no canto das palavras encontro deus e o diabo jogando xadrez com as nossas almas enquanto dizemos que queremos que o primeiro seja cego, surdo e mudo o segundo divide-nos em cada página do seu livro descaradamente sagrado e rezo com perguntas ao novo dia em que o tabuleiro seja deitado pelo chão e eu acabe por pisar todas as peças como se fossem apenas pensamentos esfarrapados caídos das asas de todos os anjos do mundo sem arredores
Toi qui, comme un coup de couteau, Dans mon coeur plaintif es entrée; Toi qui, forte comme un troupeau De démons, vins, folle et parée,
De mon esprit humilié Faire ton lit et ton domaine; — Infâme à qui je suis lié Comme le forçat à la chaîne,
Comme au jeu le joueur têtu, Comme à la bouteille l'ivrogne, Comme aux vermines la charogne — Maudite, maudite sois-tu!
J'ai prié le glaive rapide De conquérir ma liberté, Et j'ai dit au poison perfide De secourir ma lâcheté.
Hélas! le poison et le glaive M'ont pris en dédain et m'ont dit: «Tu n'es pas digne qu'on t'enlève À ton esclavage maudit,
Imbécile! — de son empire Si nos efforts te délivraient, Tes baisers ressusciteraient Le cadavre de ton vampire!»
Charles Baudelaire
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Mesmo que evite os sete mares que dão a volta ao teu coração, não deixo de me afundar na tempestade que se situa entre os limites dos nossos corpos.Mesmo que encontre aquele fio à meada de Ariadne, não deixo de me perder nos meus próprios labirintos onde o Minotauro é apenas eu.Mesmo que me esconda do mundo numa bola de papel amarrotada, estarei sempre entre as duas linhas que nunca acabam num final feliz.
Acreditem que não houve melhor noite de "Halloween", ou "Samhain", para mim do que esta que concretizei ontem, na Aula Magna (Lisboa), na vampiresca companhia de Peter Murphy...do "meu" Taliesin e das amigas Ana e Paula!
Revelação: escutar a primeira parte com Lettie (a rapariga que estava a vender as t-shirts do Peter Murphy, antes e após o concerto!). Surpresa minha quando confirmo o que a Paula me dissera: era realmente ela a fazer a primeira parte do concerto. Grande aposta! Esta londrina apresentou, muito bem, alguns temas dos seus dois álbuns:"Age of Solo" e "Everyman". Procurem-na na net: http://www.lettiemusic.com/ ou no MySpace.
O concerto...não há palavras! O senhor Peter Murphy continua nos píncaros, em termos de voz e de postura em palco! Esta Secret Covers Tour dá vontade de repetir em doses sistemáticas, que me levou a propor repetir a dose de hoje, no Porto, acompanhada de umas francesinhas. Quem acompanha a carreira deste mestre desde os Bauhaus não ficou desiludido com nada. Foi tudo perfeito, até o humor e momentos de conversa que houve com o público. Prova disso, foi um petiz que, na primeira fila, ganhou a atenção de Murphy: um pequeno orgão, uma garrafa de água e uma ida ao palco e aos bastidores...ah! Sortudo.
Ter em atenção o novo tema: "Secret Silk Society"...fabuloso! A prova de que a música de Peter Murphy continua a apostar numa linha musical intimista, agora aliada a uns acordes mais agressivos (presenteados pelo ex-guitarrista dos Nine Inch Nails).
Os dois encores apresentaram estas Secret Covers, que fizeram levantar, finalmente, o público das suas cadeiras!
Venha mais!Eis o alinhamento:
01 Burning From The Inside 02 Velocity Bird 03 Peace To Each 04 Disappearing 05 I'll Fall With Your Knife 06 In Every Dream Home a Heartache (Roxy Music) 07 Marlene Dietrich's Favorite Poem 08 Time Has Got Nothing To Do With It 09 Secret Silk Society 10 Too Much 21st Century 11 Secret 12 The Prince And Old Lady Shade 13 Uneven And Brittle encore 14 Strange Kind Of Love / Bela 15 She's In Parties (Bauhaus) 16 Gliding Like a Whale encore 17 Cuts you Up encore 18 Transmission (Joy Division) 19 Space Oddity (David Bowie)
No final, com vontade de mais, dirigi-me à bancada das t-shirts...ia pedir um autógrafo à Lettie. Lá estava ela entre a imensidão das t-shirts e flyers de concertos. Acabei por comprar um cd dela, devidamente autografado! Um álbum bem agradável de se escutar!
Era uma vez, há muitos anos atrás, muitos mesmos, um certo povo que se caracterizava por uma partilha cultural comum que prescindia da escrita. As suas tradições e sabedoria eram herdadas através do oral. Ora bem, amanhã seria para eles o último dia do ano do seu calendário. Mais uma época de reflexão e de balanço. Se o céu e a terra se tocavam, os mundos dos vivos e dos mortos também o faziam. E se para uns era algo de bem-vindo para outros não tanto. O Samhain era celebrado, assim, de acordo com a perspectiva de cada: ou com pratos de leite, frutas e cereais à porta, com mais um lugar extra à mesa das refeições, recebendo desta forma os seus entes queridos já finados; ou em celebrações às luzes das labaredas das fogueiras, em ritos que agora nos parecem estranhos, fazendo uso das máscaras e da voz para lançar gritos estridentes, tentava-se afastar os mortos.Fosse qual fosse o objectivo, celebrava-se uma comunhão que pretendia aspirar um equilíbrio perfeito entre estes dois mundos ou entre as energias que circulam com alguma tensão nestes momentos mais especiais.
Acendam uma vela, abram os vossos corações...que eu, amanhã, vou passar a noite a escutar Peter Murphy! :)
"It is Samhain ...The Night of Shadows.
The Circle is cast around the fire,
And through the darkness, we glance,
For the veils are thin, in this sacred night!
Ancient voices around us,
Whispering old and forgotten songs,
While we dance the Spiral Dance, To meet Her.
And there She comes, The Lady of the Gate!
Power and compassion evolving us,
As a dark but comforting wave.
Beautiful Queen of the Dark Night!
With Her mantle of raven's feathers,
And eyes deep with wisdom.
Cerridwenn! She opens Her arms, in a welcoming embrace, We feel around us the flow of love,
Of Her Eternal Grace.
And then we hear
Her voice,
Melodious and grave, That speaks from inside our soul,
As an echo in a cave. Blessed Daughters of My Heart, I hear your prayers from afar. And that is why I came tonight!
Do not despair when the times are hard!
Do not abandon the Path you found!
For time has come for
My return, And you, Loved Ones, shall open the way, Singing my name as the ancient bards,