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sábado, 17 de março de 2012

Toda a vida que sopro em jeito de expiração já não regressa com a mesma validade na qual se inspirou.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mini pseudo-crónica de fim-de-semana.

Gostava de saber como adormecem os "nossos" políticos, à noite, ou de madrugada, ou de manhã, ou de tarde, ou seja lá quando for que se deitam...pois adormecidos creio que o andam desde há muitos anos. A sério...gostava de saber se o peso das suas ações corresponde ao peso que deixa a marca na almofada ao outro dia quando acordam...porque deixam marca de cada vez que se levantam decisões no nosso país; pobre almofada, tão cedo não trocada ou lavada.
Em toda a minha inocência e "leiguice" nos assuntos de política, compreendo que governar um país seja um caso extremamente complicado e árduo, mesmo que este nosso país à beira-mar plantado seja apenas um retângulozinho no final (ou no início, dependendo da perspetiva de quem entra!) da Europa. Acredito que as suas mangas, das suas camisas Armani, e afins, seja arregaçadas nas duras reuniões e Consílios de pseudo-deuses menores, e algumas bagadas de suor desfaçam a máscara de serena descontração, semi-rosa, semi-laranja, semi-indefinida.
Lamento imenso que os nossos políticos, por sua vez, também se lamentem dos seus magros ordenados, porque como o exemplo vem de cima, nós que também sofremos do mesmo mal ("ligeiramente" agravado umas centenas de vezes "para baixo"), acabamos por ter que nos lamentar e esta "pescadinha de rabo na boca" não termina a não ser com o rótulo de pieguices.
O nosso país passa a imagem de lenço (não dos namorados, que está aí quase a bater à porta no seu dia altamente americanizado) de assoar e de limpar as eternas lágrimas à custa do esforço de apertar o cinto.

Compreendo que os Bancos tenham de ser auxiliados, em termos de verbas financeiras, pois são eles que guardam os nossos parcos haveres e, supostamente, por sua vez, auxiliam os que mais precisam em horas de aperto, qual Robin dos Bosques engravatado. Compreendo que existam imensas instituições e fundações com o eterno apoio do Estado (Estado esse que reconhece não saber, na verdade, a totalidade dessas mesmas fundações para quem dá dinheiros públicos...entenda-se...o nosso!) pois cheia de boa vontade está o ser humano na defesa das suas causas, nem que seja a da piscina maior na vivenda, a frota de carros novo marca "xpto" e "job`s for the boys".
Sofro imenso com o sofrimento com que este governo se auto-promove no seu pedido de ajuda ao povo que já não tem mais nada para oferecer, para além do suor das suas camisas compradas, provavelmente, nas feiras aos fins-de-semana (enquanto ainda existirem fins-de-semana para comprar camisas e outros acessórios).
Os nossos administradores são um exemplo de ingenuidade perante outros assistentes do governo de outros países europeus que mandam os sem-abrigo ficarem em casa. Nós ainda temos, de facto, as casas, mas as tabuletas de "Vende-se" e "Aluga-se" prolifera, por todo o lado, a olhos vistos, de cada vez que se põe o nariz fora de casa, enfrentando o frio siberiano que parece congelar tudo, até o nosso poder de lucidez das coisas.
Pode haver quem pense que eu estou a ser irónica com estas minhas palavras (moi?!)...mas a verdade, é que amanhã vou estar em Lisboa na manifestação para dar voz ao grito do povo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011


…não tenho horas para cortar a vida em fatias prontas a servir pois faço jejum do Tempo em doses pequenas e espartilhadas ao longo da existência que me deixa sem controlo dos dados do destino no acto da apanha quando são os deuses quem os lançam inadvertidamente sobre as almas e os corpos dos mortais…

terça-feira, 6 de setembro de 2011


Moro ao lado da porta da razão
debaixo das escadas do coração
e quando quero sair porta fora
o corpo corre mais do que a alma
não descanso no outro lado da rua
e quando olho para a minha janela
vejo-me de novo a olhar para mim mesma
como reflexo partido de um velho espelho
não sei se atravesse
não sei se espere um sinal
que deus seja o semáforo providente
que brinca com a nossa loucura
e o diabo o polícia sinaleiro
que nos fecha os olhos e obriga a avançar

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

FORA DA PRATELEIRA: O Segredo dos Caroços de Maçã, de Katharina Hagena.

"Quando era criança tinha um caderno de vocabulário no qual anotava palavras especiais, da mesma forma que coleccionava conchas e pedras especiais. Dividia as palavras em categorias, tais como "palavras bonitas", "palavras feias", "palavras enganadoras", "palavras baralhadas" e "palavras secretas".
Na lista das "palavras bonitas" colocara: cardamina, violeta, alegoria, ginja-garrafal, fruta-pão, espremer, batedor de claras, cotovelo, nuvem. Na lista das "palavras feias" estava: bócio, casco, coto, cera.
As "palavras enganadoras" irritavam-me porque, à partida, faziam-se passar por inofensivas mas depois podiam ser maldosas ou perigosas, como por exemplo "efeito secundário" ou "transplantar". Ou então pareciam ter um efeito mágico, como "salva-vidas" e "berçário" e, depois, para grande desilusão, eram afinal completamente banais. Ou, ainda o seu significado não era claro para ninguém: não existiriam certamente duas pessoas na Terra que dessem exatamente a mesma resposta quando lhes pedissem para descrever a cor "vermelho-púrpura"!
As "palavras baralhadas" eram uma espécie de hobbie. Ou seriam mais como uma doença? Provavelmente ia dar ao mesmo. O "mergulhista de cristão" era um dos meus animais preferidos, bem como "banguru dos cosques" e o "dorto". Eu achava engraçado o trocadilho de letras e de palavras. Conseguia imaginar perfeitamente o aspeto das escadas dos abrigos anti-aéreos, mas o que seriam esbadas dos atrigos anri-talhéreos?
As "palavras secretas" eram as mais difíceis de encontrar, aliás essa era de facto a sua principal característica. Eram palavras que pareciam absolutamente normais, mas que tinham em si algo de muito diferente, algo de maravilhoso. Ou seja, eram o contrário das palavras enganadoras. O facto de conseguir encontrar na sala da minha escola uma ilha encantada transmitia-me segurança. A ilha chamava-se "escola-ola" e nela estava enterrado um tesouro. "


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"Há diversas formas de esquecer e recordar é apenas uma delas"...e recordarei, sem esquecer, o sabor e os aromas silvestres que este livro me deixou nas palavras, nos significados, nos mistérios envolventes e recorrentes em frequentes analepses, envolvendo e descrevendo três gerações de mulheres, uma antiga casa no Norte da Alemanha, o jardim de inverno dominado pela velha macieira, as groselheiras brancas, tudo isto na orla do bosque. Uma sinestesia maravilhosa para os sentidos.
Para além, disso, foi o primeiro livro que li dentro das normas do novo acordo ortográfico.

Obrigado, Gracinda, por este tesouro maravilhoso.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

ATENTADO CULTURAL com...


Sábado (dia 27 de Agosto) foi dia de ATENTADO CULTURAL. "Atentei" com o livro de poemas Ex-Tratos de Água, de Carla Ferreira.
Um pouco ao estilo do projecto internacional do Bookcrossing, a ideia era a de "abandonar" um livro num recanto qualquer, como uma espécie de oferta a um desconhecido. Com as palavras de cada livro, atentar, aguçando o apetite literário, o mais incauto transeunte.
Ofereci o meu a quem o quisesse ler, nuns jardins mouriscos, algures em Carnaxide.
Boas leituras.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Há prazeres que incomodam tanto como as peças de roupa que se despem porque deixam a descoberto a fraqueza do Ser.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

...todas as letras escritas e colapsadas no altar onde se queima o coração poisam em forma de cinza nas nossas almas, e delas é o Dia do outro Dia, daquele que tem raízes na precocidade de o ser antes de Ser… e o existir veste o amanhã como forma imaterial e plástica, onde o Tempo não tem esqueleto que articule logicamente todas as peças de cada corpo…porque cada uma dessas peças se fundem, não só nesse devir, como também se se tratassem de um único e mesmo ser.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

EL SOBREVIVIENTE, por Javier Sicilia

"Toda ausencia es atroz

y, sin embargo, habita como un hueco que viene de los muertos,

de las blancas raíces del pasado.

¿Hacia dónde volverse?;

¿hacia Dios, el ausente del mundo de los hombres?;

¿hacia ellos, que lo han interpretado hasta vaciarlo?

¿Hacia dónde volverse que no revele el hueco,

el vacío insondable de la ausencia?

Hacia ellos, los muertos, que guardan la memoria

y saben que no estamos contentos en un mundo interpretado.

Mas las sombras, las sombras que la interpretación provoca

y nos separa de ellos,

las sombras con su viento todo lleno de la abierta ventana hacia el espacio,

las sombras donde no hay anunciación

trabajan nuestro hueco.

¿Será que ya no hay nada atrás de ellas,

o el oscuro dolor por nuestros muertos

–como el amanecer que empieza a medianoche,

a la hora más oscura de la noche–

anuncia su retorno en el sigilo?

¿No es tiempo de encontrarlos nuevamente

donde nada parece retenerlos,

así el roshi descubre el todo en el vacío que no contiene nada?

Tal vez sí, porque sus voces vienen de lo oscuro,

de su vacío vienen

como un rumor de río en un riachuelo,

como un dulce reclamo imperceptible,

como una tenue estrella entre las sombras

vienen sus voces, vienen desde lejos.

Óyelas, corazón, como sólo los mojes sabían escucharlas

atendiendo en el rezo su incesante llamado

con los pies en la tierra.

Así los escuchaban,

escuchando el arriba y el abajo,

preservando en sus tumbas el suelo que habitaron con nosotros.

No es así que tú puedes escucharlos en el espacio en sombras de un mundo interpretado.

Pero escucha la queja de lo Abierto,

el mensaje incesante, esa advertencia que viene desde lejos,

ese rumor tan suave que casi nadie escucha

y llega a ti de todas las iglesias,

como si en esas piedras, que guardan la memoria de los muertos,

habitara la llama de su estar con nosotros,

de su sola presencia en la resurrección

y descorriera un poco nuestras sombras.

Porque es difícil vivir en un mundo sin ellos,

difícil no sentir a nuestros muertos alimentando las obras de los hombres;

difícil no seguir sus costumbres, que apenas conocimos;

difícil habitar en las sombras

como un alucinado que repentinamente recobra la memoria

para luego volver a su intemperie;

difícil ver aquello que los hacía nuestros flotar en el espacio y diluirse.

Estar vivo es penoso,

y nosotros, nosotros, que los necesitamos con sus graves secretos,

nosotros, que sabemos que no podrán volver a un mundo interpretado,

a veces escuchamos, como un ligero viento, ascender de las sombras

la música primera

que forzando la nada trajo a Eurídice al mundo;

una nota tan tenue, tan pura como el Cirio

que promete su vuelta en medio de las sobras

y nos trae el consuelo."


(Nota: foto de um pormenor na aldeia fantasma do Colmeal - Guarda)