domingo, 10 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
É só uma caixa...
Dentro de uma caixa de papelão existia um vácuo enorme que não esperava ser preenchido por nada. Nada havia que o preenchesse. Mesmo que a caixa se revestisse do papel mais bonito entre todos, e dos laços mais fulgurantes, continuaria vazia à partida.
É que o "nada" nunca se consegue preencher de qualquer coisa, porém tem a fantástica habilidade de se disfarçar com qualquer roupagem.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
All I Need
foto de Susana Júlio
O Senhor Sombra, que veio de outro planeta, quando chegou ao nosso perdeu muito tempo à procura do seu corpo.
Vários problemas se lhe depararam: um deles é que todos os corpos lhe pareciam idênticos; outro dos problemas é que todos se vestiam de cinzento.
Para os habitantes deste planeta tal não era encarado como um problema, antes como um hábito.
E o Senhor Sombra não compreendia como é que aqueles corpos não viviam com contrastes.. Formou-se-lhe um nó na garganta que não tinha e esfarrapado de esperanças refugiou-se numa caverna que encontrou por acaso. Estava angustiado.
Lá dentro acotovelaram-se, sem cotovelos, outros Senhores Sombras desermanados dos seus corpos e todos juntos transformavam aquele local numa caverna de Babel. Nada fazia lógica.
O nosso Senhor Sombra decidiu deixar de procurar o seu corpo e, ao invés disso, do fundo da sua caverna, olhou para cima e encontrou o sol. Como Platão uma vez contara há muito tempo atrás.
O seu ser etéreo foi atravessado por miríades de raios de luz, partículas brilhantes de pó flutuante, arco-íris miniaturas de faz-de-conta e um sorriso nasceu-lhe na sombra do seu rosto.
Não olhou para trás quando deixou a caverna.
Assim que um semáforo abriu a luz verde para um mar de gente invadir as estradas negras da rua, o Senhor Sombra sentiu-se repescado como um peixe num anzol e quando olhou para o corpo que se movia da mesma forma que a dele, reparou que também este olhava para o sol.
Debaixo do braço, o Senhor Sombra e o seu corpo levavam um bloco de desenhos. O seu corpo era um estudante de artes e o que mais procurava no mundo cinzento era conseguir ter uma alma colorida para expressar nas telas brancas.
foto de Susana Júlio
O Senhor Sombra, que veio de outro planeta, quando chegou ao nosso perdeu muito tempo à procura do seu corpo.sábado, 19 de janeiro de 2013
Chegaste quase ontem"...
Nem cedo nem tarde
À Hora certa de quem nem abre a porta nem a fecha
Mas entreabre o destino com a chave na outra mão
Que a esconde atrás de si.
"Chegaste quase ontem"...
Quando hoje é já Passado
marcado nos caminhos assinalados
de mapas-guias do futuro:
as cores que brilham nestas palavras
são os códigos que despertam
todo o sentido original da Vida.
Assim, sim, chegaste.
foto por Susana Júlio
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Não há maior feitiço do que a palavra.
Não há nada maior do que o ego encolhido dentro de um corpo mirrado.
Não há nada pior do que uma alma arrastada pelo quotidiano amarrotado de um bolso esquecido.
Não há nada mais grandioso do que gastar a vida no não saber viver para sempre enquanto a vida acontece a todo o momento.
Fuck society.
sábado, 15 de setembro de 2012
Trocam-se panos de misérias por corpos novos que vistam outros trapos e outras roupas deixadas ao abandono de lojas assombradas que pairam as suas portas abertas sobre as ruas molhadas de Inverno.As receitas para se ser feliz já não são passadas porque deus demitiu-se do seu papel de médico, aliás, demitiu-se da sua própria criação e passou a ser apenas o empregado de balcão que serve o álcool para afundar as mágoas de quem passa pela vida. As pessoas acotovelam-se, moribundas, nas autoestradas que rasgam a existência até à última saída que é a morte.
Aqueles que seguem os desvios parece que encontraram a felicidade mas, logo a seguir, vêem-se de novo nessa autoestrada, a carpir as mágoas e os desesperos que se amontoam como os tais trapos de misérias.
Trocam-se...sim...como a água e o pão...como o sangue e como o corpo de um profeta qualquer que deixou palavras agora deturpadas que nem ecos são do que outrora foi dito.
Sonhei com uma nova religião em que o Homem deixou de ser o centro individual de si mesmo e a Natureza passou a ser respeitada como a única força motora capaz de provocar desde a vida à morte o movimento e a paragem...a glória e o martírio. Sem passados nem futuros, sem projectos e sem abandonos, sem causas nem consequências. O que é...apenas é. Nada mais do que isso.
E o melhor nisto tudo...é saber que se pode fechar os olhos e fugir de si mesmo.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
...no sentir falta de mim mesma compartimentam-se gavetas vazias e descuradas onde o pó do rasto das palavras não se limpa, antes se acumula nas frinchas das frias ausências, das mãos que não voltaram, dos dedos que não tocaram, das letras que não se trocaram...
...sou um desenho de Dali de gavetas fechadas, armário descontente e contente, que se organiza no conforto do dia-a-dia, pessoa que não se vê enquanto a roupa molda a presença instável do ser.
...mas ala que se faz tarde...o caminho apresenta-se na frente emoldurada de dias melhores...porque os piores foram a tempestade que varreu a estabilidade desse ser...que secou as folhas dessa árvore, que arrancou as raízes da lógica e do sentido...e agora, apenas paira na sobrevivência diária como pena leve que nunca chega a cair...
Porque sabe que o chão é mesmo ali embaixo...
domingo, 29 de julho de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
?
ultrapassei os alicerces da vida e perdi-me em casa
onde habitavam vislumbres de arco-íris com finais felizes
reina o crepúsculo das últimas flores de enxofre
respirando o corpo intocável do medo
essa casa desfaz-se como uma catedral de loucura
em que todas as horas mantêm-se iguais
ao mesmo tempo que ignoro onde estou
por vezes, a memória doutros dias chega-me de imagens fixas
e desejo que a vida germinasse de repente
no zénite da noite
sorrateira e delirante
de modo a que todas as imagens se tornassem meros resíduos
visões longínquas de uma qualquer catástrofe
no entanto o que me segreda ao ouvido
é o quanto esta solidão está intacta
e a memória não me falha
quando corro os dedos sobre a lâmina de vidro quebrado
descolorido e assustado
pela precariedade da alegria
a paixão pelo sangue
e a sua fertilidade deste lado
e sinto que nada aprendi
enquanto tudo perdia
são estes os meus ofegantes momentos
enquanto a respiração sufocada da cidade
ataca a febre que começou em mim
onde habitavam vislumbres de arco-íris com finais felizes
reina o crepúsculo das últimas flores de enxofre
respirando o corpo intocável do medo
essa casa desfaz-se como uma catedral de loucura
em que todas as horas mantêm-se iguais
ao mesmo tempo que ignoro onde estou
por vezes, a memória doutros dias chega-me de imagens fixas
e desejo que a vida germinasse de repente
no zénite da noite
sorrateira e delirante
de modo a que todas as imagens se tornassem meros resíduos
visões longínquas de uma qualquer catástrofe
no entanto o que me segreda ao ouvido
é o quanto esta solidão está intacta
e a memória não me falha
quando corro os dedos sobre a lâmina de vidro quebrado
descolorido e assustado
pela precariedade da alegria
a paixão pelo sangue
e a sua fertilidade deste lado
e sinto que nada aprendi
enquanto tudo perdia
são estes os meus ofegantes momentos
enquanto a respiração sufocada da cidade
ataca a febre que começou em mim
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