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domingo, 15 de junho de 2008

78ª Feira do Livro de Lisboa...e Pão Doce!!

Ontem, eu e a Gracinda fomos visitar a 78ª Feira do Livro de Lisboa. Independentemente do triste espectáculo e pressões que o Grupo Leya originou no momento prévio à abertura desta feira, é sempre um momento de uma certa tradição que me leva à visita anual deste evento. Uma tarde bem passada, com as temperaturas a amenizarem-se gradualmente, um número razoável de visitantes que dava azo a que se "passeasse" por entre as "tendas" dos livros, de um modo tranquilo. Descobrimos alguns títulos novos, revistámos outros já conhecidos e ainda aproveitámos alguns preços do Livro do Dia. Encontrei o João, um amigo de faculdade que já não via há cerca de dez anos. Como ele diz:"Parar é morrer"! E agora está a tirar outro curso de História de Arte. Apertei a mão ao Gerónimo Stilton, que estava a dar uma espécie de autógrafos carimbados a quem comprava os livros desta série para crianças, e que está a ter um sucesso enorme. Até recebi um marcador e um balão, após ter estado numa micro fila, na qual uma menina pequenina perguntou a esta menina grande se também estava na fila! E nada como um delicioso momento de pausa, na relva verde e fresca onde, para além de nós, eram inúmeras as pessoas que se sentavam e apreciavam o agradável entardecer. Não descortinámos formas nas nuvens pois estas estavam um pouco "esfarrapadas", mas lanchámos um delicioso Pão Doce (já não comia há alguns anos!). E espreitem só o meu saco de compras:
* O Manual das Sociedades Secretas, de Michael Bradley, Edições Fubu;
* O Manuscrito Misterioso (1º volume), de Gerónimo Stilton, Editorial Presença;
* Barafunda Medieval (da colecção História Horrível), de Terry Deary, Publicações Europa-América;
* Os Terríveis Egípcios (colecção História Horrível), de Terry Deary, Publ. Europa-América;
* Os Miseráveis Romanos (colecção História Horrível), de Terry Deary, Publ. Europa-América;
* O Império Celta, de Peter Berresford Ellis, Zéfiro;
* Portugal - Terra de Mistérios, de Paulo Alexandre Loução, Ésquilo;
* Lugares Mágicos de Portugal e Espanha, de Paulo Alexandre Loução; Jesus Callejo e Tomás Martínez, Ésquilo.
* Revista Acrópole: Lugares Sagrados de Portugal e Espanha, número 1.
Muito para ler, preparar e trocar!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Segunda Imagem...

...e quando escuto deveras me perco nas florestas emaranhadas que habitam dentro de mim...o silêncio assalta as palavras, tomando-as como reféns da sua própria ilusão...e quando se caminha nesta floresta regressa-se sempre e apenas ao local de onde se partiu......a segunda imagem que resulta do desafio: VENHAM IMAGENS, e que aqui deixo, é da papoila. Poética, deslumbrante e avassaladora na sua beleza. Mais uma preciosidade em termos de imagem que aqui fica a dar o seu testemunho na Teia. Muito obrigado, querida Papoila!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Primeira Imagem...

Sou o sabor agridoce da vida que ingiro à medida das minhas necessidades.
Encontro-me em todas as tonalidades elípticas que derivam da fusão entre a chuva e o sol; entre a bonança e a tempestade…entre a lágrima e o sorriso.
E enquanto parece que perco palavras, na realidade estas germinam debaixo de todos os pensamentos possíveis.

photo by Floriana Barbu@

Esta é já uma das imagens que recebi em resposta ao desafio que lancei: "Venham Imagens", associadas a mim ou à Teia. Muito obrigado, grande amiga Gracinda. Achei-a muito integrada naquele mundo "meu" que tão bem conheces: as espirais, a reflexão, o estado líquido e a introspecção. É linda.

P.S.: Podem continuar a enviar mais imagens para o meu mail!

terça-feira, 10 de junho de 2008

100 POST "desta" Teia: final de ano lectivo!

Podia falar no dia de hoje: para alguns perdidos no tempo (e não adianto mais!), o “dia da raça”! Mas é perder tempo, quanto a mim. Vivemos, muitas vezes, de glórias passadas e de erros presentes (e aqui falo do actual governo que temos!). E como não me apetece falar de tristezas (basta ter olhos na cara e um pouco de bom senso, para percebermos o quão mal “isto” vai!), celebro o 10 de Junho com uma pseudo-despedida do ano escolar. Nesta escola as aulas já terminaram. Os alunos já andavam a ser “assaltados” pelo Verão há já algum tempo, e os cadernos, livros escolares, mochilas, toques de entrada (que os de saída são sempre os mais esperados por eles!), trabalhos e testes já não eram dos “melhores” companheiros. Ou os mais desejados.
É sempre em épocas de final de qualquer coisa que caímos neste estado de auto-avaliação, do nosso próprio trabalho e do nosso desempenho, até em termos afectivos, para com os nossos alunos. Aliado ao cansaço encontra-se, também, aquela saudade que entra de fininho, batendo à porta, não da sala de aulas, mas sim do coração. Ao longo do ano, nos intervalos, as conversas agradáveis com os meus alunos fazem nascer sorrisos e a plena sensação de que as coisas correram bem. Poderão sempre correr melhor. Haja um pouco de tudo e de todos.
Agora, a nós, espera-nos ponderações, avaliações e reuniões… Entretanto, nasceu o palavreando. É um blog que apresenta alguns trabalhos que eles foram realizando. Vai sendo completado aos poucos e poucos, não só com os trabalhos mas também com críticas musicais, cinematográficas, literárias, sugestões de livros…como lhes disse, é deles. Que o cultivem e desenvolvam ao gosto. Estão lá textos bem engraçados. Façam uma visita aqui: PALAVREANDO.
Não querida deixar de fazer menção a alguns outros pequenos grandes tesouros que também recebi deles. Este desenho “emo” da Maria (8ºA) para esta professora que aqui escreve na Teia, há já algum tempo:

Um poema escrito pela Tânia (do 7ºD), que partilhou comigo: “Porque temos de fazer
Os possíveis e os impossíveis,
Para ter tudo o que queremos.
Porque a vida é injusta
Para uns,
E justa para outros...
Porque há coisas que podemos fazer,
E outras não!
Porque será que queremos
Sempre o que não temos?
Será por inveja,
Ou por não gostarmos da nossa vida?
Perguntas que fazemos,
Sem, se calhar, nunca ter resposta...
Porque há coisas nesta vida,
Que não precisam de ter respostas.
Precisam sim, de não fazer perguntas,
A algo que nunca conseguiremos
Responder...”
Ou outro poema escrito pelo Bruno Oliveira, do 8ºB (que também é um actor na Academia!): Naquele dia
Por ti estava a esperar
Esperei tudo o que pude
Ate o meu limite ultrapassar

Mesmo assim
Devagarinho caminhava
A todo o passo que dava
Outro passo por ti esperava

Quando cheguei ao fim
Sentia que a esperança se esgotou
Mas de um momento para o outro
Tudo se iluminou

Sentia-me infeliz
Ate que a tua alma me chamou
Um salto eu dei
Caminhei para onde tudo se combinou

Quando chegaste
Apesar do dia estar a morrer
Para mim eras uma fonte de luz
Luz que me estava a aquecer

Quando não estavas
Tanto te queria falar
Quando não vieste sozinha
De nada me conseguia lembrar

Passei a tarde a ouvir
E para ti a olhar
Não falava muito
Só contigo queria estar

Quando ouvia
Também passava o tempo a pensar
Quantas razões tinha
Tinha para me afastar

Já estou a conta-las
8 já lá vão
São 8 razões
Que me impedem de abrir o coração

Quando me fui embora
No meio desta confusão
Passei de um momento feliz
Para o momento de solidão”



Obrigado! Tudo de bom para vocês neste vosso largo caminho…como costumo dizer:

É sempre em frente!

sábado, 7 de junho de 2008

DESAFIO: venha uma imagem!

…sou aquela por detrás do espelho que te diz que és tu quem estás por detrás dele duvidando da imagem que pesa mais do que o instinto e a razão lado a lado como pesos-pluma em ponto de equilíbrio na prova de que sou eu quem está por detrás do espelho afinal sem qualquer tipo de misticismo ou devaneio incrédulo como prova de que me refugio da realidade…porque tudo é cruel doce e infinitamente real…...o tempo tem sido um cruel adversário em termos destas questões da blogosfera e de colocar post´s e visitar os amigos dos outros blogs, mas hei-de pôr tudo em dia! Este é um desafio que recebi da képia há já algum tempito, o qual vou deixar aberto a todos, e que consta do seguinte: a partir de agora estão solicitados para me enviarem uma ou mais imagens que vocês associem, de algum modo, a mim ou à Teia. O meu mail espera pelas vossas associações, para depois, publicar: susana.julio@gmail.com

domingo, 1 de junho de 2008

VIAGEM AO PASSADO - 1ª parte

Demos férias à rotina e fomos em perseguição das raízes do nosso passado. Perante as agruras e passagem do tempo, podemos ser as actuais testemunhas, predispostas a decifrar as mensagens destes monumentos de granito, que fazem dos primórdios da civilização.
Iniciamos a nossa visita histórica no concelho de Fornos de Algodres. Graças à excelente preservação, organização e sinalização destes monumentos, tanto por parte da câmara, quer por parte do GAFAL – Gabinete Arqueologia de Fornos de Algodres (um centro criado de forma a divulgar, preservar e desenvolver actividades no âmbito da riqueza arqueológica do concelho), foi-nos possível concretizar essa mesma visita, nas melhores condições. Ou seja, óptimos acessos aos monumentos; informação objectiva sobre o local e um bom estado de restauro.
Regressámos ao passado, mais precisamente ao 4º milénio A.C. (período Neolítico), ao entrarmos no Dólmen de Cortiçô, com a leitura das informações do GAFAL, apercebermo-nos de que esta anta foi reutilizada no 3º milénio A.C. (período Calcolítico).

Com idêntica informação arqueológica, conhecemos também a Anta da Matança, em que a únicas diferenças consistem na ausência de mamoa e a presença de ténues vestígios de gravuras.
A caminho de Figueiró da Granja, ainda no período Calcolítico, e sob uma chuva intensa de granizo, chegámos ao Castro de Santiago, que está localizado num Tor granítico no ponto mais elevado do cabeço (612 m), entre as aldeias de Vila Chã e da Muxagata. Apresenta grandes penedos com vestígios de troços de muralhas, que levam a concluir que a escolha deste local, cumpriu um objectivo de estratégia defensiva. Para além disso, podemos beneficiar de uma vista espectacular, que se entende até ao sopé da Serra de Estrela, na área de Gouveia.

“ Há sobre os grandes rochedos amplas cavidades ou caldeiras cavadas na pedra, que não têm nenhuma significação histórica, por isso que são de origem natural, produzidas pela acção das chuvas, a que se dá o nome de «marmitas de gigantes», ou «cavidades eólias». “ (in TERRAS DE ALGODRES, por Monsenhor José Pinheiro Marques, 1938)

O tempo transita do Calcolítico para a Idade do Bronze, tal e qual como nós transitamos para a Fraga da Pena, entre Queiriz e Sobral Pichorro. A uma altitude de 750 metros ergue-se um gigantesco Tor granítico, que para além de preocupação defensiva apresenta vestígios de ter sido “ um local especial onde ocorreriam actividades espaciais de carácter simbólico e sagrado. Mais do que uma área residencial, aquele espaço terá sido construído como cenário de praticas ritualizadas. A atracção que o Homem pré-histórico terá sentido pelo local, tal como hoje, terá tido tudo a haver com a imponente formação granítica que constitui, o maciço rochoso que surge aos nossos olhos como a Fraga. “ (in texto introdutório de António Carlos Valera, A LENDA DA FRAGA DA PENA , de Rosa Costa, 2008).
Atravessando um pequeno orifício entre os rochedos, embocamos num “terraço” que nos dá uma imponente vista sobre o vale da Muxagata até à Serra da Estrela. Assalta-nos uma sensação de grandiosidade que nos transforma nos pequenos seres estáticos e presos na fruição do momento…a imaginação alia-se ao peso do silêncio e a alma fica de boca aberta perante aquela magnificência. Só visto e sentido. Olhando para o lado, numa saliência do penedo deparamo-nos com uma curiosidade…ora vejam lá se a descobrem?!
Ao visitar o CIHAFACentro de Interpretação Histórica e Arqueológica de Fornos de Algodres, tivemos a oportunidade de obter informação sobre actividades no âmbito de jornadas arqueológicas, sendo que uma delas era a realização de uma peça de teatral, encenada na Fraga da Pena, aproveitando o momento do pôr de sol até ao anoitecer, quando se acendem as luzes dos archotes e das fogueiras, facilitando a entrada num mundo mágico e misterioso. E a lenda “ONDPEDRACOM” volta a viver… “nenhum ser vivo podia aproximar-se deste local sem receber o apelo divino sujeitando-se a ser comido pelas pedras”.
De novo a caminho… outros vestígios divinos (tidos como pagãos) são encontrados num resto de uma ara romana aproveitada para fazer parede, na Igreja Matriz de Infias. Esta laje era dedicada ao deus Mercúrio e, até há pouco tempo, estava escondida atrás de um vaso de flores de plástico, que se encontrava no exterior da dita igreja, daí serem poucos a darem por ela. Na fotografia podemos verificar que esta ara encontra-se bastante deteriorada pelo tempo cronológico e meteorológico mas encontra-se a seguinte inscrição:
DEO
MERCVRI
APONEVS
SOSVMVS
A(nimo).L(ibens).V(otum).S(olvit).
Fomos mais para baixo no Concelho de Fornos, em direcção a Vila Ruiva e aí procurámos a Capela do Anjo porque ao seu redor sabíamos da existência de uma necrópole medieval. É um conjunto de mais de duas dezenas de sepulturas escavadas na rocha, com características diversificadas. Supõe-se que terá tido origem no século IX, com vestígios de ocupação ainda nos séculos X e XI.
Porém, nem tudo nesta viagem foi ouro sobre azul. Mudando de concelho, mais propriamente no de Mangualde, dirigimo-nos à Cunha Baixa para visitarmos a respectiva Anta. O acesso a este monumento está bem indicado, contudo, o acesso pedonal fez-nos crer que éramos uns Indiana Jones em busca da sua anta perdida, visto que era um autêntico caminho de cabras, desmoronado, cheio de silvas, ervas altas e lama, com um portão de ferro fechado. Com estas dificuldades encontramos a dita anta. Já esteve em melhores condições de conservação. É um monumento megalítico com câmara e corredor, datado entre 3000 e 2500 a.C.. O regresso foi realizado através de um caminho por nós improvisado, entre vinhedo particular e depois pela mata…era preferível ao caminho “oficial”. Ainda dentro do concelho de Mangualde, fomos ao suposto Castro do Monte do Bom Sucesso, a cerca de 765 metros de altitude, na freguesia de Chãs de Tavares. Não se encontra qualquer tipo de informação sobre ser um castro. O que se consegue ver é um monte cheio de silvas e ervas altas (mais uma vez!), totalmente devotado ao abandono de qualquer género de conservação. Para além disso, a via romana que se sabe existir também está escondida algures no meio desta descuidada vegetação. É lamentável que tal suceda, visto que é um um local com uma vista assombrosa que se estende até à Serra da Estrela, partindo de um monte em cujo topo se encontra uma muralha circular, em que o centro é um vértice geodésico. No interior dessa muralha podemos encontrar pedras muito antigas (gravadas com figuras de vieiras e formas circulares), assinalando uma certa presença ritualística. Descemos desse topo através de uma ampla e antiga escadaria que nos conduz ao sopé onde foi erguida a capela da Nossa Senhora do Bom Sucesso. Desta vez, os sons da natureza foram substituídos, desagradavelmente, pelo ruído das duas pedreiras que circundam o Monte do Bom Sucesso. Tudo em nome de outras prioridades, pelos vistos. No concelho de Aguiar da Beira, em Carapito, fomos conhecer o respectivo dólmen. Ele estava lá, após um acesso complicado via automóvel e depois pedonal. Quando lá chegámos deparámo-nos com alguns esteios quebrados e caídos por terra. A vegetação circundante era praticamente da nossa altura. Mais uma aventura na Beira! Passando para o concelho vizinho, em Sátão, tentamos visitar a Anta de Casfreires. A indicação até um dado momento é relativamente fácil. Estacionamos o carro perto de uma placa que indica a dita, anta a aproximadamente 600m de distância dali. Confiantes na boa sinalização, iniciámos o percurso a pé, por entre uma paisagem multicolor e magnífica. Após uns vários 600 metros sem encontrar a dita anta, chegámos a um cruzamento onde não existe qualquer indicação quanto ao rumo a seguir. Ora visto que não temos nenhum perfil para peregrinos de Fátima em busca de miragens perdidas no tempo e no bom senso, resolvemos desistir a procura e voltámos, com muita pena, para trás.
É de louvar a iniciativa da Câmara Municipal de Fornos de Algodres, do GAFAL e do CIHAFA, em termos de acessos, preservação e divulgação dos nossos monumentos megalíticos, que não são só pedras; e gostaríamos de apontar o dedo aos restantes concelhos e respectivas câmaras municipais, no sentido de tomarem este exemplo e cuidarem melhor deste património nacional que é de todos.

“Mas proteger, salvaguardar e valorizar não basta. Antes de tudo o mais, há que não esquecer para quem este trabalho se destina. De uma maneira geral, para todos nós, mas de uma maneira muito mais concreta para as populações locais: para aqueles que vivem em torno desses vestígios que representam, em muitos casos, as suas origens. “ (texto introdutório de António Carlos Valera, IBIDEM).
Nota: Muitos dos vestígios históricos encontrados nos referidos monumentos podem ser vistos em exposição permanente no CIHAFA, situado no edifício do tribunal de Fornos de Algodres. É de salientar a extrema simpatia, atenção e partilha de informações que nos foram facultadas por parte da técnica que aí se encontrava (já agora, esperamos que já se encontre restabelecida!).
texto por taliesin e su

quinta-feira, 29 de maio de 2008

QUEM DÁ MAIS?!

MERCENÁRIAS DO CORPO VENDEM ALMA A PREÇO DE SUCATA!

Sugestão Musical - BAT FOR LASHES: "Fur and Gold"

quarta-feira, 21 de maio de 2008

DO OUTRO LADO DO ESPELHO...

Enquanto passavas por mim deixaste cair as memórias do teu bolso do casaco. Tentei entregar-tas, gritando o teu nome. Não o sabia. É certo. Apenas sabia que tinhas passado por mim e deixado um sinal de alerta. Consciente ou não desse gesto. Interpretei-o como um náufrago no deserto da cidade, que não sabe onde se encontra a verdadeira fonte. Todas as pessoas puxam e empurram, e todos os cantos são perfeitos para alguém se esconder. Quando sabe que o quer fazer.

Corri à tua procura mas também já tinhas abandonado o casaco a um canto qualquer. Vi-o num mendigo sorridente, e sem dentes, que mastigava uma prece qualquer. Colava lágrimas no forro do teu casaco para o caso de um dia voltar a precisar delas. Estariam ali. Não seriam como as pessoas que abandonam e são abandonadas a qualquer altura e em qualquer lugar.
Sem o corpo que te conheci não te identifiquei e eras igual a todos naquela imensa multidão…

...senti-me como um rio que finalmente chega ao mar com as mãos cheias de passado. Atrás de mim ficava a estrada que nunca pensara ter coragem para abandonar. Nem quis olhar para trás. Não saberia voltar. Agora que tinha saído de casa entrara no mundo. E ele era absoluto. Tudo o que eu queria e não queria.

Olhava os rostos que passavam por mim, acelerados e arrastados por coleiras invisíveis e que pareciam não ter fim. Corri um pouco mais do que elas para reconhecer aquela mão que as segurava. Um Kronos cansado olhou para mim e perguntou-me as horas. Sabia as de toda a gente menos aquelas que eram as dele. Tão pouco eu as sabia. Estava perdida mas achada entre cada um daqueles corpos que se aglomeravam na velocidade da vida. As ruas, com calçadas de medo e de esperança, tinham lábios meigos que sussurravam esperanças a quem parecia quase cair.

Onde andavas tu não o sabia…mas as minhas mãos ainda seguravam as tuas memórias, entre teias estendidas pelo céu ardente. Chegavam até mim como um pensamento constante e assim soube o que era ter um objectivo. Apenas mais um.
Corria mais um pouco e nem dei conta do coração a soltar-se na minha expiração. Balões quentes de corpo e de alma pairavam como sinais luminosos sobre mim. Cada passo que dava deixava o início do fim de mim mesma…mais um pouco à frente e o meu corpo terminava na minha sombra. Mais um pouco à frente, sim, e eu desaparecia. Para sempre.

Um dia destes vou devolver-te o teu passado que se fechará na porta do teu bolso enquanto eu retomarei, sossegadamente, o meu caminho de regresso, com peso a menos no meu coração. Um dia destes, encontrarei o teu casaco com o dono certo e com as lágrimas do vagabundo no teu olhar. Será apenas chuva para ele; será completamente a dor do teu passado a visitar-te.
Quis deitar fora as memórias e esquecer que te procurava para tas entregar. À minha frente crescia o mar de gente, que se dispersava acertadamente por portas e mais portas de obrigações, de compras e de vendas, de sorrisos e de apertos de mão, de comes e bebes, de médicos e cangalheiros…a vida e a morte partilhando o mesmo espaço. Parei apenas no meio de todas elas.

Desamarrotei o papel que as embrulhava e fiquei paralisada. Presa dentro de cada linha e de cada imagem que gritavam. Era eu e apenas eu quem ali estava; naquele monte de folhas recheadas de passado. O casaco que fora abandonado para não deixar qualquer sinal ou lembrança era apenas a minha alma…e o corpo que eu procurava era também apenas e somente o meu.
Dei a mão a mim mesma.

Chegara ao fim do mundo.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

PALAVRAS ASSOCIADAS

QUALIDADES: Dizem que sei "ouvir"...numa altura em que todos gostam de falar!
DEFEITOS: Sou humana e com "direito" a tudo o que isso implica. Ok... o que é que dá uma céptica cruzada com uma pessimista?!
GOSTOS: chocolate...aroma a terra molhada e a relva recém-cortada...folhas brancas por estrear (escrevendo ou desenhando)... motivos e cultura celta...arqueologia... um livro novo... descobrir música nova...incenso... fotografias...saltos altos e também ténis... rebuçados Bola de Neve!
NÃO PASSAREI: Falsos testemunhos.
DETESTO: A dor dos outros... ampliada em mim e a falta de tempo.
FAMÍLIA: Dizem que não se escolhe. É verdade! Mas é tudo, ao mesmo tempo.
HOMEM: Espada!
MULHERES: Cálice!
SORRISO: Reflexo essencial de um equilíbrio interior...mas algumas vezes, acaba por ser, também, uma máscara.
PERFUME: BLV, BVLGARI.
CARRO: Não ligo muito a carros. Mas gosto de Jeep`s, PickUp`s e alguns modelos grandes americanos...em suma, um bom todo terreno!
PAIXÃO: Aquelas que não passam... e transformam-se no sentimento que vem indicado já a seguir.
AMOR: De todos os tipos e por todas as pessoas que me dizem algo.
OLHOS: castanhos.
SAL: ...e piripiri e canela e açucar... gosto de "coisas" bem temperadas!
CHUVA: Não me incomoda realmente nada. Mesmo sem o guarda-chuva (que é sempre!).
MAR: Eternidade.
LIVRO: A Lei do Amor, de Laura Esquivel...fascinante, assombroso...encontro-me ali.
FILMES: Ando a pensar muito no A FONTE - Último Capítulo (argumento, interpretações, fotografia, música e temática em simbioses perfeitas!).
MÚSICAS: Adoro música...estou quase sempre com música ligada. Um grande tema:"Ariadne" dos Dead Can Dance.
DINHEIRO: Pode não trazer a felicidade, é certo...mas que dá jeito, dá! Se parte da minha felicidade passa por viajar (porque simplesmente ADORO!)...ele tem de existir, certo?!
SILÊNCIO: No momento certo...
SOLIDÃO: Houve uns tempos que trazia colada num caderno a seguinte frase:"Eu não tenho medo da morte mas sim da SOLIDÃO!" Ah pois é...
FLOR: a Bela Espanca! Pronto...Açucenas brancas.
SINCERIDADE: Agora, acima de tudo...doa a quem doer.
SONHOS: Um arco-íris deles... Um ano de vida na Nova Zelândia...
CIDADE: Adoro Guimarães. Parece uma cidade retirada de "casinhas de bonecas" (sei que a perspectiva é completamente ilógica...mas pronto...)...na realidade, gosto mais de aldeias...
PAÍS: Um dos últimos que visitei, de Norte a Sul e, depois, o inverso, foi Marrocos...tão especial e diferente...carismático e assustador...um dia quando conhecer imensos países diferentes hei-de chegar a alguma conclusão.
NUNCA DEIXAR DE...querer.Trouxe este desafio do blog da Teté. Passo-o a quem quiser levar daqui também...mas vou amigavelmente "provocar": a Tita; a Lenita; a Muguet; o Matchbox31; a Borboleta; a Tons de Azul e a Kátia.
Curiosa! Até às paredes o confesso!