domingo, 21 de junho de 2009
TWO LOVERS
Ontem assistimos a um filme americano que não parecia americano. Se para alguns isto não é a melhor das introduções, ou apresentação deste filme, é melhor parar de ler o post por aqui!


Leonard, um rapaz que quer voltar a acreditar, furiosamente, no amor, e que ao depositar essa crença, algo obsessiva em Michelle, liberta o seu EU mais onírico, sonhador, um pouco adolescente.
Michelle é a vizinha que sofre de uma espécie de hiperactividade; mantém uma relação com um homem casado e procura em Leonard o irmão ou o confidente que não tem.
Sandra é o ponto de apoio ou refúgio de uma vida que poderá vir a ser perfeita ou estável para Leonard, e é apaixonada por este último. Ninguém morre de amor, no entanto, assistimos a "partos difíceis" no soberbo desempenho destes actores, enquanto entregam a sua alma ao desempenho dos seus papéis. E não podemos deixar de sentir a carga emocional que deriva de cada um deles, os conflitos que nascem e as esperanças que acompanham o espírito de sacrifício.

sábado, 20 de junho de 2009
marjolein
terça-feira, 16 de junho de 2009
UM CERTO UNIVERSO
Lembro-mevocê dizia:
"para ser feliz,
terá que comer em minhas mãos."
Então,
passei a comer
em seu prato
naquele sepulcro
dividimos as refeições
aproveitei os restos
repartir com os ratos
amanheci com um pires na mão...
Hoje,
morrer de fome é o bastante
para ser feliz
nas águas sagradas da solidão
onde mergulho de cara...
(ilustração de outro poema: "Síndromes")

sábado, 13 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
somos resistentes
Somos resistentes à passagem do TempoQue nos devora o pó das células à margem do erro da mutação
Somos resistentes às palavras
Que nos varrem, inconscientemente, para os quatro cantos do dia-a-dia
Somos resistentes à raça humana
Que nos mostra o que fomos e o que seremos dentro desta História
Somos resistentes na guerra
Que se acumula nas pregas da pele, do corpo e dos órgãos e que se veste de doença
Somos resistentes ao esquecimento
Que nos devora na tristeza encolhida de uma alma menor
Somos resistentes à dor
Que nos tempera as articulações da mente com lembretes de que sabemos sentir
Somos resistentes às lágrimas e aos risos
Que nos adormecem e nos acordam sucessivamente em doses certas
Somos resistentes à vida
Que nos lembra de todo o objectivo da nossa caminhada quando deixamos pegadas
Até somos resistentes à morte
Que nos assalta sem qualquer arma a não ser o seu nome próprio
E nós saímos da nossa sombra e dizemos que não temos medo.
Estamos prontos.

sexta-feira, 22 de maio de 2009
FORA DA PRATELEIRA: Orlando, de Virgínia Woolf
O nosso corpo é como uma cápsula que se adapta ao sabor do passar dos séculos, e a alma é como uma prisioneira céptica perante o senso comum que determina: tu és homem; tu és mulher.
A escrita intemporal, inebriante, fantástica e poética de Virginia Woolf faz-nos apaixonar pela misteriosa personagem de Orlando, que, num primeiro momento, surge como elemento masculino, em pleno século XVI, de uma classe social inglesa. Num segundo momento, Orlando transfigura-se e passa a ser mulher. Eis a fórmula da androgenia. As diferenças entre um homem e mulher são analisadas e vivenciadas ao máximo por Orlando, num único ser que sente ambas as experiências na pele, numa análise, por vezes distante de si mesma, que procura chegar à compreensão se estas diferenças resultam apenas do género ou da sociedade.
Esta personagem é sempre acompanhada pela angústia e pela solidão, pela incompreensão, pela inquietude reflexiva e poética perante as grandes questões sobre o Amor, a Vida e a Morte. E as suas dores e alegrias tornam-se facilmente nossas. Decorrem quatrocentos anos desde o transitar tranquilo do velho mundo para o mundo contemporâneo, e quando chegamos com Orlando a 1928...lamentamos ter chegado ao fim desta soberba narrativa.


domingo, 17 de maio de 2009
HOW I WISH...
Gostava de escrever coisas bonitas porque as "coisas" também se escrevem. Mas como sofro de inspiração ocasional, olho em redor e as palavras não me nascem puxadas ao lustro. O engraxador de palavras anda ausente...ou, então, bastante atarefado. Tentando dar brilho ao dia-a-dia que nos chega a casa tão rotulado, no telejornal da noite.
Gostava de ver o anti-telejornal, com a outra face da mesma moeda e saber que o mundo ainda sorri perante a humana presença nesta terra que herdamos todos os dias. Que nós, seus fiéis jardineiros, não deixávamos crescer as ervas daninhas das guerras e dos ódios, das ambições e dos loucos poderes; que cortávamos, pela raiz, as urtigas da fome e da pobreza e sarávamos todos os jardins das doenças e das misérias.
Gostava de ter, nas mãos, as sementes brilhantes do amor, que explodissem no húmus fértil de todos os corações por aí fora, em folhagens novas de actos humanos altruístas.
Gostava de não precisar ligar o televisor para procurar num anti-telejornal as notícias disso. E só porque eu gostava ( e realmente gostaria!) é que o escrevo aqui, em lugar de escrever as coisas verdadeiramente bonitas. Porque as sombras das intenções também podem ser contornadas a brilho.
sábado, 16 de maio de 2009
FORA DA PRATELEIRA: dois "gigantes" de Ken Follett
Desde há uns tempos atrás, andava intrigada e curiosa com os livros de Ken Follett...aqueles mais "virados" para a parte da história medieval. São dois os volumes que compõem Os Pilares da Terra, com a continuação de mais dois volumes intitulados Mundo sem Fim (que não têm de ser uma continuação obrigatória, visto que a acção destes últimos passa-se duzentos anos após os dois primeiros). 


Paralelamente às trajectórias de Caris, Merthin, Ralph e Gwenda, entramos na história da pequena, mas promissora, vila do interior da Inglaterra, onde a lei é determinada pela Igreja, que interfere em todas as actividades, não importando se elas tenham um carácter espiritual ou comercial. Tudo é supervisionado pelo padre prior nesta terra medieval, povoada por reis e cavaleiros, servos e senhores.
Ao longo da história, o escritor menciona antigos moradores, protagonistas de Os Pilares da Terra (primeiro volume).
Diz-se que Os Pilares da Terra vai ter adaptação para uma série de televisão pela produtora do director Ridley Scott (Gladiador), com previsão de estreia em 2009. Fico a aguardar que tal suceda e apareça por cá! :)

sexta-feira, 8 de maio de 2009
Låt den rätte komma in (Let The Right One In)
Antecipando a estreia prevista para Portugal no dia 21 de Maio, desde já aconselhamos estarem atentos a esta película, para os verdadeiros amantes de cinema.A excelente fotografia deixa-nos testemunhar um ambiente propício para uma história sobre vampirismo: o frio, a noite, gelo, espaços fechados e escuros, a própria geometria da construção nórdica transmite-nos um conceito de imagem absolutamente esmagador. O que há muito tempo não sentíamos ao observar um filme.

Esta é a história de Oskar, um rapaz de doze anos, que colecciona recortes sobre assassinatos e mortes misteriosas, como forma de vingança interior perante o facto de ser vítima de bullying na escola, e filho de pais separados que não lhe dão a devida atenção.
Este rapaz é atraído por uma rapariga, também com doze anos, que surge inesperadamente por diversas vezes, testemunhando as metamorfoses de solidão de Oskar. A amizade que surge entre ambos, rapidamente se transforma num amor inocente que ultrapassa a diferença de raças. Sim, porque Eli é mais do que uma simples rapariga, é uma vampira: com duzentos anos de idade, mas num corpo de menina.
Conforme o filme vai avançando é extremamente difícil não ficarmos deslumbrados com a beleza poética de muitas cenas que permanecem na nossa memória por muito tempo; podemos enumerá-las mas, de facto, é aconselhável verem pelos vossos próprios olhos.
Este filme é baseado num livro do escritor Sueco John Ajvide Lindqvist, sendo o realizador Tomas Alfredson, também da mesma nacionalidade, o que prova mais uma vez que o cinema Europeu bate aos pontos a falta de originalidade e talento do cinema Norte- Americano. Na calha, está uma versão americanizada deste filme, provavelmente, repleto de efeitos especiais em vez da poesia visual e narrativa desta película de origem Sueca.
Este é um filme a ver, principalmente a níveis estéticos.

