Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Hoje adormeci sobre a noite envolvendo-me nos sonhos aos quais não tenho direito e tapei-me com a miséria de uma alma arruinada. Por dentro, os pássaros dos céus negros caem mortos nos extremos do arco-íris...é que a chuva sem fim, mesmo não parando, deixava entrever o sol fulminante para todos os Ícaros ambiciosos que cruzavam esses mesmos céus.
Hoje, quando adormeci, os sonhos aos quais não tenho direito choraram tempos infinitos as lembranças do porvir e moldaram os seus corpos efémeros aos seus gémeos de oposição, os pesadelos, tornando-se o mesmo barro informe moldado por mãos omnipotentes e cruéis, dispostas a atirar esses sonhos ao chão que todos pisam.
Hoje, não adormeci, pois o meu corpo, apesar de deitado, tinha os olhos abertos para a suposta alma e as luzes amareladas que se acendiam mostraram os cantos arruinados dessa casa que já fora, outrora, uma casa de bonecas.
Hoje, se adormeci, não dei conta que as horas marcaram o seu percurso pois os minutos e os segundos deixaram tatuagens na minha pele, deixaram marcas a ferro e fogo demorado, enquanto queimava o tempo numa caixa de fósforos.
Hoje vou adormecer mais uma noite nas mãos do destino que se chama Eu e vou deixar o meu coração nas mãos a quem pertence...se o amarrotar e deitar fora, tanto me faz, não precisarei dele...se o guardar e acarinhar, tudo me fará, pois será o motivo pelo qual o sono chegará descansado como se fosse uma pequena princesa.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

São as cortinas que anunciam o final do espectáculo e os aplausos encerram mais um dia de vitória sobre a vida. A sobrevivência em estado latente aproxima-se das saídas de emergência que fogem, divergentes, para longe daqui.
Enquanto houver um palco em cima desta vida, a peça será sempre a mesma...só quero encontrar as escadas e descer até ao público e observar a vida passar de outra forma.
E que os aplausos sejam meus.

sábado, 17 de março de 2012

Toda a vida que sopro em jeito de expiração já não regressa com a mesma validade na qual se inspirou.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mini pseudo-crónica de fim-de-semana.

Gostava de saber como adormecem os "nossos" políticos, à noite, ou de madrugada, ou de manhã, ou de tarde, ou seja lá quando for que se deitam...pois adormecidos creio que o andam desde há muitos anos. A sério...gostava de saber se o peso das suas ações corresponde ao peso que deixa a marca na almofada ao outro dia quando acordam...porque deixam marca de cada vez que se levantam decisões no nosso país; pobre almofada, tão cedo não trocada ou lavada.
Em toda a minha inocência e "leiguice" nos assuntos de política, compreendo que governar um país seja um caso extremamente complicado e árduo, mesmo que este nosso país à beira-mar plantado seja apenas um retângulozinho no final (ou no início, dependendo da perspetiva de quem entra!) da Europa. Acredito que as suas mangas, das suas camisas Armani, e afins, seja arregaçadas nas duras reuniões e Consílios de pseudo-deuses menores, e algumas bagadas de suor desfaçam a máscara de serena descontração, semi-rosa, semi-laranja, semi-indefinida.
Lamento imenso que os nossos políticos, por sua vez, também se lamentem dos seus magros ordenados, porque como o exemplo vem de cima, nós que também sofremos do mesmo mal ("ligeiramente" agravado umas centenas de vezes "para baixo"), acabamos por ter que nos lamentar e esta "pescadinha de rabo na boca" não termina a não ser com o rótulo de pieguices.
O nosso país passa a imagem de lenço (não dos namorados, que está aí quase a bater à porta no seu dia altamente americanizado) de assoar e de limpar as eternas lágrimas à custa do esforço de apertar o cinto.

Compreendo que os Bancos tenham de ser auxiliados, em termos de verbas financeiras, pois são eles que guardam os nossos parcos haveres e, supostamente, por sua vez, auxiliam os que mais precisam em horas de aperto, qual Robin dos Bosques engravatado. Compreendo que existam imensas instituições e fundações com o eterno apoio do Estado (Estado esse que reconhece não saber, na verdade, a totalidade dessas mesmas fundações para quem dá dinheiros públicos...entenda-se...o nosso!) pois cheia de boa vontade está o ser humano na defesa das suas causas, nem que seja a da piscina maior na vivenda, a frota de carros novo marca "xpto" e "job`s for the boys".
Sofro imenso com o sofrimento com que este governo se auto-promove no seu pedido de ajuda ao povo que já não tem mais nada para oferecer, para além do suor das suas camisas compradas, provavelmente, nas feiras aos fins-de-semana (enquanto ainda existirem fins-de-semana para comprar camisas e outros acessórios).
Os nossos administradores são um exemplo de ingenuidade perante outros assistentes do governo de outros países europeus que mandam os sem-abrigo ficarem em casa. Nós ainda temos, de facto, as casas, mas as tabuletas de "Vende-se" e "Aluga-se" prolifera, por todo o lado, a olhos vistos, de cada vez que se põe o nariz fora de casa, enfrentando o frio siberiano que parece congelar tudo, até o nosso poder de lucidez das coisas.
Pode haver quem pense que eu estou a ser irónica com estas minhas palavras (moi?!)...mas a verdade, é que amanhã vou estar em Lisboa na manifestação para dar voz ao grito do povo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011


…não tenho horas para cortar a vida em fatias prontas a servir pois faço jejum do Tempo em doses pequenas e espartilhadas ao longo da existência que me deixa sem controlo dos dados do destino no acto da apanha quando são os deuses quem os lançam inadvertidamente sobre as almas e os corpos dos mortais…

terça-feira, 6 de setembro de 2011


Moro ao lado da porta da razão
debaixo das escadas do coração
e quando quero sair porta fora
o corpo corre mais do que a alma
não descanso no outro lado da rua
e quando olho para a minha janela
vejo-me de novo a olhar para mim mesma
como reflexo partido de um velho espelho
não sei se atravesse
não sei se espere um sinal
que deus seja o semáforo providente
que brinca com a nossa loucura
e o diabo o polícia sinaleiro
que nos fecha os olhos e obriga a avançar

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

FORA DA PRATELEIRA: O Segredo dos Caroços de Maçã, de Katharina Hagena.

"Quando era criança tinha um caderno de vocabulário no qual anotava palavras especiais, da mesma forma que coleccionava conchas e pedras especiais. Dividia as palavras em categorias, tais como "palavras bonitas", "palavras feias", "palavras enganadoras", "palavras baralhadas" e "palavras secretas".
Na lista das "palavras bonitas" colocara: cardamina, violeta, alegoria, ginja-garrafal, fruta-pão, espremer, batedor de claras, cotovelo, nuvem. Na lista das "palavras feias" estava: bócio, casco, coto, cera.
As "palavras enganadoras" irritavam-me porque, à partida, faziam-se passar por inofensivas mas depois podiam ser maldosas ou perigosas, como por exemplo "efeito secundário" ou "transplantar". Ou então pareciam ter um efeito mágico, como "salva-vidas" e "berçário" e, depois, para grande desilusão, eram afinal completamente banais. Ou, ainda o seu significado não era claro para ninguém: não existiriam certamente duas pessoas na Terra que dessem exatamente a mesma resposta quando lhes pedissem para descrever a cor "vermelho-púrpura"!
As "palavras baralhadas" eram uma espécie de hobbie. Ou seriam mais como uma doença? Provavelmente ia dar ao mesmo. O "mergulhista de cristão" era um dos meus animais preferidos, bem como "banguru dos cosques" e o "dorto". Eu achava engraçado o trocadilho de letras e de palavras. Conseguia imaginar perfeitamente o aspeto das escadas dos abrigos anti-aéreos, mas o que seriam esbadas dos atrigos anri-talhéreos?
As "palavras secretas" eram as mais difíceis de encontrar, aliás essa era de facto a sua principal característica. Eram palavras que pareciam absolutamente normais, mas que tinham em si algo de muito diferente, algo de maravilhoso. Ou seja, eram o contrário das palavras enganadoras. O facto de conseguir encontrar na sala da minha escola uma ilha encantada transmitia-me segurança. A ilha chamava-se "escola-ola" e nela estava enterrado um tesouro. "


**********************************************************

"Há diversas formas de esquecer e recordar é apenas uma delas"...e recordarei, sem esquecer, o sabor e os aromas silvestres que este livro me deixou nas palavras, nos significados, nos mistérios envolventes e recorrentes em frequentes analepses, envolvendo e descrevendo três gerações de mulheres, uma antiga casa no Norte da Alemanha, o jardim de inverno dominado pela velha macieira, as groselheiras brancas, tudo isto na orla do bosque. Uma sinestesia maravilhosa para os sentidos.
Para além, disso, foi o primeiro livro que li dentro das normas do novo acordo ortográfico.

Obrigado, Gracinda, por este tesouro maravilhoso.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

ATENTADO CULTURAL com...


Sábado (dia 27 de Agosto) foi dia de ATENTADO CULTURAL. "Atentei" com o livro de poemas Ex-Tratos de Água, de Carla Ferreira.
Um pouco ao estilo do projecto internacional do Bookcrossing, a ideia era a de "abandonar" um livro num recanto qualquer, como uma espécie de oferta a um desconhecido. Com as palavras de cada livro, atentar, aguçando o apetite literário, o mais incauto transeunte.
Ofereci o meu a quem o quisesse ler, nuns jardins mouriscos, algures em Carnaxide.
Boas leituras.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Há prazeres que incomodam tanto como as peças de roupa que se despem porque deixam a descoberto a fraqueza do Ser.