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quinta-feira, 18 de março de 2010

CONCERTO: FLORENCE AND THE MACHINE

Na noite de 16 de Março de 2010, à porta da Aula Magna (Lisboa), viam-se alguns cartazes com o pedido de compra de bilhetes para o concerto de FLORENCE AND THE MACHINE. Isto porque os bilhetes, desde há algum tempo, estavam esgotadíssimos nas bilheteiras. A Aula Magna estava repleta de um público essencialmente jovem, muitos estudantes universitários que se faziam acompanhar das suas pastas, malas e jantares improvisados de gomas e chocolates.
O palco estava montado e decorado, no fundo, com um pano negro repleto de folhagem e flores.
Eram 21 horas quando começou a primeira parte com a banda britânica SIAN ALICE GROUP. São considerados uma banda de post rock, com bastantes laivos experimentalistas. Sem dúvida! E isso pôde ser constatado em palco. Estão formados desde 2006 e a frágil ,mas belíssima voz feminina, está a cargo de Sian Ahern. Muito poder em palco, muito experimentalismo e sons que nos levavam a acompanhar o devaneio artístico desta banda. Entretanto, começamos a aperceber-nos de uma presença saltitante numa das laterais do palco: era a própria Florence e a sua banda, que assistiam à primeira parte, dançando freneticamente! No último tema de Sian Alice Group, Florence decide sair do seu lugar e acompanha Sian ao tambor, terminando num abraço entre as duas. O público aplaudiu, em pé, Sian Alice Group. Após nova preparação do palco (introdução da harpa, das flores nos microfones e no tambor, colocação de três gaiolas que aprisionavam luzes no seu interior), entra a banda de Florence Welch, seguida da própria. Uma presença frágil, descalça, de vaporosa mini túnica branca, que deixava Florence executar os seus descoordenados mas constantes e enérgicos passos de dança. Desde o primeiro tema até ao último (cantado no encore), a energia e potência da voz de Florence foi explorada ao máximo. Também foi constante a sua boa disposição, traduzida nas suas gargalhadas e saltos pelo palco, tal e qual como se fosse uma fada ou ninfa a passear pelos bosques. Florence "manipulou" (de um modo muito positivo) o público português, levando-o a fazer coreografias ousadas e verdadeiramente loucas, como se estivesse a satisfazer os seus caprichos. E Florence delirou com isso, afirmando que foi o melhor público da sua tournée pela Europa, sendo este mesmo público que encerrava, como se fosse chave de ouro, esta sua digressão. Contra as regras institucionalizadas na Aula Magna, a vocalista queixou-se de que não estava habituada a ver o público assim tão compartimentado, nas suas cadeiras, mesmo que em pé. E pediu para o público dirigir-se todo para a beira do palco. Que todos os que estavam no anfiteatro saltassem o balcão e viessem para baixo. Incrédula, a assistência, olhava de uns para os outros...até que, para desespero dos seguranças, os membros do público começaram a saltar de cadeiras em cadeiras, pelos corredores, e sobre o balcão e condensou-se tudo à beira do palco. Foi impressionante ver a massa gigantesca a mover-se daquela forma, submetida à vontade simpática daquela cantora, que fazia tudo o que queria com o seu público. Florence estava em casa. E foi deste modo que apresentou o seu único álbum: "Lungs". Vale a pena conhecer. Tem temas excelentes, muito animados, com letras inteligentes e divertidas, ao mesmo tempo que nos oferece a voz potente de Florence Welch. O sítio desta banda no MySpace: www.myspace.com/florenceandthemachine
Ficou provado que FLORENCE AND THE MACHINE é uma grande banda para animar um festival de Verão...a ver se regressam!



sábado, 23 de janeiro de 2010

NA TELA DA TEIA: "Where the wild things are"


Este filme é uma adaptação de um livro infantil, com o mesmo nome, escrito por Maurice Sendak. Com realização de Spike Jonze e produção de Tom Hanks, acaba por ser um filme de crianças para adultos. Max é um miúdo com problemas comportamentais que o levam a querer ter todas as atenções da sua família em si. Após uma discussão com a sua mãe, ele foge de casa, trajando o seu fato de fantasia de coelho. Parte para um mundo imaginário que é uma ilha, cujos habitantes são monstros de proporções enormes. Para não ser devorado por nenhum deles, Max afirma que era um rei no local de onde vinha e aceita ser o rei desta tribo. Cada um dos monstros tem uma personalidade forte e isso é revelado ao longo do desenrolar da acção, enquanto Max relaciona-se com cada um deles. Ao mesmo tempo orienta a construção de um ninho para todos. Os monstros acabam por ser uma metáfora para os seres humanos. Estabelecem uma série de relações complexas, revelam os seus problemas e as suas atitudes exemplificam a nossa sociedade emocional. Max acaba por descobrir que não é muito diferente do mundo de onde tinha vindo...e que a melhor forma de lidar com os problemas e medos é enfrentá-los. E preencher tudo...com AMOR.
Por vezes, o filme perde-se um pouco no absurdo de alguns diálogos...mas acaba-se por perceber a semi-resposta à questão (que não o chega a ser!) do filme:"Where the wild things are?"...fácil: Apenas dentro de nós!Fiquei fã das autênticas "fotografias" deste filme. Muitos tons de sépia, muitos planos de vastos desertos e florestas secas sob um céu extremamente azul ou acompanhando um pôr-do-sol.
Também fiquei fã da banda sonora. O filme abre com Arcade Fire e ao longo do mesmo somos presenteados com temas de Karen O. and the Kids (Karen O. é a vocalista dos Yeah, Yeah, Yeahs!).
Sei que até já há merchandising à volta deste filme: roupa, acessórios, objectos e bonecos. É uma autêntica febre em alguns países! Quem vê o filme percebe.
Tenho de o ver novamente, agora um pouco desligada da história e mais centrada na imagem...como se estivesse a folhear um álbum de fotografias! :)
Eis os "monstros" (que estão brilhantemente concebidos):
Vejam esta montagem de partes do filme, com uma das músicas:

domingo, 17 de janeiro de 2010

Enquanto o Diabo peca Atrás do altar
Deus veste as asas de um anjo qualquer
Deixa a sua casa abandonada
Mas quem entra não vê nada
Para além da cegueira terrestre
As preces são outra forma de ilusão
De quem tenta superar a Vida
E quando o Anjo bate à porta
Da alma de cada um
Vestimo-la da cor que queremos
O meu Anjo Negro
Ao esquecer as chaves em casa
Visitou-me nesse altar.
Era eu quem estava a pecar:
Deus e o Diabo no mesmo rosto.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

OBITUÁRIO: LHASA DE SELA (1972-2010)

Folheava as páginas do Expresso, assim numa primeira tímida abordagem (antes de uma voraz leitura) quando encontro a notícia do falecimento desta diva da música: LHASA DE SELA. Tive uma espécie de baque...como se fosse uma daquelas coisas inesperadas que pensamos nunca vir a acontecer a qualquer um de nós, ou a alguém próximo de nós. Era um das artistas que esperava ver actuar ao vivo em Portugal (sei que já actuou, mas eu nunca tive o privilégio de assistir).
Infelizmente, faleceu na primeira noite de Janeiro. Cedeu à luta contra o cancro da mama; luta essa que já travava há 21 meses. Esta diva nova-iorquina (criada entre os EUA e o México) legou-nos uma voz de timbre grave e intimista, acompanhando suaves melodias cheias de significados fortes e de palavras densamente poéticas. Era a mulher que acreditava em lendas e em milagres...ficam três álbuns que valem a pena constar das nossas discotecas.Só lamento, de facto, não existirem milagres de modo a que esta cantora não se torne a lenda, mas sim continuasse a ser a mulher de carne e osso, de alma e de voz, entre nós, cantando e encantando, como só ela o sabia fazer.

Enquanto te perdias na névoa cinzenta
Eu seguia a tua voz cintilante
Como se fosses tu o farol num dia de tempestade
Em que eu tentava lançar âncora à vida.
Os fios das palavras ligavam-nos
Tenuemente
Pequenas lágrimas de gelo
No degelo das eras.
Mas o mar que nos movia
Era imenso entre os cantos da vida.
Alma demasiado grande
Para ser contida num só mundo.





sábado, 9 de janeiro de 2010

Existem sombras geladas por detrás de cada palavra dada no caminho por semear...salto entre linhas enquanto espreguiço os ramos acesos de fogos interiores por entre letras-combustíveis de textos castigados por uma Neo-Inquisição. Revolto-me em labaredas de corpo dançante enquanto solto nuvens dos cabelos como se fossem sonhos fugindo à frente de cavalos lançados por entre ondas gigantes, abraçando em fúria toda a terra.Mais cedo ou mais tarde todos os textos construídos cairão como peças de dominó perante tudo o que já foi dito. Esgotados como as forças da própria Terra, a compreensão da própria existência deixará o seu sentido ao acaso... ...como eu...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Esta capa de Inverno que me cobre deixa-me estéril de palavras redentoras sobre o que supostamente vive dentro de mim. Ou nos outros. Mesmo que a capa dos outros não seja capa, apenas o corpo. E como não me alimento do corpo procuro o sangue. De tal modo que me faça renascer a alma em cada uma das palavras, sem que seja necessário esconder-me do dia, vestindo-me apenas da noite. Sem que tenha de pendurar a alma cansada e gasta de palavras no céu da noite...de cada vez que olhar lá para cima, entre tanta escuridão...não a encontro. Mas é lá que moram as estrelas, eu sei. E é por isso que repito esse gesto exausto, todos os dias e todas as noites...mesmo sem palavras...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010 EM GRANDE PARA TODOS VÓS!

"We will open the book. Its pages are blank. We are going to put words on them ourselves. The book is called "Opportunity" and its first chapter is New Year's Day. "
Edith Lovejoy Pierce

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

NA TELA DA TEIA: 3 em 1!

AVATAR
Podemos falar de cinema pré-AVATAR e em cinema pós-AVATAR. De facto, nada iguala a grandeza e novidade de realização cinematográfica trazida por James Cameron com este filme. O 3D facilita a entrada nesse novo mundo que torna a perspectiva do filme como mais um momento no qual estamos integrados. E preparem-se que, no futuro, de certeza que teremos as famosas marcas de óculos de visão e de sol a vender óculos para filmes 3D, ao gosto de cada um. O cinema após o Avatar, tal e qual como tem sido até então, tornar-se-á obsoleto. A história apresenta um perfil marcadamente americano, cuja acção centra-se num fuzileiro paraplégico que é levado para outro planeta, chamado Pandora, numa investigação científica de estudo dos nativos locais: os Navi (uma raça humanóide, com a sua própria língua e cultura). Este fuzileiro adopta um avatar para si mesmo, que o representará nesse meio, no qual se irá integrar, aprendendo língua, costumes e, ironicamente, um pouco mais do que é ser humano. O objectivo verdadeiro da missão estende-se a uma empresa privada terráquea, que pretende extrair um minério poderoso, de modo a fazer fortuna na Terra. Altos valores e e defeitos humanos vão estar em destaque: o respeito pela Natureza (fauna, flora) versus a desmesurada ambição humana (que pode levar à destruição de um planeta). Portanto, a mensagem ecológica é clara, a acção do filme não é inovadora mas as técnicas de filmagem são fabulosas. A não perder em 3D! (P.S.: É aconselhável não escutar a música final do genérico a ouvidos mais sensíveis a músicas lamechas do género Céline Dion...um ponto negativo, James Cameron!)

PANDORUM Um conto de ficção científica, e terror, que nos pinta um ambiente escuro, claustrofóbico e assustador (em jeito de “novo Alien”) dentro de uma nave (Elysium), em direcção a um novo planeta com condições semelhantes ao planeta Terra: Tanis. A humanidade abandona a Terra, após milénios de degradação e exploração exarcebada do planeta. Após uma viagem de cento e tal anos, em que a tripulação está mantida num sono criogénico, dois tripulantes acordam, sem terem lembranças de nada. A acção centra-se na sobrevivência e na composição do puzzle que os poderá orientar sobre a verdadeiro destino da nave, ao mesmo tempo que têm de ser capazes de sobreviver perante as novas adversidades que foram nascendo ao longo desses anos no interior da nave: uma nova espécie mortal. Ninguém está sozinho… e a realidade é sempre mais do que as aparências revelam. Muito bom. Mais uma chamada de atenção ao que se anda a fazer ao nosso planeta!!

A ONDA
Saímos da ficção científica e passamos para um filme baseado em factos reais, decorridos na Alemanha. Numa escola de ensino secundário, um professor de História avança com uma experiência numa turma que se inscreveu nos projectos semanais oferecidos pelo estabelecimento. O professor inicia a aula perguntando:” É possível que o totalitarismo volte à Alemanha?”. Os alunos discordam… o seu país está mais civilizado e seria impossível as pessoas dos dias de hoje aderirem a este conceito. O tema é o reflectir sobre o que é a autocracia e fascismo. Da ideia passa-se à acção num instante; e a turma, unindo-se como um grupo coeso, com um código próprio (desde a forma de vestir à forma de estar), passa a ser espelho do que é estar a ser orientado por um regime ditatorial levado às últimas consequências. O pensamento totalitário invade as mentes dos alunos desta turma, extrapolando para fora do estabelecimento escolar. Perto do final do filme, o professor volta a fazer a mesma questão…e a resposta terá sido dada durante todo o filme. Altamente aconselhável. (P.S.: Eu quero escolas como aquela aqui em Portugal: em termos arquitectónicos são fabulosas!).