Estou a quase a chegar sem sequer ter partidoSeguindo o rasto dos espelhos partidos
Que vou colando no lugar do coração
Os dedos desenham linhas no sangue que resta
Mapas eternos em forma de espirais sedentas de vida
Quem se olha neles recebe a imagem fragmentada
De todas as vidas que já viveu
E esqueceu
Sou o reflexo, sou a labareda, sou a corrente
Que sigo como resposta a mim mesma
O grito vazio da fome desesperada de quem não encontra
O que nunca soube procurar
Os dias caem como frutos precoces de um tempo proibido
O mundo que os acolhe verga-se sob o peso disforme
Dos filhos que o rejeitam
Dos filhos que o exploram na sua nudez predatória
Dos filhos que se acercam como mais um pesadelo
De não se saber se se está vivo ou morto
Ao mistério profundo dos dias fora-da-lei
Estou a quase a chegar sem sequer ter partido


.jpg)


















