...e se é este o mundo em que vivemos sabemos que o empurramos com o sonho. Moldamos, com as palavras as suas mais agrestes arestas e deixamos um pouco do nosso próprio coração a bater no centro do mundo...e cada um que habitar nele, mais do que o calor do sol, sentirá a própria energia da vida fluindo como um líquido a mais para além do sangue...
Tita: grande amiga e minha madrinha, por duas vezes (em dois momentos bem especiais!)...tu trazes essa energia dentro de ti...contagiante. Parabéns. Tudo de bom em todos os passos que deres. Estarei sempre "por aqui" para to dizer!
Bolas de sabão coloridas pingam dos bigodes felinos enquanto de uma pata à outra corre a vida, em novelo delicado de lã...passo a passo, não gatinham, mas andam, de fio em fio, ou de ano em ano, redescobrindo-se o sabor verdadeiro da amizade...
Luísa: querida amiga e madrinha...desejo-te as maiores felicidades de todo o MUNDO...que este se desenrole aos teus pés, como um verdadeiro novelo de boas surpresas!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
... na busca do dia perfeito perdi um dia quase inteiro, que é como quem diz quem perde a vida à procura de outra coisa ainda...certo que seja a vida, em si, uma caminhada e uma busca, sem mapa nem bússola incluídos, mas mais certo ainda será chegar ao seu final sem saber se valeu a pena gastar tantos passos e tantas palavras, soltos na solidão dos papéis que nos exigem... neste momento, parei apenas por aqui...
Não deixem de prestar a devida atenção a este simples mas genial clip dos Coldplay!
...sei que às vezes começo as coisas cansada e sei que as coisas, muitas vezes, cansam...
...sinto que o dia mesmo que acabe dentro de nós, lá fora segue e soma, morre e nasce, todas as vezes que o Homem deixar...
...não sou uma criança nem um Deus Todo-Poderoso, mas cá dentro sou a Arquitecta Maior dos eternos castelos de areia que se desmancham em ondas de lágrimas...
...o coração é uma máquina solitária que muitas vezes bate por dois, em dois, sem dois...com dor, só dor, a sangue-frio...
... e a alma consome-se em lume brando, mexendo muito devagar para não agarrar ao fundo do corpo...
Tomem bem atenção a este clip dos Coldplay! Simples e genial!
Impregnando-se nas mágicas terras galegas iniciámos mais um dia a visitar o impressionante complexo Dunar de Corrubedo. Pela acção do vento, podemos visualizar uma grande duna móvel, com cerca de 1 km de longitude, 250m de largura e 15 m de altura. Esta, impulsionada pelo vento, avança para NE num movimento lento e constante. Não muito longe de Corrubedo, a paragem foi obrigatória no inefável Castro Barona.
Este local não é apenas um “santuário” para os amantes dos resquícios deixados pelos povos Celtas, mas também pela sua localização. Implantado numa ponta marítima, o castro possui um sistema defensivo natural, criando uma atmosfera indescritível. É fácil de entender que os habitantes deste castro se dedicavam à exploração dos recursos marinhos, sendo a sua datação do século IV a.C. – I d.c. É fácil de entender que os habitantes deste castro se dedicavam à exploração dos recursos marinhos, sendo a sua datação do século IV a.C. – I d.C. Mas o que nos mais impressiona é quando nos sentamos nas escarpas defensivas do castro a ouvir o som ecoar das ondas a bater nesta mulhara natural e a imaginar que temos o mundo aos nossos pés...uma visão inesquecível.
Partindo do castro Barona, seguimos rumo a Santiago de Compostela, um local que estava prometido há muito tempo para o pessoal. A primeira impressão é de uma cidade muito confusa com o trânsito, especialmente próximo do centro histórico, sendo a corrida aos parques de estacionamento subterrâneos uma loucura, muito parecido quando os “tugas” vão aos fim-de-semana aos centro comerciais, dar a volta “saloia”. Deixando este pequeno problema, dirigimo-nos para o centro histórico.
A sensação de percorrer as ruas de Santiago é de uma cidade muito agitada, com muito turista, e de facto é fácil rendermo-nos à beleza inicial da cidade. Santiago de Compostela é um local de peregrinação, foi e é cruzado por gente de várias proveniências, o que lhe deu o carácter cosmopolita que ainda hoje mantém. A importância que adquiriu noutras épocas foi muito bem preservada.
Recomenda-se visitar a praça do Obradoiro. Uma das mais bonitas do mundo. No centro uma concha marca o km 0 de todas as rotas jacobeias, local onde todos os peregrinos se juntam antes de visitar a catedral. A grande desilusão de Santiago foi no interior da catedral, não pela sua esmagadora beleza, mas pelo número de pessoas, e o ruído era tal, que mais parecia uma feira. Embora em pano de fundo se conseguisse ouvir uma voz gravada, que falava três línguas, a pedir silencio no interior da catedral, mas era escusado. Este é um sinal de como o turismo “selvagem”permite à igreja e à própria cidade angariar muito lucro, sobrepondo-se a um local sagrado.
Em Santiago se tiverem fome e não tiverem dinheiro no bolso, recomenda-se a rua de San Francisco. Desde o início ao fim da rua existem várias lojas que vendem e promovem artigos típicos da doçaria, queijaria e licores da Galiza, em especial a deliciosa tarte de Santiago. Na porta de cada loja é oferecido, em especial aos transeuntes, amostras dessa doçaria Galega. Depois de percorrer a rua, praticamente tínhamos jantado. Na cidade é importante referir a praça da Quintana que impressiona pelo espaço aberto e pela austeridade das paredes quase nuas dos edifícios que a compõem. Funciona como o pátio traseiro da imponente catedral e está dividida na Quintana dos Mortos, onde se encontra a Porta Santa e, em cima, a Quintana dos Vivos, com uma enorme escadaria que permite a realização de espectáculos ao ar livre.
Como a visita a Santiago de Compostela demora várias horas, este dia termina por aqui…mas é provável que uma nova visita se justifique para tentar percorrer a catedral com mais calma…e menos multidão.
No dia seguinte, decidimos acordar um pouco mais tarde visto que o percurso era curto. A direcção inicial foi o Lindoso, onde encontrámos delícias oferecidas pela natureza e moldadas gentilmente por fadas e duendes.
O destino neste dia era Castro Laboreiro mas decidimos penetrar um pouco na Galiza e visitar um antigo acampamento romano de Aquis Querquennis. Na antiguidade estava à beira da Via XVIII ou Via Nova entre Brácara (Braga) e Ásturica (Astorga). Possivelmente foi construído para a vigiar. Data-se entre o início da dinastia Flávia (69-96 d.C.) e o reinado de Antonino Pio (138-161 d.C.) A unidade que o ocupava era a “ Cohors I Gallica”, destacamento misto de infantaria a cavalaria. O elemento de principal interesse é que metade do ano este acampamento encontra -se debaixo de água, apenas é possível a sua visita nas alturas mais secas, devido à construção de uma barragem que criou uma albufeira, submergindo por completo o acampamento.
Chegados a Castro Laboreiro, iniciámos a preparação para uma subida ao castelo; sinceramente não é fácil, mas chegados ao topo, todo o esforço é recompensado pela magia do campo de visão e pelo próprio local.
Na descida, já na aldeia, ainda parámos na única pastelaria existente em Castro Laboreiro para recuperar as forças e, ao mesmo tempo, a contemplar um cartaz a anunciar o melhor bacalhau com broa do mundo à porta da estalagem, mas ainda não eram horas de jantar. Fica para a próxima.
Na volta, em direcção a casa, ainda parámos na nossa Senhora da Peneda e no núcleo de antas do Mezio. Um conjunto representativo das tumulações pré-históricas sob montículo artificial ou mamoa, no concelho de Arcos de Valdevez.
Existem determinados rituais que vamos descobrindo ao longo das nossas vidas, correspondentes a outras eras e a outros tempos. Numa altura em que o próprio Tempo parece correr vertiginosamente para um pós-modernismo “elevado a um extremo inefável”, em que o presente de hoje amanhã já é obsoleto, ainda encontramos reminiscências disfarçadas de mitos e de lendas, devido às suas estruturas não encaixarem com o pensamento contemporâneo. Obviamente, surgem revivalismos religiosos, estéticos e culturais a toda a hora, apenas como modas que voltam e que vão, ao sabor da vertigem consumista deste século. Finais dos tempos, dizem uns?! Cá para mim, é mais uma repetição dos tempos. Numa das nossas incursões pela bela Galiza, encontramos no Mosteiro de Santa Cristina de Ribas de Sil (Ourense) a árvore sagrada que ali serve de altar de devoção e de pedidos de inúmeros crentes. Esta árvore tem já um culto antigo, sendo bastante conhecida na região. Herança, talvez, dos habitantes celtas e dos seus sacerdotes, que adoravam as árvores e a natureza, restando como prova de uma não total conversão dos locais à cristianização. Para além disso, existe a crença de que quem entrar nos seus cascos e cavernas ocas acabará por ser curado dos males de que se padece. Por entre as ruínas do mosteiro beneditino (século IX) e igreja românica (século XII), e por entre a enorme extensão de centenários castanheiros, surge este outro castanheiro, com a forma bizarra e grotesca, parecendo encerrar uma caverna dentro de si mesmo, que podemos vislumbrar na parte detrás. Os seus ramos, vestidos ou despidos conforme a época, estão pejados de fotografias. Também de terços, colares, pulseiras, moedas coladas, cigarros, doces, imagens de santos e muitos papéis com pedidos escritos em diversas nacionalidades. Desde aquela estudante que queria ter boas notas num exame de faculdade a alguém que queria deixar de fumar; ou outra pessoa que tinha uma doença incurável e que estava em desespero de causa. O certo é que o santo em destaque na árvore (penso que fosse São Benito) tem muito para onde se virar. E como diz o velho ditado:”Em Roma, sê romano!”…nós não fugimos à regra e deixámos os nossos pedidos. Ali ficou ele, resguardado por algo que dizem que não é assim tão biodegradável. Neste caso, dá jeito. O Luís disse-nos que quer lá voltar daqui a vinte anos para ver se o papel ainda lá se encontra...e se os pedidos que fizemos a este Santo deram resultado! E o que é que se pode querer mais?!
O segundo dia rompeu claro, no entanto demasiado cedo para uns mais obstinados em abandonar o aconchego da cama. Entre actividades de higiene pessoal, mais ou menos longas, e outros afazeres, rematámos o pequeno-almoço com a especialidade de uma pastelaria local, a queijada de laranja, e partimos para terras galegas, em direcção ao Castro de San Cibran de Las, na província de Ourense.Este castro, de grande dimensão e ainda em fase de escavações, fica situado num monte ermo a partir do qual se pode contemplar o imenso quadro de colinas e vales que o circundam. Sob o sol quente do meio-dia, vagueámos no povoado, entre as três muralhas defensivas, em troços de ruas empedradas onde outrora circularam os seus habitantes.De San Cibran, seguimos para o Castro de Santomé, desta feita a escassos quilómetros da cidade de Ourense. Apesar da proximidade da civilização, este conjunto arqueológico de vestígios castrejos e romanos parece perdido no meio de um bosque silencioso e antigo. A sua localização e alguns pormenores da sua construção levaram-nos a classificá-lo como uma estância de férias para os mais abastados. Provavelmente com direito a banhos no recolhido riacho que ali passa.Depois de um almoço de sandes e sumos, porque o tempo e os meios eram parcos para grandes repastos, seguimos rumo à Ribeira Sacra, região que se estende ao longo dos vales dos rios Minho e Sil e assim designada devido ao elevado número de igrejas e mosteiros que aí se estabeleceram durante a Idade Média. Antes de desembocar no Minho, o rio Sil flui encaixado num profundo vale de enormes paredes graníticas, estabelecendo a fronteira entre as províncias de Lugo e Ourense. Segundo a lenda, esta fractura na rocha conhecida como Canón do Sil não é mais do que uma ferida provocada na Galiza pela deusa Juno quando o seu marido, Júpiter, se enamorou da terra galega.Uma vez noMirador de Cabezoase depois no miradorBalcones de Madrid, sustivemos a respiração perante a beleza deste cenário natural. Procurámos planos e perspectivas para a melhor foto; nenhuma fez justiça à sua monumentalidade.Entre o primeiro e o segundo mirador, visitámos o Mosteiro Santa Cristina de Ribas do Sil, ponto de paragem obrigatória na rota da Ribeira Sacra. O mosteiro, quase em ruínas, construído nas escarpas do Sil entre a densa vegetação de castanheiros e carvalhos, concede ao lugar uma atmosfera mística de encanto único. Há quem diga que as suas árvores centenárias semi-ocas têm a propriedade de curar certas maleitas se nos colocarmos no seu interior. Não falta mesmo a árvore dos milagres, repleta de pedidos e oferendas dos visitantes. O nosso também lá ficou, numa folha de papel A7. Não propriamente um pedido, mas um testumunho da nossa passagem por ali. Já no final da tarde, apressámo-nos para o município deCastro Caldelas. Não queríamos perder a visita ao castelo, uma fortaleza medieval construída sobre um castro celta. Das suas muralhas e torres contempla-se toda a vila, um vasto casario com bonitos telhados de ardósia.Deixámos o castelo e aproveitámos a esplanada de um café ali perto para um pequeno lanche. Uma empregada simpática serviu-nos, por conta da casa, quatro pedaços de um bolo típico da região, a bica amantecada. Agora sim, estávamos prontos para o regresso.
Não me lembro onde nem o que foi o nosso jantar neste dia. Não me lembro se foi nesta viagem de regresso a casa que enchemos a barriga com riso.
Uma pausa na Teia para uma chamada de atenção para o tráfico de sexo, envolvendo mulheres e crianças, em todo o mundo. A MTV Exit, a UNICEF e o grupo The Killers envolveram-se na realização do clip que aqui vos deixo, ao som do tema "Goodnight, travel well", do álbum "Day&Age", dos The Killers.
As estatísticas revelam a assombrosa realidade: todos os anos, mais de 1.2 milhões de crianças são traficadas, e 80% destes números são encaminhados para a exploração sexual, sendo que o grupo de maior risco pertence ao sexo feminino.
"We are deeply shocked and appalled that women and children are forced into such exploitative situations, said a spokesperson for The Killers. We hope that through MTV's efforts, and this powerful video, millions of people across the world learn about this tragic form of modern-day slavery."
Pois é. As férias, tal como todas as outras coisas que nos parecem boas, voaram num instante. Grupo de quatro (cinco, a contar com o Sky!), saída cedo da Margem Sul (vulgo "deserto", para alguns VIP´S!) e rumo ao norte, com direito a várias paragens.Primeira: Castro de S. Lourenço (na freguesia de Vila Chã, Esposende). No topo do monte de S. Lourenço beneficia-se de uma excelente vista sobre toda a orla costeira, onde desagua o Rio Cávado, desde a Apúlia, passando por Ofir, Esposende e no extremo Norte a Foz do Neiva. De facto, a beleza do local é extraodinária: o verde dos campos cultivados contrasta com o escuro do mar do Norte e as dunas de areia salpicadas de casas. Como já dissemos por diversas vezes, na Pré-História sabiam bem escolher os locais para morar! O castro é testemunha de um passado que remonta ao Calcolítico (III milénio a.c.), contudo evidencia a sua datação através de vestígios das casas circulares, e cerâmicas encontradas da Idade do Ferro (séc. V-IV a.C.). A presença romana é atestada pela presença de construções rectangulares, denários e de um altar dedicado a uma deusa.Algumas casas foram reconstruídas para dar uma imagem mais concreta (exterior e interior) do que teriam sido estes edifícios.O segundo "poiso" efectuou-se em Vila Nova da Cerveira, onde fizemos a subida ao monte para avistarmos outra belíssima paisagem, ao lado do símbolo deste local: o cervo.Ao fundo avistavamos no rio Minho, a Ilha dos Amores e do outro lado: Galiza.
Já nesse outro lado, fomos directos ao Castro de Santa Tegra.Mais uma paisagem avassaladora. Entre o artesanato a puxar para o etno-celta dos comerciantes galegos, percorremos a subida do monte de Santa Tegra, ao mesmo tempo que percorríamos a extensa paisagem deste castro: inúmeras escavações de casas, assim como de alguns penedos ainda com vestígios de petróglifos, subindo em direcção a uma vista entrecortada pelo Atlântico, o rio Minho desaguando no mesmo e do outro lado, desta vez, Portugal.Em termos de idade, este enorme castro revela uma ocupação que data do último terço do século I a C, com abandono da sua maior parte nos finais da I d. C.; com muita presença romana determinante.
Mudámos o rumo, desta vez, de novo para Portugal. Local de chegada: Aldeia da Prova, em Arcos de Valdevez (mas mesmo à beira da ponte que liga a Ponte da Barca). Hora marcada: jantar no excelente restaurante O MOINHO (Ponte da Barca). Posso garantir que a nossa dose (minha e da Gracinda!) de Polvo à Lagareiro estava uma delícia! O Márcio e o Luís que falem pela Posta Mirandesa e Bife Especial da Casa (que também aparentavam estar uma delícia!).