sexta-feira, 20 de março de 2015

VAMOS AJUDAR A BEATRIZ?

A Beatriz tem o Síndrome de Rett: as crianças com síndrome de Rett gradualmente perdem a capacidade de falar e de usar as mãos propositadamente. No lugar deles, movimentos repetitivos e involuntários das mãos começam a aparecer. Neste estágio, algumas crianças com síndrome de Rett costumam segurar a respiração ou respirar rápido demais, além de gritar ou chorar sem motivo aparente. Muitas vezes é difícil para elas se moverem por conta própria.
Com o passar dos anos, os problemas com movimentos continuam, marcada pela mobilidade reduzida, fraqueza muscular e escoliose. O entendimento, as capacidades de comunicação e de movimentação das mãos geralmente não pioram durante este estágio. Na verdade, os movimentos repetitivos da mão podem até mesmo diminuir. No entanto, o risco de morte súbita é maior nessa fase.
É uma doença degenerativa, muito incapacitante.

A Beatriz começou a fazer algumas sessões de hipoterapia na APTEC (Sobreda). Cada mês de sessões custa 120€, um peso orçamental que os pais, infelizmente, não conseguem sustentar. Podemos ajudar...pelo menos, aquele café que bebemos todos os dias...outros montantes que possam doar...o mínimo que seja. Será disponibilizado, em breve, um NIB (da APTEC) para abrir a conta de pagamento para as sessões da Beatriz. 
Ela já fez algumas e revelou algumas melhorias. 
Apelo à vossa boa vontade, solidariedade, em tempos em que todos nós estamos a precisar, é verdade. Também ajuda partilharem e divulgarem esta página, site, ao máximo. "O céu é o limite", não é o que dizem? Se tiverem outras ideias de como poderemos obter mais ajuda informe-nos! Grata. smile emoticon

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quem é bárbaro afinal?

O relativismo cultural teve sempre uma grande importância prática, ou seja, lutar contra o etnocentrismo, o imperialismo e o colonialismo, dizendo, afinal de contas, que todas as culturas têm o mesmo direito de viver e, portanto, de serem preservadas. Nada contra essa noção puramente prática do relativismo cultural, que é uma maneira de defender a igual dignidade de todas as culturas. Mas, do ponto de vista teórico e, consequentemente, de alguns pontos de vista práticos, o relativismo tem três limites que estão inter-relacionados. O primeiro limite é que para o relativismo cultural tudo é cultura. Ou seja, um acto, uma prática, ou um valor, desde que seja feito ou exprima algo que pertença a um determinado povo, e apareça como uma expressão da cultura dele, a partir desse momento, então, não dá para mais julgar, porque isso faz parte da cultura desse povo.O segundo limite é que, justamente, o relativismo cultural leva ao relativismo moral, isto é, tudo se equivale – o bem e o mal, o facto da mutilação, de vender crianças como mercadorias, por aí fora – porque, se faz parte da tradição de um povo, então é uma boa maneira de defendê-la, e ponto final. Aí o relativismo moral conduz a uma espécie de relativismo político, porque não se pode agir contra algo de uma cultura determinada, já que faz parte da cultura deles. O terceiro limite é que o relativismo cultural não leva em conta que, em qualquer sociedade, em qualquer momento da história, existem contradições dentro dessa sociedade, dentro dessa cultura. Uma prática que pode ser, para nós, uma pura expressão da cultura deles, na realidade, nessa mesma cultura, pode ser contestada de vários modos. Mas como as críticas internas a essa cultura poderiam ter o nosso apoio se, para nós, se trata apenas de um relativismo cultural!?
Para além das posições do etnocentrismo cultural, para quem o bárbaro é sempre aquilo que caracteriza a outra cultura diferente, e para além das posições do relativismo, que impedem qualquer juízo moral sobre outras culturas, como, então, no seu entendimento, é possível e correcto definir o bárbaro?
À primeira vista, podemos simplesmente dizer que é bárbaro quem não acredita na barbárie. Igualmente, é bárbaro quem acredita que existe uma oposição absoluta entre a civilização, que ele mesmo representa, e a barbárie, que é o outro. Então, acreditar numa noção absoluta de barbárie, oposta à civilização, já é o começo da barbárie. No entanto, isso pode muito bem levar ao relativismo cultural. E como escapar disso? Só existe uma maneira de definir a civilização e, portanto, a barbárie. A civilização é a possibilidade de uma cultura conviver com uma outra cultura. Ou seja, um momento histórico, ou uma sociedade, são civilizados quando podem aceitar a diversidade de culturas dentro do seu próprio modo de representação interna, e levando em conta que elas podem conviver com outras. A civilização é, meramente, a possibilidade da existência da diversidade de culturas. Quanto ao bárbaro, ele é aquele que não pode suportar a existência de uma outra forma de humanidade – que não seja a que ele conhece –, ou seja, tudo o que não é absolutamente parecido com ele mesmo não é humano. Essa seria a definição da barbárie e aplica-se aos conquistadores, por exemplo, que não acreditavam que os índios poderiam ser homens; aplica-se aos nazis, que acreditavam que os judeus ou os ciganos não eram homens. Essa é a única forma absolutamente incontestável de barbárie.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

no parque de estacionamento vazio dos teus pensamentos arranjei um lugar permanentemente só meu enquanto foste às compras num universo algures perto deste mundo e encontraste uma fila de espera do tamanho de uma frase longa de se dizer e eu fiquei de porta aberta a uma espera inesperada de uma hora qualquer sem aviso de recepção como se fosse uma carta perdida noutra caixa de correio errada sendo que as palavras ficam, ainda, por dizer


terça-feira, 29 de outubro de 2013

...carros, pedras, passos, cigarros, encontros, desencontros, palavras, esquinas, estradas, passadeiras, cafés, esplanadas, vozes...autênticos supermercados explosivos de pessoas que aumentam o volume de vida no bulício intranquilo da Cidade e da Hora que nos marca compassadamente à medida que o sol e a lua se revezam nos altos céus da mediocridade...
...e quando se consegue, como é bom só sentir a chuva cair simplesmente na tela do guarda-chuva e não pensar em mais nada...

sábado, 7 de setembro de 2013

a máquina da vida pregou-me uma partida e eu pensei que estava presa na morte e enquanto chorava o riso congelou para sempre no que essa mesma vida fora
a máquina da vida tem poucas engrenagens e as ferramentas para as arranjar já não se fazem
quando parar, a máquina da vida, passa a ser humana

domingo, 21 de julho de 2013

Não vemos, não sentimos, não queremos ou só queremos, não pensamos, desejamos, outras vezes sentimos, escadas abaixo do alto da alma que se encosta no segundo andar de um corpo já por si em queda permanente.
Não compreendemos, não aceitamos, não renovamos, matamos, outras vezes ressuscitamos, coração aberto e alado fora desse corpo que já caiu entretanto.
Ninguém vê, ninguém aceita, ninguém compreende. Átomo contra átomo apenas. Caos depois da ordem. Colisão após colisão. Acasos da vida. Escadas acima e escadas abaixo. Corpos caídos do alto da alma. E há alguém que pensa que deus vê. Há alguém que pensa que deus tem olhos, tem boca, tem palavras, tem emoções, tem dedo castigador. 
Eu penso que os olhos são nossos, a boca é nossa, as palavras são nossas, as emoções são nossas e o dedo que se aponta também é nosso.
Somos o carrossel que parte do final no eterno retorno de um indivíduo que quer acreditar em alguma coisa para fugir da sua culpa.

terça-feira, 16 de julho de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Às vezes esqueço a alma em casa
E deixo o corpo sair à rua
Não dando conta do real tamanho da solidão
De todos os outros corpos sem almas
Pois estas costumam deixar-se em casa
Fechadas, sozinhas, quase abandonadas
Porque o tempo lá fora é de assalto à mão armada
Em busca de outras almas maiores
É que há um Banco Internacional onde estas se guardam 
E que mais parece ser uma prisão
Cada corpo que lhe aparece
Raramente costuma servir
Nada feito. É sempre assim
Corpo sem alma. Alma sem corpo.
Não há possibilidade de negócio
Não há solução de encontro
E eu que às vezes esqueço a alma em casa
Deixo o corpo massificar-se com os outros 
Gosto de parecer mais um qualquer
Gosto de não sentir o que quer que seja
Gosto de não antecipar o momento e a esperança
Gosto de esperar a dose e a medida
Que vão certas neste cesto de ilusões
A vida é uma maça envenenada
Com uma doce mordida no final.