...o relógio que marca o meu Tempo não segue as horas que batem nos segundos, descompassadamente, iludindo as massas que correm para o final do seu calendário...é verdade que a voz que me dita é escura e sombria e é verdade que é ela quem manda dar corda ao tal relógio mas também é verdade que essas horas e esses segundos fogem a qualquer género de rótulo...o Tempo que nos toca a cada um de nós é aquele que não sendo realmente nosso é fruto da rejeição de Deuses de outros Tempos inconcebíveis para o nosso entendimento e enquanto meros ponteiros desses restos empurramos essas pedras ao sabor dos nossos passos, ao sabor do virar de mais uma página...
...que horas são, afinal?
sábado, 15 de janeiro de 2011
...não consigo caber dentrodemimprópria...
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Ao deambular pelo blog do Pensamentos Vagabundos encontrei este desafio (sim, já antigo!) que sempre achei curioso, e que está sempre dependente (quanto a mim!) do estado de espírito musical do dia. Hoje estou "numa" de Radiohead por isso...aqui vai:
1.O Cantor/ Banda escolhido (a) foi:RADIOHEAD
2.Responder às questões com títulos das músicas desse artista ou grupo musical: 2.1. És Homem ou Mulher? "Vegetable" 2.2. Descreve-te: "I Am Citizen Insane" 2.3. O que as pessoas acham de ti? "Paranoid Android" 2.4. Como descreves o teu último relacionamento? "Idioteque" 2.5. Descreve o estado actual da tua relação. "All I Need" 2.6. Onde querias estar agora? "Sail To The Moon" 2.7. O que pensas a respeito do amor? "(Nice Dream)" 2.8. Como é a tua vida? "Life In A Glasshouse" 2.9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo? "How to Disappear Completely" 2.10.Escreve uma frase sábia. "Go To Sleep"
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
...não tenho o sono dos justos nem dos inocentes porque não durmo há uma vida inteira...a insónia visita-me todas as noites como o amante-fantasma mais incansável de todos e fazemos amor nas horas vagas da madrugada, enquanto o meu cérebro se esgota na tentativa de um orgasmo adormecido profundamente na almofada sem dar conta das horas e sem dar conta dos pesadelos acordados que se escondem por debaixo das asas desse fantasma que quando se olha ao espelho dos meus olhos faz-me descobrir-me a mim própria no seu rosto vazio...
A cada filme que passa, torna-se difícil escolher o melhor filme de Darren Aronofsky. Este realizador já conta com alguns dos filmes que me marcaram mais, tais como Requiem For A Dream; The Fountain - Last Chapter e, presentemente, Black Swan. A sua técnica, a nível de realização, talvez seja um conjunto simples de características: movimentos de câmera rotacionais atrás e à frente das personagens; pequenos pormenores acompanhados de uma excelente sonoplastia; a magia gráfica da imagem; a presença dominante de determinadas cores nos cenários...neste filme temos o jogo entre o preto e o branco, jogo este que acompanha magistralmente o argumento deste filme.
Natalie Portman move-se adequadamente no seu papel de uma bailarina de uma companhia, que fica com o papel da Rainha dos Cisnes no "Lago dos Cisnes". Ao mesmo tempo que terá de representar o Cisne Branco e o Cisne Negro (o seu terrível gêmeo) em palco, na vida real a sua personalidade começa a sofrer transformações derivadas a diferentes pressões que a assolam: desde uma mãe frustrada profissionalmente que deposita o sucesso na sua filha, a um desejo obcecado por perfeição. A loucura e a liberdade a par e passo numa corrida que culmina com a noite de estreia de "O Lago dos Cisnes". Ganham ambas (loucura e liberdade) numa simbiose perfeita. Um triller psicológico belíssimo que de certeza não deixará de marcar quem assistir a este filme.
Quase sem palavras, e melhor do que não dizer nada, apenas deixo este adjectivo: PERFEITO.
Estreia prevista em Portugal: 3 de Fevereiro.
domingo, 26 de dezembro de 2010
...quase que sei que nunca soube nada desde que nasci... ...quase que sei que o mundo está virado às avessas e que muitas vezes caminhamos com as mãos e andamos verdadeiramente no mundo da lua...
...quase que sei que agora desabriguei-me de mim mesma e que o mundo lá de fora, assim como o de cá de dentro, ambos se entrecruzam e me fazem auto-expulsar dos seus movimentos de rotação......quase que sei que não sou eu quem escreve, contudo, quase que sei que sou eu a mão que acelera e a mão que trava, ao mesmo tempo......quase que sei que existem anjos e demónios em simultâneo e quase que sei qual deles é que vence a batalha...
domingo, 19 de dezembro de 2010
...vou escrever-te uma carta a dizer-te tudo aquilo que não sei e que nunca soube porque à medida que for sentindo a matéria do papel sei que as palavras acabarão por me nascer de dentro para fora e mergulharão nos lagos de tinta negra nos quais mergulho os traços de alma, os poucos que ainda me restam e que ainda me sabem a alguma coisa...
...vou escolher as letras, as palavras, as frases, os parágrafos, o texto, em suma, e escolherei de dentro do cesto revolto da minha mente, como se escolhem os melhores frutos numa tarde de sol de um piquenique qualquer à beira-mar ou à beira-rio, sendo que a única água que corre é aquela que se deita sobre os leitos da Terra e não aquela que rasga a pele do rosto...
...vou desenhar nos cantos do papel, nos restos de espaço do papel, nos finais de linhas e entrelinhas, os momentos embrulhados em fitas-de-sonho que depositamos debaixo de uma antiga árvore de Natal num passado qualquer, e os quais desembrulhámos com sabor a promessas e a algodão-doce...
...vou escrever...
...e depois vou rasgar...
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
...houvesse mais dias assim e houvesse mais chuva e mais chapéus que servissem às lágrimas de todas as gentes e se tal ditasse o Inverno seria a estação do ano mais longa por excelência..."hoje" é Inverno...
O ciclo de três peças O luto vai bem com Electra (Mourning becomes Electra, 1931) de Eugene O’Neill regressa a um palco português, 67 após a sua estreia no Teatro Nacional D. Maria II – sob o título de Electra e os fantasmas –, onde foi encenada por Robles Monteiro, sobre tradução de Henrique Galvão. Numa nova produção da CTA (em Almada), Rogério de Carvalho dirige Regresso a Casa (Homecoming); Os Caçados (The hunted); e Os Assombrados (The haunted), partindo de uma nova tradução, encomendada a Helena Barbas. Esta trilogia compõe, assim, esta peça de quase 4horas em que o espectador vibra sobretudo com as emoções tão bem transmitidas pelo excelente desempenho dos actores. "Com esta trilogia, o dramaturgo norte-americano desejou que os seus compatriotas experimentassem – literal, formal e esteticamente –, a imensidão da tragédia, renovando a expectativa do público da Atenas do século V a.C, quando assistia nos festivais dionisíacos a grupos de três tragédias. Inspirando-se na Oresteia, de Ésquilo – trilogia constituída pelas peças Agamémnon, Coéforas e Euménides –, O’Neill situa a acção no final da Guerra da Secessão, em 1865, quando o general vencedor Erza Mannon regressa a casa, na região da Nova Inglaterra (emblema da América genuína, por aí se terem estabelecido os Pilgrim Fathers no século XVII). Tal como Agamémnon, Erza é a primeira vítima da corrupção profunda da família, que se autodestrói pelo crime. Ora, onde Ésquilo buscara um horizonte ético e político onde a lei triunfa sobre a vingança, O’Neill desenha a atmosfera malsã do inconsciente insuspeito e indomável que hipoteca no homem a liberdade de perseguir o bem."
"Não sou obrigada a ir para longe - agora já não Seth. Estou amarrada aqui - aos Mannon mortos!"(fala de Lavínia)
Ficha Técnica: Encenação: Rogério de CARVALHO Tradução: Helena BARBAS Cenário: José Manuel CASTANHEIRA Figurinos: Mariana Sá NOGUEIRA e Patrícia RAPOSO Assistente de Figurinos: Miguel MORAZZO Luzes: José Carlos NASCIMENTO Sonoplastia: Guilherme FRAZAO Intérpretes: André ALBUQUERQUE, Bernardo ALMEIDA, Celestino SILVA, Laura BARBEIRO, Marques D 'AREDE, Miguel MARTINS, Paulo GUERREIRO, São José CORREIA, Sofia CORREIA, Teresa GAFEIRA
1 a 19 DEZEMBRO 2010 Qua e Sáb às 21h30 e Dom às 16h Duração:cerca de 04h00m M/12