Esta é uma história muito simples em jeito de desabafo. Daquelas que qualquer pessoa que leia de certeza que já passou por situações semelhantes. Não começa por "Era uma vez..." porque são inúmeras as vezes e não sei onde teve início ou se alguma vez terá fim. Ultimamente, tenho sido uma quase assídua frequentadora do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Devo acrescentar infelizmente, como é óbvio. A parte que eventualmente poderá ser mais feliz é porque não tem sido por minha causa. Acompanho pessoas da minha família, como o meu pai por exemplo, que tem sido "agraciado" com pulseira vermelha de cada uma das vezes que aparece lá.
Algumas coisas ficam gravadas na nossa memória e muitas delas nem se passam directamente connosco. Numa das vezes, enquanto acompanhava o meu pai, num dos átrios interiores, para uma rápida visita, reparei (assim como diversos utentes) que um idoso, numa das macas, tentava virar-se. Como não estava a consegui-lo sozinho o acto estava a sair-lhe muito mal e estava em vias de queda. Uma enfermeira próxima dele assistia impávida e serena. Depois de sucessivas chamadas de atenção a essa mesma enfermeira, e como ela continuava sem se mexer, olhando de uns para os outros, uns quantos utentes lá se levantaram a acudir e a ajudar o senhor. Conversa da enfermeira: "Não podia fazer nada. Eu sou do piso 1 e não das urgências!"...mas o que é isto?! Não se estava a pedir para fazer uma intervenção cirúrgica! Apenas se pediu ajuda para outra pessoa à sua frente!
Uma coisa que se costuma escutar vezes sem conta, são as respostas secas e rápidas destes profissionais da saúde quando alguém lhes solicita alguma coisa:-" Já vai!";
-"Ai isso não é comigo, é com a Doutora.";
- "Agora não, estamos muitos ocupados.";
- "Tem de aguardar mais um pouco, estamos com falta de pessoal".
Isto são algumas das expressões mais correntes...sim, "Já vai" e o meu pai teve de esperar quatro horas por um pouco de água porque estava imóvel numa maca (após outras quatro horas de quase inconsciência!). E bebeu água, sim: em casa. "Agora não, estamos muito ocupados." quando passo por alguns desses mesmos corredores e vejo num dos gabinetes um "Kit Kat" entre um médico e uma enfermeira, em que ambos, comodamente sentados, falavam "naquela com quem saíste ontem à noite" ou "naquele a quem já telefonaste". Quando recebeu alta (e mesmo sem quase se conseguir levantar, esqueceram-se dele numa sala, assim como de entregar os exames que tinha realizado! Tive de ir "incomodar" a pobre da médica que o acompanhou no segundo turno! A expressão dela era do género:"Que coisa! Mas para que é que estas pessoas querem saber os resultados dos exames, e o porquê de ficarem assim doentes, não é?!"
Depois, como deve haver mesmo falta de pessoal (visto que as prioridades do nosso governo não são mesmo a Saúde e a Educação), tem de se esperar, na enorme mas apinhada sala de espera (apenas com uma casa-de-banho!) por informações sobre os respectivos familiares que , como no meu caso, entra à hora de almoço e sai às tantas da madrugada, segundo um horário adequado às necessidades do hospital. Ou seja, de manhã e de tarde há o período de uma hora para se requisitar informações sobre os doentes. Das cinco e meia da tarde até à meia noite temos de aguardar, sem saber nada dos mesmos (se está melhor, se pior, se fica internado...)...nem vou comentar a ausência de informação durante toda a madrugada...
Sei que é triste escutar as pessoas dizerem:"Ir ao hospital, eu?! Irra, mais vale ficar doente!"
-"Ai isso não é comigo, é com a Doutora.";
- "Agora não, estamos muitos ocupados.";
- "Tem de aguardar mais um pouco, estamos com falta de pessoal".
Isto são algumas das expressões mais correntes...sim, "Já vai" e o meu pai teve de esperar quatro horas por um pouco de água porque estava imóvel numa maca (após outras quatro horas de quase inconsciência!). E bebeu água, sim: em casa. "Agora não, estamos muito ocupados." quando passo por alguns desses mesmos corredores e vejo num dos gabinetes um "Kit Kat" entre um médico e uma enfermeira, em que ambos, comodamente sentados, falavam "naquela com quem saíste ontem à noite" ou "naquele a quem já telefonaste". Quando recebeu alta (e mesmo sem quase se conseguir levantar, esqueceram-se dele numa sala, assim como de entregar os exames que tinha realizado! Tive de ir "incomodar" a pobre da médica que o acompanhou no segundo turno! A expressão dela era do género:"Que coisa! Mas para que é que estas pessoas querem saber os resultados dos exames, e o porquê de ficarem assim doentes, não é?!"
Depois, como deve haver mesmo falta de pessoal (visto que as prioridades do nosso governo não são mesmo a Saúde e a Educação), tem de se esperar, na enorme mas apinhada sala de espera (apenas com uma casa-de-banho!) por informações sobre os respectivos familiares que , como no meu caso, entra à hora de almoço e sai às tantas da madrugada, segundo um horário adequado às necessidades do hospital. Ou seja, de manhã e de tarde há o período de uma hora para se requisitar informações sobre os doentes. Das cinco e meia da tarde até à meia noite temos de aguardar, sem saber nada dos mesmos (se está melhor, se pior, se fica internado...)...nem vou comentar a ausência de informação durante toda a madrugada...
Sei que é triste escutar as pessoas dizerem:"Ir ao hospital, eu?! Irra, mais vale ficar doente!"

















