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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NATAL...dos hospitais?!

Esta é uma história muito simples em jeito de desabafo. Daquelas que qualquer pessoa que leia de certeza que já passou por situações semelhantes. Não começa por "Era uma vez..." porque são inúmeras as vezes e não sei onde teve início ou se alguma vez terá fim. Ultimamente, tenho sido uma quase assídua frequentadora do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Devo acrescentar infelizmente, como é óbvio. A parte que eventualmente poderá ser mais feliz é porque não tem sido por minha causa. Acompanho pessoas da minha família, como o meu pai por exemplo, que tem sido "agraciado" com pulseira vermelha de cada uma das vezes que aparece lá. Algumas coisas ficam gravadas na nossa memória e muitas delas nem se passam directamente connosco. Numa das vezes, enquanto acompanhava o meu pai, num dos átrios interiores, para uma rápida visita, reparei (assim como diversos utentes) que um idoso, numa das macas, tentava virar-se. Como não estava a consegui-lo sozinho o acto estava a sair-lhe muito mal e estava em vias de queda. Uma enfermeira próxima dele assistia impávida e serena. Depois de sucessivas chamadas de atenção a essa mesma enfermeira, e como ela continuava sem se mexer, olhando de uns para os outros, uns quantos utentes lá se levantaram a acudir e a ajudar o senhor. Conversa da enfermeira: "Não podia fazer nada. Eu sou do piso 1 e não das urgências!"...mas o que é isto?! Não se estava a pedir para fazer uma intervenção cirúrgica! Apenas se pediu ajuda para outra pessoa à sua frente! Uma coisa que se costuma escutar vezes sem conta, são as respostas secas e rápidas destes profissionais da saúde quando alguém lhes solicita alguma coisa:
-" Já vai!";
-"Ai isso não é comigo, é com a Doutora.";
- "Agora não, estamos muitos ocupados.";
- "Tem de aguardar mais um pouco, estamos com falta de pessoal".
Isto são algumas das expressões mais correntes...sim, "Já vai" e o meu pai teve de esperar quatro horas por um pouco de água porque estava imóvel numa maca (após outras quatro horas de quase inconsciência!). E bebeu água, sim: em casa. "Agora não, estamos muito ocupados." quando passo por alguns desses mesmos corredores e vejo num dos gabinetes um "Kit Kat" entre um médico e uma enfermeira, em que ambos, comodamente sentados, falavam "naquela com quem saíste ontem à noite" ou "naquele a quem já telefonaste". Quando recebeu alta (e mesmo sem quase se conseguir levantar, esqueceram-se dele numa sala, assim como de entregar os exames que tinha realizado! Tive de ir "incomodar" a pobre da médica que o acompanhou no segundo turno! A expressão dela era do género:"Que coisa! Mas para que é que estas pessoas querem saber os resultados dos exames, e o porquê de ficarem assim doentes, não é?!" Depois, como deve haver mesmo falta de pessoal (visto que as prioridades do nosso governo não são mesmo a Saúde e a Educação), tem de se esperar, na enorme mas apinhada sala de espera (apenas com uma casa-de-banho!) por informações sobre os respectivos familiares que , como no meu caso, entra à hora de almoço e sai às tantas da madrugada, segundo um horário adequado às necessidades do hospital. Ou seja, de manhã e de tarde há o período de uma hora para se requisitar informações sobre os doentes. Das cinco e meia da tarde até à meia noite temos de aguardar, sem saber nada dos mesmos (se está melhor, se pior, se fica internado...)...nem vou comentar a ausência de informação durante toda a madrugada... Sei que é triste escutar as pessoas dizerem:"Ir ao hospital, eu?! Irra, mais vale ficar doente!"
Nem tudo é uma "Clínica Privada" ou corresponde à "Anatomia de Grey"...isso, é a brincar...como quem diz: "Vamos brincar aos médicos e às enfermeiras!".

7 comentários:

Teté disse...

Pois é, Su, infelizmente os hospitais públicos portugueses funcionam muito mal. E não é só o de Almada, o de Amadora-Sintra segue o mesmo caminho: aqui há cerca de 3 anos a minha sogra esteve lá 12 horas!!! E a única coisa que comeu foi um iogurte, que foi o que a minha cunhada lhe conseguiu arranjar...

Enfim, é uma tristeza adoecer nesta terra. As melhoras para o teu pai, amiga.

Beijinhos!

Ana Paula disse...

Olá querida, passei pra desejar um Feliz Natal e um maravilhoso início de ano!!!!! Mil beijocas e fique com as bençãos de Deus!

Joana Carmo disse...

Olá Su!!!
Pois é, infelizmente é a realidade do nosso país!
Olha q o meu avô teve dois derrames e na altura teve um ataque de epilepsia associado ao derrame e teve q ir p o hospital....a minha mae pediu por favor p ficar la c ele p ele n ficar sozinho....pois a enfermeira disse "não se preocupe que eu fico com ele, fico ao lado dele..." insistiu tanto q a minha mae convenceu-se e confiou que ela e combinou q no dia a seguir estava la p ir buscar o meu avô...n vais acreditar....no dia seguinte a minha mae chegou la e o meu avô queixava-se de dores no corpo e qnd a minham mae viu tava td pisado de um lado do corpo...sabes o que aconteceu? tinha caido abaixo da cama, n sabemos se foi outro ataque ou se caiu sem querer, pk na altura cm tava c derrames a memória apagou-se durante aqueles dias....e porque a besta da enfermeira n teve cuidado e n ficou ao pé dele....bem, a minha mae passou-se, fez um escandalo no hospital!!!
é uma vergonha o pais que temos!

beijinho* Feliz Natal******

Joana disse...

Um grande beijo e feliz Natal para ti e para os teus. Muita saúde!

Joana Carmo disse...

Olá Su!!!
Olha recebeste o meu mail c as dimensoes das malas?

beijinho*****FELIZ NATAL***********

©carmen zita disse...

Infelizmente é mesmo assim. Um grande beijinho para o teu Pai e para toda a tua família. Dias melhores para vós.

Porcelain Doll disse...

Ai, linda... infelizmente também eu conheço mais do que o que gostaria os corredores desse hospital... as urgências é com frequência sempre a mesma macacada... :( Acho que os culpados de muita coisa também são os funcionários que se comportam como funcionários públicos que se o são em termos da lei, não o deveriam ser noutros termos... :( Tristeza, e custa tanto ver as pessoas doentes, fragilizadas, não terem um tratamento digno... :( E revolta e dá cabo de nós quando é da nossa família e amigos que se trata... enfim; mas depois também há o reverso da medalha... sabes que foi aí, no Garcia da Horta, na Unidade de Cuidados Intensivos, salvaram a vida à minha avó de uma vez e ao meu avô de outra... :) Eu acho que também vai muito das PESSOAS que desempenham os serviços... tem de ser com o coração e as pessoas esquecem-se disso às vezes... outras, quer no ensino quer na saúde, continuam a desempenhar o seu serviço com o mesmo sentido missionário de sempre... é a esses últimos que eu luto por pertencer... apesar de todas as machadadas que uma pessoa leva... :(

Estava um pouco preocupada, linda; folgo em saber que o teu pai teve alta rapidamente... :)

Beijos, amiga querida... e as rápidas melhoras para o papi! :)