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quarta-feira, 18 de março de 2009

LUX LUCET IN TENEBRIS

(apenas uma árvore entre alguns dos cantos da Citânia Briteiros, Guimarães)

"Desde as origens que os homens se sentem confinados a um mundo no qual sofrem como exilados. Na sociedade moderna ocidental, onde predominam os valores de conforto material e vazio de horizonte ontológico, esse sentimento de exílio terrestre perdeu-se. Apoderou-se de nós um sentimento de ditosa atonia que nos dá uma sensação de vegetativa eternidade dentro da nossa própria finitude."

(in Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia, de Gilberto de Lascariz. Zéfiro.)Vim em resposta ao desafio de leitura proposto pelo matchbox32. Aqui fica um dos meus excertos preferidos, do livro que estou a ler...ou melhor, mais significativo. Tal como ele fez, passo este desafio para todos os que aqui vierem visitar a Teia. Peguem nos livros que estão a ler e transcrevam um dos vossos excertos preferidos.

terça-feira, 17 de março de 2009

para ti

da pedra talho a tua imagem
como texto eterno 100 mandamentos
e dos cacos da vida faço a única peça
digna do altar onde te deponho


não carrego nenhuma cruz
e os caminhos parecem-me de outros que não os meus
porque a luz da tua presença
recorta-me das difíceis profundezas da sombra


e os mistérios mais antigos
que fiquem sempre por dizer
porque quando te olho através da alma
sinto que tenho em mim todo o conhecimento da eternidade
...por tudo o que ÉS, pelo dia em que nasceste (mesmo sendo o de St. Patrick!) toda a FELICIDADE do mundo! FELIZ ANIVERSÁRIO Taliesin.

quinta-feira, 12 de março de 2009

TROCA MUSICAL

Nós emolduramos os sentimentos e o dia-a-dia com o peso das nossas palavras e deixamo-las por aqui e por aí, ao sabor dos olhos que as interpretam e as degustam… mas tantas e tantas vezes, ao sabor da banda sonora que lhes oferecemos. O “desafio” ou a “Troca de Páscoa" que eu sugiro aqui entre os fios desta Teia é uma TROCA MUSICAL. Nós já trocamos marcadores, com e sem regras. E recebemos belíssimas obras de arte (em forma e conteúdo) de uns e de outros, aqui no meio virtual. O que a Teia propõe, desta vez, é MÚSICA!
Assim sendo, vamos abrir um prazo de inscrições até dia 20 Março. Dia 21, a Teia encarrega-se do sorteio para agrupar o pessoal em pares (pares esses que irão fazer a troca). A troca terá de ser enviada até à altura da Páscoa, ou seja, antes do dia 9 de Abril. E o conteúdo da troca?
- um cd tipo compilação com temas musicais que, ou costumamos colocar nos nossos blogs, ou que gostaríamos de dar a conhecer à/ao parceira/o, ou simplesmente as nossas músicas preferidas;
- fazer a capa do cd, do mais simples ao criativo (fica ao critério de cada um!), com os nomes das músicas, e a assinatura do “DJ”;
- se quiserem, uns miminhos assim para doce (ou ao gosto de cada um): tipo amêndoas (que é a “fruta” da época), como forma de desejar Boa Páscoa!
As inscrições estão abertas…quem quer começar?!
Única semi-regra: levar o desafio para os seus blogs, com o respectivo selo designando a TROCA MUSICAL (primeira foto deste post)!

quarta-feira, 11 de março de 2009

"Mentiras para contar a turistas!"

"O Centro Comercial Colombo não é uma construção tão recente quanto parece. Na verdade, naquele espaço existiu uma grande prisão de Lisboa. Até final dos anos 70 era para ali que iam todos os detidos na Grande Lisboa. A prisão era do exacto tamanho do centro comercial, tanto assim que, no projecto de reconstrução, foi possível manter a estrutura original. Nada tema, caro turista, hoje em dia o espaço é muito agradável para fazer compras."

in revista TIME OUT - Lisboa, 11 de Março.

domingo, 1 de março de 2009

3º Dia de Fuga ao Carnaval!

Depois de mais uma noite bem dormida e de um acordar ainda melhor, à sonância de vários pássaros e a sentir os mornos raios de sol a entrar pela janela do quarto, muito cedo nos dirigimos em direcção á fronteira com a Galiza, pois este iria ser um dia muito agitado em termos de Quilómetros.
A primeira paragem foi em Arcos de Valdevez, que fica num vale atravessado pelo rio Vez e reúne as características da paisagem minhota: cenários verdejantes e um património arquitectónico onde sobressai a construção à base de pedra.

Subindo em direcção à fronteira parámos na cidade fortificada de Monção na margem do rio Minho, cenário de muitas batalhas entre os reinos de Portugal e de Castela.


Antes de entrar em território Galego ainda tivemos tempo para visitar alguns locais que antecipadamente planeamos. Embora ainda tivessemos perdido imenso tempo num engarrafamento “animal”, em direcção ao castro de São Caetano.

Tal como sucede nos demais povoados fortificados construídos durante a Idade do Ferro no Noroeste peninsular, o "Castro de São Caetano" ergue-se de forma destacada no cume de uma colina sobranceira ao rib.º de Silvas, no "Lugar de Outeiro", de onde se avista um largo tramo do rio Minho.

O local está muito pouco explorado, apenas com uma pequena área de escavação mesmo ao lado da capela de São Caetano.


Não muito longe deste castro podemos também visitar o castro da nossa Senhora da Assunção. No topo do Monte da Assunção o visitante pode apreciar a paisagem sobre o vale do rio Minho, a Norte, e do rio Mouro, a Este. Pode também observar outros castros como o da Sra. da Graça, Sra. da Vista e mesmo S. Caetano, que no seu conjunto controlavam o curso do Rio Minho e dos seus principais afluentes. É importante referir que neste local foi feito um hiato na viagem para almoçar…e que almoço com esta paisagem. Mais uma vez um local devotado ao abandono, com a vegetação a cobrir as ruínas e de novo outra igreja e cruzeiros a tentar “santificar” nesciamente um local de forte presença pagã.


Como ainda nos restava algum tempo, decidimos visitar a aldeia quase perdida na serra da Peneda, Castro Laboreiro, particularmente o seu castelo que foi mandado edificar por D. Dinis e infelizmente, arruinado e parcialmente desmontado no século XIX. Mas mesmo assim vale a pena a sua visita. Não podemos esquecer de mencionar o cheirinho a comida da boa que povoava a aldeia, em especial o pão de broa de milho a chamar a atenção.


Com o sol em direcção descendente fomos então ao território Galego. As coincidências que existem entre este território autónomo de Espanha e o Norte de Portugal, não nos surpreendem devido, essencialmente, às afinidades culturais e linguísticas. De facto não se verifica qualquer diferença, entre os tradicionalismos galaico e luso, sobretudo na zona minhota, que fazia parte da Galécia Romana. A direcção da viagem era o monumental Castro de San Cibrao De Las, em San Amaro, perto da cidade de Ourense.
Implatado num ligar dominante, este castro é representativo dos grandes povoados da ultima fase da cultura castreja. Foi iniciado a sua construção do primeiro sec. I A.C. e abandonado no sec II D.C. Nesta etapa alguns castros alcançaram um enorme desenvolvimento urbanístico com a chegado dos romanos, de tal modo que muitos eram uma espécie de cidade e de lugares centrais de um lugar amplo (qualidade de distrito).

Um desses lugares centrais era A Cidade de San Cibrao de Lás, conhecida nesse tempo como Lansbricae. Esta informação foi encontrada por arqueólogos numa ara romana e assim era conhecido o nome deste enorme assentamento. Existe também um outro pormenor curioso neste castro, segundo vários autores existe gravado numa pedra algures no castro uma inscrição clara e concisa: IOVI, que faz sem duvida referência ao Deus greco-romano Júpiter, quem se dedicou a construção deste monumento grandioso. Mas infelizmente a procura dessa tal inscrição não deu bons resultados…fica para uma próxima tentativa, e com o Sol a esconder-se por detrás da montanha, estava na hora de regressar a Portugal.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

2º dia de fuga ao CARNAVAL!

No segundo dia fomos até Santa Luzia, em Viana do Castelo…não pela igreja em si mas pelo que se esconde por “detrás” dela: a citânia de Santa Luzia. Existe um centro de interpretação para acolher os visitantes. Só parte desta citânia está escavada…mas a maior parte dela foi destruída para dar lugar à Igreja de Santa Luzia e a sua homónima pousada. Admite-se que esta citânia foi ocupada desde a Primeira Idade do Ferro, continuando habitada no período romano. Encontram-se ainda vestígios de lareiras e de alguns bebedouros juntos às poucas casas restauradas. O passeio pelo castro é feito através de uma passadeira metálica, que apesar de servir o propósito de ajudar na conservação do local arqueológico, retira a maior parte da beleza histórica do recinto. Mas nada a apontar aos outros visitantes desta citânia!
Partimos, de seguida para o próximo destino: Cividade de Âncora, no limite entre os concelhos de Viana do Castelo e Caminha. Há boas indicações até chegarmos ao Lugar da Laje, contudo no próprio sítio em si, o pouco que há é extremamente confuso e andámos às voltas sem conseguir localizar o sítio. Por sorte, lá encontramos a rua com o nome de cividade e começamos a subida ao monte. Também não foi fácil este caminho. E não falo só em questões de topografia. Não existem indicações e perante alguns cruzamentos deixávamos o instinto decidir por nós. É de referir que é uma caminhada feita por trilhos que nos conduzem a ambientes mágicos de fantasia e de pensamentos etéreos, contudo é de lamentar alguns locais extremamente sujos, nitidamente depósitos de lixo. Esta cividade encontra-se quase em estado virgem, em termos de escavações, completamente dominada pela vegetação e arvoredo circundante. Tem apenas uma casa de conselho e mais umas duas ou três casas, por entre os tramos das muralhas, assim como lajeados de granito e condutas de água. Encontrámos, também, a fonte de mergulho e o forno de cozer pão. Foi um local povoado desde os séculos VI/ VII a.c. até à fase inicial do período romano.
De volta à estrada, passando pelo rio Coura encontramos alguns pontos de paragem extremamente belos como este:
Chegámos, a seguir, ao Castro de Cossourado, no Forte da Cidade, freguesia do Cossourado (perto de Paredes de Coura). No topo do monte podemos observar duas reconstruções habitacionais (uma redonda e outra rectangular), e à sua volta as escavações organizadas de mais umas quantas casas de tamanho e planta irregulares. Também aqui encontramos uma Casa do Conselho, duas linhas defensivas e outra mais escondida a Oeste. A ocupação deste povoado terá ocorrido entre os séculos V e II a.c., não havendo vestígios de ocupação romana, a não ser, posteriormente, a construção de umas das principais vias romanas que ligava Bracara Augusta (Braga) a Lucus Augusti (Lugo), na base do Monte do Cossourado. Um local mais cuidado, em termos de apresentação, com bastantes placas informativas, e com nítidos vestígios de desflorestação de modo a dar mais visibilidade a este local. Ainda apanhamos umas pinhas para ajudar na nossa lareira quando chegássemos a casa! É que de dia está calor…mas a noite em Lugar da Prova (Arcos de Valdevez, mesmo em frente a Ponte da Barca) ainda é fria!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Primeiro dia de fuga ao Carnaval!

Carnaval fora, na Quinta da Prova (turismo rural)...recebidos com toda a simpatia do povo minhoto, aqui mesmo à beira da Ponte da Barca...e com um bolo típico, acabadinho de fazer simplesmente delicioso!
Este é o "nosso" cantinho temporário:
Neste primeiro dia, fomos visitar a Citânia de S. Julião, entre as freguesias de Coucieiro e S. Vicente da Ponte. Os inícios deste povoado datam de XI/ IX a.c. e apresentou ocupação romana. Terá sido uma capital de um povo cujo nome se desconhece. No derrube de uma das suas muralhas foi encontrada a estátua de um guerreiro galaico, de grande qualidade artística, com um saio profundamente decorado, bem como cinturão, apesar de não ter cabeça. No escudo apresenta a seguinte inscrição: MALCEINO DOVILONIS F(ilius). O promontório deste castro está dominado pela capela, que ocupa o lugar de destaque, sendo que o castro (a parte que se encontra escavada) encontra-se um pouco devotado ao abandono.
Em Póvoa do Lenhoso, fomos em busca desse resto de castelo, do qual a cidade se vale em termos turísticos, para o encontrar escondido por detrás da Igreja datada do século XVIII......ambos situados sobre um monólito deveras colossal (um dos maiores da Península Ibérica). Ficámos a saber que o castelo foi quase totalmente destruído para se construir esta igreja (século XVIII...outros valores mais alto se levantaram!). Restou, então, como dizíamos há pouco, uma torre de castelo, que para variar, recebeu-nos de porta fechada. O que restou também do castro podemos observá-lo na descida, num conjunto pequeno de casas circulares.
Saindo Da Póvoa do Lanhoso, ainda fomos visitar um lugar escondido que nos foi sugerido pelo livro "Lugares Mágicos de Portugal e Espanha", de Paulo Loção:
...perto do sítio Garfe ( e ainda bem que estamos na era do GPS), com a orientação amável de uma das habitantes dessa aldeia, fomos espreitar as "Pias dos Mouros". Através de um caminho de outras eras recortado de um autêntico conto de fadas......encontramos este vulto granítico que apresenta três pias, duas delas sempre cheias de água, seja no inverno ou no verão......considerado um local sagrado, de misteriosas potencialidades curativas.
Rumo à Citânia de Briteiros (Guimarães)...esse emblemático local...não nos cansamos de a visitar. Primeiro uma paragem na Casa de Chá que com a sua parede de vidro domina uma vista "magicamente" espectacular. Depois de um chá quente, iniciamos a visita (3€) com direito a mapa (ao qual juntamos a compra de um roteiro valiosíssimo, no valor de 2€) pelas ruas da Citânia. São profusas as quantidades de mós descobertas neste local. As ruínas foram descobertas pelo arqueólogo Martins Sarmento, em 1875. Esta povoação apresenta traços culturais celtas, dentro de um espaço de três muralhas, com dois metros de largura e cinco de altura. Apresentou uma influência romanizada evidente a partir do século I a.c., através das descobertas de moedas, inscrições latinas, fragmentos de cerãmica e de vidro. Assim como a actualização das casas circulares com uma planta rectangular. É uma citânia com duas amplas avenidas (acompanhadas de canais para conduzir a água)......uma delas conduzindo a um balneário onde se encontra uma das duas Pedras Formosas. A Casa do Conselho, com um banco interior corrido é outro dos pontos fortes.No alto apresenta duas casas reconstruídas, perto de uma necrópole já datada do período medieval. Esta citânia terá sido definitivamente abandonada no século III.
Um lugar intenso que nos faz recuar às nossas raízes mais ancestrais...mas que nem por isso nos tira a fome para irmos até Guimarães, comer umas deliciosas e famosas Tortas de Guimarães.

...e amanhã há mais!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ontem adormeci sobre uma almofada de pesadelos e quando acordei ainda estava sobre ela. De nada valeram as páginas agradáveis das vidas dos outros, em que tudo o que parece só acontecer a eles serve de lenitivo para as nossas próprias mágoas. Entre cada vírgula ou cada ponto final espreitava o caos do dia a seguir… e de mais outro, e mais outro e por aí fora. Ontem usei chapéu e gabardine enquanto caminhava sob uma intempérie de sobressaltos, pequenos tornados sísmicos que partiam de dentro de mim. Tempestades anatómicas de passos lentos ao mesmo tempo que o quotidiano assumia velocidades fora de série. Fiquei parada a meio da passadeira mesmo com o sinal vermelho para mim. Ontem enquanto acordava no início do dia morria um pouco mais relativamente ao amanhã. Parece que fazia sol lá fora e a pele que envergo arrepiava-se de deleite em choque com a tormenta nascida dentro de mim. Estava presa ao medo de saber que o Agora, de então, era o único momento que conhecia.Ontem vivi ao contrário deitando os ramos às raízes e fazendo nascer de mim os frutos debaixo de terra. Risquei o céu que me devorava em palavras com formas de grades e de chaves…sem fechaduras. A inutilidade de conhecer-se as soluções é a doença dos que não querem agir. E hoje, quando acordei, ainda estava plantada ali.

...elipse...