quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
TEATRO EM ALMADA: O Luto vai bem com Electra, de Eugene O´Neill
O ciclo de três peças O luto vai bem com Electra (Mourning becomes Electra, 1931) de Eugene O’Neill regressa a um palco português, 67 após a sua estreia no Teatro Nacional D. Maria II – sob o título de Electra e os fantasmas –, onde foi encenada por Robles Monteiro, sobre tradução de Henrique Galvão. Numa nova produção da CTA (em Almada), Rogério de Carvalho dirige Regresso a Casa (Homecoming); Os Caçados (The hunted); e Os Assombrados (The haunted), partindo de uma nova tradução, encomendada a Helena Barbas. Esta trilogia compõe, assim, esta peça de quase 4horas em que o espectador vibra sobretudo com as emoções tão bem transmitidas pelo excelente desempenho dos actores.
"Com esta trilogia, o dramaturgo norte-americano desejou que os seus compatriotas experimentassem – literal, formal e esteticamente –, a imensidão da tragédia, renovando a expectativa do público da Atenas do século V a.C, quando assistia nos festivais dionisíacos a grupos de três tragédias.Inspirando-se na Oresteia, de Ésquilo – trilogia constituída pelas peças Agamémnon, Coéforas e Euménides –, O’Neill situa a acção no final da Guerra da Secessão, em 1865, quando o general vencedor Erza Mannon regressa a casa, na região da Nova Inglaterra (emblema da América genuína, por aí se terem estabelecido os Pilgrim Fathers no século XVII). Tal como Agamémnon, Erza é a primeira vítima da corrupção profunda da família, que se autodestrói pelo crime. Ora, onde Ésquilo buscara um horizonte ético e político onde a lei triunfa sobre a vingança, O’Neill desenha a atmosfera malsã do inconsciente insuspeito e indomável que hipoteca no homem a liberdade de perseguir o bem."
Encenação: Rogério de CARVALHO
Tradução: Helena BARBAS
Cenário: José Manuel CASTANHEIRA
Figurinos: Mariana Sá NOGUEIRA e Patrícia RAPOSO
Assistente de Figurinos: Miguel MORAZZO
Luzes: José Carlos NASCIMENTO
Sonoplastia: Guilherme FRAZAO
Intérpretes: André ALBUQUERQUE, Bernardo ALMEIDA, Celestino SILVA, Laura BARBEIRO, Marques D 'AREDE, Miguel MARTINS, Paulo GUERREIRO, São José CORREIA, Sofia CORREIA, Teresa GAFEIRA
1 a 19 DEZEMBRO 2010
Qua e Sáb às 21h30 e Dom às 16h
Duração:cerca de 04h00m M/12
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O AMERICANO

Ontem fomos ver O AMERICANO em Itália...ou num cinema qualquer perto de si. O AMERICANO é uma realização de Anton Corbijn, um fotógrafo e cineasta neerlândes, que costuma trabalhar com os Depeche Mode, em termos de imagem. Também realizou o filme CONTROL.
Este filme relata a história de um assassino profissional (George Clooney...what else!) que se refugia numa pequena cidade italiana, à espera que o chamem para a sua última missão. Observando a vida dos outros, esta personagem apercebe-se que viveu uma vida inteira sozinho e durante este processo de reflexão, alguns descuidos profissionais poderão colocar em perigo este seu último trabalho.
É uma história "simpática", com louvores, sobretudo para a imagem fotográfica do filme e para o trabalho da Natureza (e do Homem...há que dizê-lo!) que nos apresenta imagens lindas da bela Itália.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
que cai nas teclas brancas e negras
descobre a melodia mais suave
que as palavras podem tomar no caule de uma flor
No teu corpo adormecido
sobre a cauda desse piano
tocado gentilmente
pelas mãos de um artista.
Aquele a quem chamam de criador eterno
não sei se um deus ou a Natureza,
ela própria,
mas as mãos de quem dá a vida
e, ao mesmo tempo,
asfixia o seu testemunho
neste tempo e neste lugar.
Vi-te adormecendo descuidadamente
como se não existisse uma plateia
envergando máscaras de predadores
e como se essa mesma plateia
não fosse capaz de se mover do seu lugar
e tu dominasses a segurança
de ser o alvo sob os holofotes.
Arrastei a cadeira ruidosamente
só para te despertar.
Deixei-a cair, também.
Caminhei em direcção ao palco
e não senti os aplausos cairem sobre o meu rosto.
Sobre o meu corpo. Sobre o meu âmago.
Não senti nada a não ser a doce anestesia
substituindo a adrenalina do sangue.
Enquanto subia as escadas e tu me olhavas desde ontem
até agora
despi todo o passado da minha alma.
Despi a religião do Homem
e deitei-a, no teu lugar, onde outrora adormeceste.
Prefiro caminhar nua.
Na tua mão deixei o fogo ateado.
Deixei a destruição.
E quando olhei para trás
as cinzas que restavam
não chegavam sequer para lembrar o teu nome,
as tuas palavras, as tuas orações.
Da cruz aos pregos
restou nada.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
eu sei
ladeada de prédios infinitos e crescentes
com cortinas de gentes adormecidas
pensando que espreitam através das suas janelas
os telhados aguçados rasgando o céu da alma
e chove sangue, chovem pedras, chovem palavras
que tentam acertar nos incautos caminhantes
que se esqueceram do guarda-chuva
algures no canto negro da sua existência
sei que vou nessa estrada
e as florestas morreram nos sonhos de quem as queria conceber
sei que todos os dias se deitam palavras em vão nas cordas a secar
esperando que o sol de outro dia enxugue as lágrimas da noite anterior
sei também que que os estendais estão pejados de molas sem peças
que o vento assalta e leva os sonhos que se estendem nesse anoitecer
mas sei que, por vezes, as gentes adormecidas despertam
e afastam as cortinas da languidez
e abrem as janelas das suas almas
e dizem olá com o coração
eu sei que sim







