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domingo, 17 de janeiro de 2010

Enquanto o Diabo peca Atrás do altar
Deus veste as asas de um anjo qualquer
Deixa a sua casa abandonada
Mas quem entra não vê nada
Para além da cegueira terrestre
As preces são outra forma de ilusão
De quem tenta superar a Vida
E quando o Anjo bate à porta
Da alma de cada um
Vestimo-la da cor que queremos
O meu Anjo Negro
Ao esquecer as chaves em casa
Visitou-me nesse altar.
Era eu quem estava a pecar:
Deus e o Diabo no mesmo rosto.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

OBITUÁRIO: LHASA DE SELA (1972-2010)

Folheava as páginas do Expresso, assim numa primeira tímida abordagem (antes de uma voraz leitura) quando encontro a notícia do falecimento desta diva da música: LHASA DE SELA. Tive uma espécie de baque...como se fosse uma daquelas coisas inesperadas que pensamos nunca vir a acontecer a qualquer um de nós, ou a alguém próximo de nós. Era um das artistas que esperava ver actuar ao vivo em Portugal (sei que já actuou, mas eu nunca tive o privilégio de assistir).
Infelizmente, faleceu na primeira noite de Janeiro. Cedeu à luta contra o cancro da mama; luta essa que já travava há 21 meses. Esta diva nova-iorquina (criada entre os EUA e o México) legou-nos uma voz de timbre grave e intimista, acompanhando suaves melodias cheias de significados fortes e de palavras densamente poéticas. Era a mulher que acreditava em lendas e em milagres...ficam três álbuns que valem a pena constar das nossas discotecas.Só lamento, de facto, não existirem milagres de modo a que esta cantora não se torne a lenda, mas sim continuasse a ser a mulher de carne e osso, de alma e de voz, entre nós, cantando e encantando, como só ela o sabia fazer.

Enquanto te perdias na névoa cinzenta
Eu seguia a tua voz cintilante
Como se fosses tu o farol num dia de tempestade
Em que eu tentava lançar âncora à vida.
Os fios das palavras ligavam-nos
Tenuemente
Pequenas lágrimas de gelo
No degelo das eras.
Mas o mar que nos movia
Era imenso entre os cantos da vida.
Alma demasiado grande
Para ser contida num só mundo.





sábado, 9 de janeiro de 2010

Existem sombras geladas por detrás de cada palavra dada no caminho por semear...salto entre linhas enquanto espreguiço os ramos acesos de fogos interiores por entre letras-combustíveis de textos castigados por uma Neo-Inquisição. Revolto-me em labaredas de corpo dançante enquanto solto nuvens dos cabelos como se fossem sonhos fugindo à frente de cavalos lançados por entre ondas gigantes, abraçando em fúria toda a terra.Mais cedo ou mais tarde todos os textos construídos cairão como peças de dominó perante tudo o que já foi dito. Esgotados como as forças da própria Terra, a compreensão da própria existência deixará o seu sentido ao acaso... ...como eu...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Esta capa de Inverno que me cobre deixa-me estéril de palavras redentoras sobre o que supostamente vive dentro de mim. Ou nos outros. Mesmo que a capa dos outros não seja capa, apenas o corpo. E como não me alimento do corpo procuro o sangue. De tal modo que me faça renascer a alma em cada uma das palavras, sem que seja necessário esconder-me do dia, vestindo-me apenas da noite. Sem que tenha de pendurar a alma cansada e gasta de palavras no céu da noite...de cada vez que olhar lá para cima, entre tanta escuridão...não a encontro. Mas é lá que moram as estrelas, eu sei. E é por isso que repito esse gesto exausto, todos os dias e todas as noites...mesmo sem palavras...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010 EM GRANDE PARA TODOS VÓS!

"We will open the book. Its pages are blank. We are going to put words on them ourselves. The book is called "Opportunity" and its first chapter is New Year's Day. "
Edith Lovejoy Pierce

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

NA TELA DA TEIA: 3 em 1!

AVATAR
Podemos falar de cinema pré-AVATAR e em cinema pós-AVATAR. De facto, nada iguala a grandeza e novidade de realização cinematográfica trazida por James Cameron com este filme. O 3D facilita a entrada nesse novo mundo que torna a perspectiva do filme como mais um momento no qual estamos integrados. E preparem-se que, no futuro, de certeza que teremos as famosas marcas de óculos de visão e de sol a vender óculos para filmes 3D, ao gosto de cada um. O cinema após o Avatar, tal e qual como tem sido até então, tornar-se-á obsoleto. A história apresenta um perfil marcadamente americano, cuja acção centra-se num fuzileiro paraplégico que é levado para outro planeta, chamado Pandora, numa investigação científica de estudo dos nativos locais: os Navi (uma raça humanóide, com a sua própria língua e cultura). Este fuzileiro adopta um avatar para si mesmo, que o representará nesse meio, no qual se irá integrar, aprendendo língua, costumes e, ironicamente, um pouco mais do que é ser humano. O objectivo verdadeiro da missão estende-se a uma empresa privada terráquea, que pretende extrair um minério poderoso, de modo a fazer fortuna na Terra. Altos valores e e defeitos humanos vão estar em destaque: o respeito pela Natureza (fauna, flora) versus a desmesurada ambição humana (que pode levar à destruição de um planeta). Portanto, a mensagem ecológica é clara, a acção do filme não é inovadora mas as técnicas de filmagem são fabulosas. A não perder em 3D! (P.S.: É aconselhável não escutar a música final do genérico a ouvidos mais sensíveis a músicas lamechas do género Céline Dion...um ponto negativo, James Cameron!)

PANDORUM Um conto de ficção científica, e terror, que nos pinta um ambiente escuro, claustrofóbico e assustador (em jeito de “novo Alien”) dentro de uma nave (Elysium), em direcção a um novo planeta com condições semelhantes ao planeta Terra: Tanis. A humanidade abandona a Terra, após milénios de degradação e exploração exarcebada do planeta. Após uma viagem de cento e tal anos, em que a tripulação está mantida num sono criogénico, dois tripulantes acordam, sem terem lembranças de nada. A acção centra-se na sobrevivência e na composição do puzzle que os poderá orientar sobre a verdadeiro destino da nave, ao mesmo tempo que têm de ser capazes de sobreviver perante as novas adversidades que foram nascendo ao longo desses anos no interior da nave: uma nova espécie mortal. Ninguém está sozinho… e a realidade é sempre mais do que as aparências revelam. Muito bom. Mais uma chamada de atenção ao que se anda a fazer ao nosso planeta!!

A ONDA
Saímos da ficção científica e passamos para um filme baseado em factos reais, decorridos na Alemanha. Numa escola de ensino secundário, um professor de História avança com uma experiência numa turma que se inscreveu nos projectos semanais oferecidos pelo estabelecimento. O professor inicia a aula perguntando:” É possível que o totalitarismo volte à Alemanha?”. Os alunos discordam… o seu país está mais civilizado e seria impossível as pessoas dos dias de hoje aderirem a este conceito. O tema é o reflectir sobre o que é a autocracia e fascismo. Da ideia passa-se à acção num instante; e a turma, unindo-se como um grupo coeso, com um código próprio (desde a forma de vestir à forma de estar), passa a ser espelho do que é estar a ser orientado por um regime ditatorial levado às últimas consequências. O pensamento totalitário invade as mentes dos alunos desta turma, extrapolando para fora do estabelecimento escolar. Perto do final do filme, o professor volta a fazer a mesma questão…e a resposta terá sido dada durante todo o filme. Altamente aconselhável. (P.S.: Eu quero escolas como aquela aqui em Portugal: em termos arquitectónicos são fabulosas!).

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL!

Acima de tudo, muita saúde, muito amor, muita alegria e muita harmonia...que isto não é uma época de "stress" (como se vê muitas vezes à custa das compras das prendas de Natal!!)...é de aproveitar o calor humano e os laços que se estendem mais calorosos entre nós todos. Tudo de bom para vocês!!

"Quando cai neve


Quando cai neve
Dizem que é Natal
E que vão chegar as prendas
Pobre de mim
Que vive ao pé do mar
Onde o sol desfaz as lendas
Refrão
Dling, dling, dlão, dling, dling
Dling, dling, dlão, dling, dling
Dizem que o sol
Para não se constipar
Se esconde aqui pertinho
Vou logo à noite
Sem o acordar
Vesti-lo de branco lindo
Refrão
Dling, dling, dlão, dling, dling

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NATAL...dos hospitais?!

Esta é uma história muito simples em jeito de desabafo. Daquelas que qualquer pessoa que leia de certeza que já passou por situações semelhantes. Não começa por "Era uma vez..." porque são inúmeras as vezes e não sei onde teve início ou se alguma vez terá fim. Ultimamente, tenho sido uma quase assídua frequentadora do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Devo acrescentar infelizmente, como é óbvio. A parte que eventualmente poderá ser mais feliz é porque não tem sido por minha causa. Acompanho pessoas da minha família, como o meu pai por exemplo, que tem sido "agraciado" com pulseira vermelha de cada uma das vezes que aparece lá. Algumas coisas ficam gravadas na nossa memória e muitas delas nem se passam directamente connosco. Numa das vezes, enquanto acompanhava o meu pai, num dos átrios interiores, para uma rápida visita, reparei (assim como diversos utentes) que um idoso, numa das macas, tentava virar-se. Como não estava a consegui-lo sozinho o acto estava a sair-lhe muito mal e estava em vias de queda. Uma enfermeira próxima dele assistia impávida e serena. Depois de sucessivas chamadas de atenção a essa mesma enfermeira, e como ela continuava sem se mexer, olhando de uns para os outros, uns quantos utentes lá se levantaram a acudir e a ajudar o senhor. Conversa da enfermeira: "Não podia fazer nada. Eu sou do piso 1 e não das urgências!"...mas o que é isto?! Não se estava a pedir para fazer uma intervenção cirúrgica! Apenas se pediu ajuda para outra pessoa à sua frente! Uma coisa que se costuma escutar vezes sem conta, são as respostas secas e rápidas destes profissionais da saúde quando alguém lhes solicita alguma coisa:
-" Já vai!";
-"Ai isso não é comigo, é com a Doutora.";
- "Agora não, estamos muitos ocupados.";
- "Tem de aguardar mais um pouco, estamos com falta de pessoal".
Isto são algumas das expressões mais correntes...sim, "Já vai" e o meu pai teve de esperar quatro horas por um pouco de água porque estava imóvel numa maca (após outras quatro horas de quase inconsciência!). E bebeu água, sim: em casa. "Agora não, estamos muito ocupados." quando passo por alguns desses mesmos corredores e vejo num dos gabinetes um "Kit Kat" entre um médico e uma enfermeira, em que ambos, comodamente sentados, falavam "naquela com quem saíste ontem à noite" ou "naquele a quem já telefonaste". Quando recebeu alta (e mesmo sem quase se conseguir levantar, esqueceram-se dele numa sala, assim como de entregar os exames que tinha realizado! Tive de ir "incomodar" a pobre da médica que o acompanhou no segundo turno! A expressão dela era do género:"Que coisa! Mas para que é que estas pessoas querem saber os resultados dos exames, e o porquê de ficarem assim doentes, não é?!" Depois, como deve haver mesmo falta de pessoal (visto que as prioridades do nosso governo não são mesmo a Saúde e a Educação), tem de se esperar, na enorme mas apinhada sala de espera (apenas com uma casa-de-banho!) por informações sobre os respectivos familiares que , como no meu caso, entra à hora de almoço e sai às tantas da madrugada, segundo um horário adequado às necessidades do hospital. Ou seja, de manhã e de tarde há o período de uma hora para se requisitar informações sobre os doentes. Das cinco e meia da tarde até à meia noite temos de aguardar, sem saber nada dos mesmos (se está melhor, se pior, se fica internado...)...nem vou comentar a ausência de informação durante toda a madrugada... Sei que é triste escutar as pessoas dizerem:"Ir ao hospital, eu?! Irra, mais vale ficar doente!"
Nem tudo é uma "Clínica Privada" ou corresponde à "Anatomia de Grey"...isso, é a brincar...como quem diz: "Vamos brincar aos médicos e às enfermeiras!".