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segunda-feira, 7 de julho de 2008

"MY NAME IS ON THE MOON"!!

Ao longo dos tempos, a Lua assumiu diversos papéis para além daquele que actualmente retemos enquanto satélite natural do planeta Terra. Conforme os mitos, pode representar o papel de mulher, de filha ou de irmã do Sol. Por exemplo, no Egipto a Lua era Ísis, a Mãe da Terra, desempenhando diversas funções mágicas como transformar o metal em ouro, despertar os mortos, proteger as crianças, o parto e a agricultura, para além de ser a mãe conselheira e guardiã dos deuses. Na Grécia, a Lua era Selene, a amante de Pã. Mais tarde, foi substituída por Diana, que protegia o nascimento. Também surge noutros mitos como Hécate, a terrível feiticeira que dominava todos os encantamentos e magias. Também é Proserpina, ou Perséfone, a Rainha dos Infernos e do mundo dos mortos, ao lado de Plutão ou Hades.
Seja como for, penso que seja indiscutível a sua beleza nas suas diferentes fases quando brilha, por contraste, no escuro aveludado da noite. É sempre um ponto de referência que procuro nos céus ou até mesmo no mundo interior e da magia, enquanto uma espécie de metáfora encantatória.
E quem anda sempre com a "cabeça na lua" que fique a saber que está a ser preparado um projecto que tem como principal função voltar a explorar as condições da Lua, de modo a viabilizar a existência dos humanos neste mesmo satélite lá para 2020, mais coisa menos coisa. Está a ser realizada uma campanha para sensibilização das pessoas quanto a este projecto, chamada: "SEND YOUR NAME TO THE MOON". Eu já enviei o meu nome para lá, tal e qual "message in the bottle" para a posteridade. Até 25 de Julho (como fui recordada, através da visita a um blog de um "velho" amigo: valpassos em volta), enviem o vosso nome para a Lua, submetendo-o na Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), e obtenham o vosso certificado de aventureiros neste novo passo da história da humanidade.

domingo, 6 de julho de 2008

CRUSH




Por que haveria de o fazer se não o quero?







Por que haveria de o fazer se não o quero?

Enquanto desço as escadas até ao fundo desta ou daquela alma perco o pseudo sapato de cinderela anos atrás. Não é um rasto. É uma pista para saber o que devo encontrar quando volver a memória. Há coisas que se perdem obstinadamente na nossa mente enquanto colocamos mais uma gaveta no armário feito de recordações. As portas que se fecham precisam de ser derrubadas. Não há qualquer género de chave nem de piedade. Não há remorso ou atenção.

Somos feitos de dobradiças e de interesses. Depois do pecado original aperfeiçoamos a imperfeição aos olhos da humanidade e trocamos o coração pela lisonja e pelas falsas aparências...

FALSAS APARÊNCIAS
FALSAS APARÊNCIAS
FALSAS APARÊNCIAS
FALSAS APARÊNCIAS

E quando desço a armadura, que pareço não envergar, assumo toda a proporção de um corpo e de uma alma inteiros. Levo tudo à frente e sou eu quem derruba a porta, o corpo, a mente, a parede, o mundo inteiro que atravessa a minha estrada. Não há passadeiras seguras para quem o faz e eu engano os sinais que vos aparentam guiar. Troco segurança por caos e até podia nem dizer nada…

NeM DiGo

terça-feira, 1 de julho de 2008

CINEMA NA TEIA: "IN BRUGES"

Ficha técnica:
Título original: In Bruges
Realizador: Martin Mcdonagh
Intérpretes: Colin Farrel, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes, Clémence Póesy, (...)
Género: Acção/ Drama/ Comédia
EL/GB, 2008, Cores, 107 min.
Imaginem diálogos típicos à Tarantino com Bruges (a belíssima cidade medieval da Bélgica mais bem preservada) como pano de fundo…já está?! Agora, coloquem como emissores desses diálogos Colin Farrel (no filme é Ray, um irlandês extremamente directo nas suas observações) e Brendan Glesson (Ken, um britânico, extremamente ponderado), assim como Ralph Fiennes (Harry, o britânico fanático pela rigidez dos seus princípios).
Ray e Ken foram misteriosamente “enviados para Bruges por Harry (patrão de ambos), após a concretização de um assassinato que não correu muito bem a Ray. Supostamente, estão ali para desaparecer por uns tempos e para descontrair ao mesmo tempo.
No entanto, Ray detesta a cidade, enquanto Ken vai expandindo os seus interesses culturais e adoptando uma atitude mais calma perante a vida, talvez contagiado pela beleza e serenidade de Bruges. Estão nas vésperas de Natal e os diálogos intensos de ambos vão entrecruzando-se com a visita por Bruges, pelos locais de interesse turístico, as igrejas muito góticas, pelos passeios de gôndola nos seus canais e pela própria história da cidade. Discutem-se os temas opostos da vida e da morte, da validade de ambos como meios que justifiquem atingir determinados fins. Entretanto, a sombra do remorso visita-os, especialmente a Ray. E o argumento deste filme passa a ter contornos polvilhados de algum surrealismo: um anão que participa da filmagem de um filme de arte europeu; as imagens grotescas de alguns quadros que visitam em galerias e museus de arte; as prostitutas de Amesterdão, um ladrão disfarçado de namorado ciumento (que é o próprio realizador deste filme: Martin McDonagh) e um potencial romance entre Ray e Chloe (Clémence Póesy), que também carrega consigo alguns segredos intrigantes. O verdadeiro objectivo da presença de Ray e de Ken em Bruges é revelado e Harry chega à cidade para desencadear uma verdadeira luta entre a vida e a morte de uma série de personagens…tal e qual como se ele próprio fosse um anjo negro gótico. Nesta cena final, recria-se a situação de um dos quadros de Hieronymus Bosch: “O Julgamento Final”, em que o bem e o mal são distribuídos como os elementos certos pelas personagens, e a dor e o sofrimento são o “aqui e agora”, vivenciado por todos, num ambiente mágico e, mais uma vez, surrealista. Parte central do tríptico do Julgamento Final de Bosch

Um filme de acção e comédia negra, com uma realização que vai de encontro ao próprio local das filmagens: muitas das cenas foram transmitidas como se fossem quadros autenticamente vivos de pintores, acompanhando a vida cultural que se respira nesta cidade.
Foi um filme seleccionado e exibido na abertura oficial do Sundance Film Festival e está nomeado para alguns prémios a nível de trailer. Possivelmente só daqui a uns meses é que estreará em Portugal, mas vale a pena não esquecer este título...e quem sabe...visitar, também, Bruges?! Nós ficámos com vontade!
texto por su e taliesin

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Terceira e Quarta Imagens...

Há novelos de palavras que se respiram como labaredas consumidas pelo incenso imolado nas pregas do tempo. O passado espreita perigosamente sobre o ombro esquerdo enquanto deus conquista a mão direita. Entre as teias elípticas que lanço ao mar as pedras rolam com o peso das letras que se movem e que se juntam em babilónicas construções salgadas. Há quem diga que são lágrimas as contas do céu. Há quem as esconda numa gaveta escondida num canto qualquer do coração. Há quem as coleccione e ofereça ao diabo. Sacrifícios impunes levantam-se das sombras e circulam em redor da mente enquanto esta oscila entre a lucidez e a loucura.
E eu apenas espreito. Apenas aceito o que consigo entender.

Prato frio sobre a vida enquanto a morte se mascara de talher.
A escolha é o compasso lento que marca a respiração no relógio de parede e quando dá as horas certas eu ainda estou a olhar para os segundos imediatamente atrás, arrastada pelos passos cortantes da memória.
A espiral que se move entre o coração doTempo.

...inquietantes, para além de belas, estas imagens que me foram deixadas pela querida cleo (Impulsos da Alma), em forma de associação à Teia. Muito obrigado. Deixei as palavras nascerem à volta delas.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

VENENOS DE DEUS REMÉDIOS DO DIABO

"Em que preciso momento a pessoa adormece? Quando perde o mundo, tombada no fundo da alma? Quando apenas lhe sobra uma derradeira fresta de luz, ecos de vozes sopradas de tão longe que parecem rumores de anjos?"Desta vez, foi a apresentação do novo romance de Mia Couto "Venenos de Deus, Remédios do Diabo" (apresentação realizada por José Saramago), que nos levou de novo a Lisboa (a mim e à Gracinda), mais propriamente à nova livraria Byblos na zona das Amoreiras, na terça-feira (24 de Junho). Deixem-me dizer-vos que é uma espécie de super livraria que oferece diversos serviços, e com uma qualidade excepcional. Desde a área da Literatura em várias áreas, Infanto-Juvenil, BD - Merchandising, Quiosque (com mais de 2500 títulos de revistas), Música e Filmes, Videojogos, Cafetaria, Auditório e com muitas zonas agradáveis de leitura, espalhadas pelos dois pisos.
A apresentação foi realizada em directo para a RTP África, com a presença, na mesa dos oradores, de José Saramago, Mia Couto, o Embaixador de Moçambique e Severino Coelho (Editorial Caminho).
foto por Alex Gandum
Otis, saxofonista moçambicano, abriu caminho à palestra com a apresentação, ao vivo, de um dos seus temas do álbum "Otis in the House".
foto por Alex Gandum
A actriz Patrícia Abreu fez as honras da casa lendo admiravelmente excertos deste novo romance de Mia Couto. E Severino Coelho iniciou a apresentação do " lançamento do livro de Mia Couto com a prata da casa": José Saramago.
"Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 anos pensamos que mais ninguém tem ideias. Aos 40 anos achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 anos pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos."


Saramago contestou, de um modo muito prazenteiro, especialmente a última frase deste excerto. Aconselhou a que numa 2ªedição se corrigisse e escrevesse que "aos 80 se sonha quando se pensa." A propósito desta frase, falou do seu livro que está a escrever "A Viagem de um Elefante", e comparou a pessoa de 80 anos a um animal ao qual tentamos descortinar os seus sentimentos e as suas emoções. O escritor põe o animal a sentir e a pensar. E fazêmo-lo no sentido de o tornar uma personagem interessante, apesar de ser sempre um risco enveredar por este caminho. Acrescentou que "uma pessoa de 80 anos deveria ser deixada em paz, pois ainda tem muito que resolver no pouco tempo que lhe restará, sem ser analisado na lamela microscópica." Apresentou o universo das personagens deste novo romance e salientou que está a gostar muito do livro, que "está escrito numa prosa límpida, quase transparente". A dada altura, Saramago volta-se para Mia Couto e diz:" Meu caro Mia, eu acho que sim, que é um grande escritor. O Mia Couto é uma magnífica pessoa quanto um magnífico escritor."
Como nasce este livro?
Mia Couto refere que "tropeçou na idade, que foi assaltado pelo tempo" e que isso conduziu-o a escrever este livro. Teve de transformar este assunto não resolvido em história, sentindo que ao fazê-lo soltou amarras do seu estilo de escrita, como se estivesse a escrever pela primeira vez. Novamente, Saramago surge em espírito brincalhão de contradição, enquanto afirma que não acha que este seu novo romance fuja ao seu estilo. Quanto mais "uma tentativa de fazer outra coisa. Fez o mesmo contando outra história. Afinal, ele não pode, como quem não quer a coisa, renegar os vinte livros que escreveu até ao momento. Este livro poderia ser, no máximo, um atalho então. Tudo o mais serão sempre fantasias de escritores. Caprichos de escritores!"
Capricho ou fantasia, ainda bem que o soltou...Mia Couto conduz-nos de um modo completamente absorvente através da sua já conhecida prosa poética, e da neblina de Vila Cacimba, que atraiu, vindo de Portugal, o jovem médico Sidónio Rosa, em busca de Deolinda, uma mulata moçambicana, que conhecera num congresso médico em Lisboa, e por quem se apaixonou. Na sua terra natal, encontra os pais de Deolinda: Bartolomeu e Munda, e é lá que espera pacientemente pela sua amada. Deolinda está fora, realizando um estágio que se prolonga, cada vez mais em páginas de mistério, adensadas pelos diálogos filosóficos de Bartolomeu. Munda vive entre o amor e o ódio cegos.("- Continuam brigando?/ - Felizmente, sim. Já não temos outra coisa para fazer. Sabe o que penso, Doutor? A zanga é a nossa jura de amor.") A casa onde este casal mora é o centro voraz de um universo misterioso, de segredos e de mentiras, de amor e da morte, de penumbra, de anseios e de vozes do passado. E é o passado o maior paciente que Sidónio Rosa pode ter que tratar, através da estranha mensageira de vestido cinzento...aquela que quer semear as flores brancas por toda a Vila Cacimba: beijos-da-mulata, flores do esquecimento...
" - Cure-me de sonhar, Doutor.
- Sonhar é uma cura.
- Um sonhadeiro anda por aí, por lonjuras e aventuras, sei lá fazendo o quê e com quem... Não haverá um remédio que me anule o sonho? (...) Todos elogiam o sonho, que é o compensar da vida. mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos.
- Sonhar só o faz ficar mais vivo.
- Para quê? Estou cansado de estar vivo. Ficar vivo não é viver, Doutor."

sábado, 21 de junho de 2008

SOLSTÍCIO DE VERÃO...ou... LITHA

O Verão (Estio), oficialmente, chegou. Apesar das próprias estações do ano andarem um tanto ou quanto baralhadas e trocadas. Hoje é o dia mais longo do ano; logo, a noite mais curta; ou seja, é chegado "o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge o seu maior afastamento em latitude, da linha do equador" (in Wikipédia). Quem entende disto, diz que é nesta noite (Noite de Midsummer) que é propício estabelecer-se contacto com as fadas e os entes especiais, através de rituais realizados em círculos de pedra.
Mas é durante este dia que LITHA, uma festa celta, comemora e honra o elemento SOL como símbolo da VIDA.

A Deusa e o Deus encontram-se no esplendor da sua juventude e celebra-se o fervor da vida. Aliás, era considerado que este Deus atingia o ponto máximo do seu poder, apesar de, ao mesmo tempo começar o declínio do mesmo. De seguida, daria o seu último beijo à Deusa, sua amada, e partiria no Barco da Morte, em busca da Terra do Verão.

Nos tempos antigos, esta data era comemorada através de inúmeros jogos e festivais.

É tempo de assumir humildade suficiente perante o que fazemos na vida, de modo a não ficarmos cegos pelo aparente poder e perene sucesso. Porque tudo na vida é cíclico e faseado; dividido em altos e baixos, na plenitude e na Morte, na oposição conjugada da Vida.
Como os círculos de pedra não abundam nos nossos lares, podem ser realizados rituais com velas vermelhas, queimando-se flores vermelhas ou ervas solares (temos a Camomila, Sabugueiro, Lavanda, Artemísia, Pinho, Rosas, Verbena, Samambaia, Cravo, Margarida, Lírio e Hera). Acompanham-se estes rituais com frutas frescas e vinho doce. E que vos seja concedido a todos a coragem, a energia e a saúde.

Notícias actuais relacionadas com esta data:
* Verão: 30 mil pessoas celebraram solstício em Stonehenge ;
* Solstício de Verão: experiência milenar repetida em Estremoz.

O Ritmo Antigo
O ritmo antigo que há em pés descalços,
Esse ritmo das ninfas repetido,
Quando sob o arvoredo
Batem o som da dança,
Vós na alva praia relembrai, fazendo,
Que 'scura a 'spuma deixa; vós, infantes,
Que inda não tendes cura
De ter cura, responde
Ruidosa a roda, enquanto arqueia Apolo
Como um ramo alto, a curva azul que doura,
E a perene maré
Flui, enchente ou vazante.
Ricardo Reis

Sugestão musical: AFRO CELT SOUND SYSTEM - Vol. 3, Further in Time

quinta-feira, 19 de junho de 2008

4º tema do DESAFIO MUSICAL: Pilar Homem de Mello

Palavras e gritos de ordem. Contradições contra as regras e contra aqueles que dizem ser excepções. O fundo da alma tocando a consciência do que poderia ser uma depressão. Um curso desejado, depois de algumas indecisões entre História, Filosofia e Desenho…fiquei com as Letras. Entre o passado e o futuro, Lisboa acolhia-me de novo.
Os intervalos das aulas entre amigos de Filosofia, matraquilhos na Associação e pinturas de cartazes para as manifestações… muitas vezes, também em tempo de aulas tudo aquilo que referi.
Descobria o prazer das entrelinhas, o prazer das coisas simples (que entretanto esquecera com a ânsia de ser adulta), bebia das palavras dos poetas e dos filósofos como se estes fossem os grandes mestres da vida: Pessoa, Sá-Carneiro, Brandão e Pascoaes, Espanca e Meireles, Plath, Thoreau, Heidegger, Cocteau… Perdia-me entre a profundidade romântica de Friedriche e os traços oníricos de Dali, Klimt, Musante e de El Greco.
Na esplanada também se estava bem. O sol batia em cheio dentro de nós e as conversas pseudo-intelectuais vestiam-se de burburinho; a memória entrecruzava-se com o gosto de viver.A esperança incendiada dentro de “um copo sem fundo”, realmente…Na famosa manifestação dos estudantes contra as propinas (fazia parte da Comissão Anti-Propinas), nas escadas da Assembleia da República estávamos sentados de costas para a mesma, no cimo dos degraus, virados para a imponência de mil e tal estudantes unidos pelo mesmo grito. Só dei conta de cair pelas escadas abaixo, ser pisada; enquanto me levantava tudo parecia ser um trecho surrealista de um filme que não o meu, em câmara lenta…perdi os meus amigos de vista, gritos, choros., pessoas que corriam e caiam, e apanhei com o cabo de um bastão de um polícia da Força de Intervenção. Pelos vistos, agiram assim porque os estudantes iam invadir a Assembleia da República! De costas e sentados! Apanhei ainda mais, de cada vez que me tentava levantar. Saí na capa de uma revista do Jornal Público: em ponto grande a apanhar tareia da polícia! A minha mãe via nas notícias o que se estava a passar…não descansava...não sabia de mim…nessa altura não havia telemóveis para contactar com a família. Cheguei de rastos, dorida, magoada.
Apagava a raiva com a música. Fechava os olhos e curava as dores: as da alma e as do corpo.
A incredulidade nascia das cinzas e acordava no novo dia de uma nova sociedade para mim: a da mentira e corrupção política. Não chegava viver de idealismos. Os ideais magoavam. Os sentimentos magoavam. A confiança gorada magoava. Não se dava a volta ao medo…Recuperava músicas e músicos antigos: nacionais e internacionais. Sérgio Godinho, José Afonso, Mário Branco, Violent Femmes, The Pixies, Joy Division… e os clássicos Mozart (Requiem, vezes sem conta) Bach, Ravel, Debussy... A profusão de tonalidades adaptava-se às variações frequentes de estado de espírito. A Esfinge não teria maiores enigmas do que o meu próprio enigma na forma de viver e sentir a vida.
Saudades da criança que muitas vezes não fui.
Por isso, todos os dias era o “primeiro dia da minha vida”, em cada olhar, em cada palavra, em cada gesto, em cada passo, em cada noite que acabava, em cada descoberta nova, em cada desejo cumprido, em cada sonho nascido, em cada folha que caía do calendário da vida…o tempo daí até hoje… Ainda sobre o DESAFIO MUSICAL, o meu “TOP” está a ser:
Pink Floyd;
Mike Oldfield;
Depeche Mode,
Pilar Homem de Mello
Esta música foi escutada vezes sem conta. A letra cantada ainda sem mais conta…gosto mais deste resultado na voz de Pilar do que na original do Sérgio Godinho. É como que faz a junção de várias tendências e significados que grassavam na altura…mas ainda hoje me sabe tão bem voltar a escutar este tema.

...e ainda gosto de adormecer a ouvir música...

domingo, 15 de junho de 2008

78ª Feira do Livro de Lisboa...e Pão Doce!!

Ontem, eu e a Gracinda fomos visitar a 78ª Feira do Livro de Lisboa. Independentemente do triste espectáculo e pressões que o Grupo Leya originou no momento prévio à abertura desta feira, é sempre um momento de uma certa tradição que me leva à visita anual deste evento. Uma tarde bem passada, com as temperaturas a amenizarem-se gradualmente, um número razoável de visitantes que dava azo a que se "passeasse" por entre as "tendas" dos livros, de um modo tranquilo. Descobrimos alguns títulos novos, revistámos outros já conhecidos e ainda aproveitámos alguns preços do Livro do Dia. Encontrei o João, um amigo de faculdade que já não via há cerca de dez anos. Como ele diz:"Parar é morrer"! E agora está a tirar outro curso de História de Arte. Apertei a mão ao Gerónimo Stilton, que estava a dar uma espécie de autógrafos carimbados a quem comprava os livros desta série para crianças, e que está a ter um sucesso enorme. Até recebi um marcador e um balão, após ter estado numa micro fila, na qual uma menina pequenina perguntou a esta menina grande se também estava na fila! E nada como um delicioso momento de pausa, na relva verde e fresca onde, para além de nós, eram inúmeras as pessoas que se sentavam e apreciavam o agradável entardecer. Não descortinámos formas nas nuvens pois estas estavam um pouco "esfarrapadas", mas lanchámos um delicioso Pão Doce (já não comia há alguns anos!). E espreitem só o meu saco de compras:
* O Manual das Sociedades Secretas, de Michael Bradley, Edições Fubu;
* O Manuscrito Misterioso (1º volume), de Gerónimo Stilton, Editorial Presença;
* Barafunda Medieval (da colecção História Horrível), de Terry Deary, Publicações Europa-América;
* Os Terríveis Egípcios (colecção História Horrível), de Terry Deary, Publ. Europa-América;
* Os Miseráveis Romanos (colecção História Horrível), de Terry Deary, Publ. Europa-América;
* O Império Celta, de Peter Berresford Ellis, Zéfiro;
* Portugal - Terra de Mistérios, de Paulo Alexandre Loução, Ésquilo;
* Lugares Mágicos de Portugal e Espanha, de Paulo Alexandre Loução; Jesus Callejo e Tomás Martínez, Ésquilo.
* Revista Acrópole: Lugares Sagrados de Portugal e Espanha, número 1.
Muito para ler, preparar e trocar!