens aladas e desenhadas no céu, autênticos poemas nos céus, possuidores de um brilho muito especial); Sandra Daniela (há muita magia e encanto nas suas simples e belas palavras, muita força para lá da aparente fragilidade); o Profeta (entre a intenção do dizer e o saber dizê-lo com poesia, vai uma distância ainda grande...este grande poeta assim cumpre, facilmente, essa distâcia), Som do Silêncio (das suas palavras deriva a própria música e a própria intenção primordial dos significados...tudo com muito bom gosto); o Efneto (sempre com uma palavra carinhosa para os outros, acompanhada de um belíssimo poema).
Ainda da Mimo-te recebi este sêlo que diz que o meu blog fala de Amor. Pois é...amor é realmente um tema universal. Mas,em específico, e com todo o amor e carinho, vou legá-lo apenas ao Taliesin. Para ti:
...mas a Mimo-te ainda me deixou outro prémio Com Amor e Falando de Amor...e este assim, já posso dar a outros blogueiros "amorosos" ou românticos, tal como: matchbox31 (eu sei que o teu blog é muito mais do que apenas romântico...mas não resisti a deixar este sêlo para ti também!); o Brain (um autêntico amante das palavras tão bem expressas no seu cantinho delicioso).
Agora tenho o prémio da Campanha da Amizade, que me veio atribuído pelo Bono_Poetry e pela Paulinha. Um prémio que é sempre muito especial, e no qual tenho de respeitar a regra e nomear mais sete blogs. Mas antes disso, deixem só lembrar que o Bono tem um esplêndido blog chamado: TEMPOCRONOMÉTRICO. Vou destacar, tal como tenho vindo a fazer com quem me tem atribuído os prémios e sêlos, um post em especial, que me tocou imenso: "...OLÁ PAI!!!". E do blog da Paulinha: QUEM SABE? E deste blog também vou aconselhar, para além de todas as outras leituras, um artigo em especial: "Dunas". E os nomeados são: Teté (uma das mais antigas companhias e amizades que a Teia tem, ainda antes dela ter o seu cantinho espectacular); Impulsos (outra das amizades mais antigas da Teia, inclusivé cheguei a conhecê-la assim de "relance" no lançamento de um livro de poesia de uma amiga em comum: a Mel); a Tita ou Carmen Zita, que agora tem um blog: O Quarto que Sente, mas que me acompanha desde os tempos da faculdade, numa amizade única, cúmplice e constante; a Mel (uma poetisa clássica e bela, uma amiga que conheci através das letras e através dos sentimentos, a Fada Lia que falava comigo, para além do pessoalmente); a Lenita ("Tenho a impressão que a conheço"...e não é que as coincidências andavam mesmo sempre à nossa volta?! Desde a estarmos lado a lado numa manifestação de 100 mil pessoas e não nos conhecermos, mas já falávamos via net, desde a termos frequentado os mesmos locais de mais novas e mais umas quantas coisas...uma pessoa linda, por dentro e por fora, cuja alma não tem nem valor nem idade capazes de serem definidos: simplesmente inefáveis!); a muguet (outra das novas amigas que traz tanto de bonito quanto de forte,dentro de uma pessoa humanamente especial e delicada, que diz que crescer ainda dói...mas dói mais se não acontecer o inverso) e a sétima pessoa escolhida é com uma tonalidade bem azulada e leve, simples e bonita...com uma brisa sempre de boa disposição e de amizade que também toca a escrita à antiga, com sêlos carimbados e tudo: a Tons de Azul.
Mas ainda há mais prémios de Amizade para distribuir. Este também vem da Mimo-te e vai seguir para: DarK-Me (do seu canto mais escuro brilha a intensidade da sua própria alma..é bem verdade!); Butterfly (como Fénix Renascida eleva-se das palavras antigas e volta sempre, imensa e poética); Nelinha (faz dos seus momentos experiências de partilha e de discussão que nos pode ser lembrar e relembrar de muita coisa e acabar por personalizar um pouco do que lemos); o Azer (que revela todo o seu talento e imaginação em palavras acompanhadas sempre por uma música feita por ele mesmo. Espectacular!); a Kátia (uma brisa de ar fresco, de palavras sempre amigas e interessadas, de uma companhia agradável mesmo que distante); GZ (traz um blog repleto de palavras lindas, imagens sempre de bom gosto a acompanhar as suas visitas); a Liz (que faz do seu cantinho um lar diferente no qual sabe receber muito bem cada um de nós!); képia (com um cantinho a transbordar, verdadeiramente, de talento e de originalidade...uma deliciosa companhia!).

E ainda mais da Mimo-te este prémio: ...que é para todos vocês levarem (todos mesmo!!), assim como este prémio florido que trouxe da Teté (do blog QUIPROQUO), que celebra a liberdade de expressão e das circulação das ideias aqui pela blogosfera. Da teté vou escolher o seguinte post que ela deixou no seu cantinho, hilariante e espectacular: "500 palavras de Non-Sense".

Este também é realmente para TODOS os que falam o que devem e não temem. É vosso!Muito obrigado a todos, e para vocês fica o meu carinho e AMIZADE.