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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

POR TERRAS CASTREJAS...A VOZ DOS CELTAS!

Aconteceu o Gerês…na sua existência mais poderosa à face da terra; aconteceu o deslumbramento perante a força da natureza conjugada à beleza para participarem na criação deste magnífico espaço. Um dos paraísos perdidos (por enquanto) do nosso país. Partimos em busca da cascata e lagoa da Dulce Pontes, curiosamente com este nome devido à escolha, desta artista, em aí tomar banho! Portanto, numa descida de quase 40minutos a pé a partir da aldeia de Celas, até ao vale, encontramos este recanto natural delicioso. Digno de um Novo regresso à Lagoa Azul! E de regresso, mas agora ao caminho, retomamos marcha até Pitões das Júnias, onde nos esperava, com a persistência de quase 12 séculos (supõe-se!), as ruínas isoladas do Mosteiro de Santa Maria de Júnias, que nos conduziram em mais uma inóspita caminhada. Ao descermos em direcção ao vale onde se situa o dito mosteiro, acompanha-nos o som de mais uma ribeira…sinal de que as ruínas estão próximas. Avistamos as primeiras pedras e a primeira impressão é de assombro (o horror e o belo confundindo-se intrinsecamente). Rodeando parte do mosteiro encontrava-se um cemitério onde o antigo e o actual se misturavam: eram visíveis inúmeras saliências de sepulturas que atestavam a sua antiguidade (supostamente dos monges que aí habitaram) coexistindo com túmulos actuais, visitados por flores artificiais e velas acesas. Percorrendo o mosteiro, encontra-se, ainda, a igreja intacta (com telhas novas), sendo que a parte traseira do mesmo está em ruínas. Nelas destacamos o conjunto de arcos, outrora uma parte superior do interior do mosteiro e que agora se encontra por terra;e um sistema de aproveitamento de água através de canais escavados na rocha onde, passados inúmeros séculos, a água pura e cristalina do Gerês ainda corre. Voltando ao ponto de partida, tomamos rumo para outro ponto importante de Pitões das Júnias: uma grandiosa cascata com direito a um recente miradouro, antecedido por 1km de escadas em madeira.
O dia ia já a meio quando entrámos em terras Galegas, sendo o nosso primeiro destino o Castro de Santa Tegra, este situa-se num topo do monte com o mesmo nome, onde se pode avistar o encontro do rio Minho com o oceano Atlântico: a fronteira natural que separa Portugal da Galiza.
Passando La Guardia iniciamos a subida ao monte, onde a meio deparamo-nos com uma enorme fila de automóveis, sendo-nos perceptível um pouco mais tarde que a causa era uma pequena portagem de 80 cêntimos por pessoa, que justificavam a subida ao castro e ao museu já fechado! Chegados então ao castro, a sensação que nos transmite é indescritível, uma autêntica viagem no tempo onde os ecos de uma cidade outrora imponente se manifestam, ainda, no presente, de modo a adivinharmos o modo de vida que levariam. Inúmeras casas circulares e algumas rectangulares estendendo-se pela encosta acima do monte; testemunhos de uma grande citânia. “Quanto à vida do povoado, todos os dados coincidem em apontar a sua ocupação durante o último terço do século I a C e o abandono da sua maior parte nos finais da I d. C.; isto é, que parece levantar–se pouco a pouco da integração destas terras no império romano”. No entanto, é impressionante a quantidade de cruzes católicas e elementos cristãos (Via Sacra e a ermida de Santa Tegra) como que a querer apagar a presença pagã destes povos celtas. De regresso à estrada, passamos por Oia onde visitámos o Mosteiro de Oia. A sua construção iniciou-se no séc. XII e assemelha-se a um castelo-fortaleza, sendo localizado mesmo à beira-mar, é o único mosteiro de ordem de Cister que possui estas características. Também não podemos esquecer que este mosteiro foi usado na guerra civil espanhola como prisão e campo de concentração, trazendo à memoria os tempos em que também foi aproveitado na Inquisição. A próxima paragem foi Baiona, a cidade que ficou conhecida como uma antiga zona de piratas, que aproveitaram a cidade devido ao seu magnífico porto; e que no séc. XV assistiu à chegada da caravela Pinta, tornando-se no primeiro porto Europeu a ter o conhecimento da descoberta da América.Prosseguindo a nossa rota, parámos em La Toja, onde o ponto de interesse é uma igreja totalmente coberta de conchas. Seguindo um pouco mais a Norte chegamos à localidade de Cambados, provavelmente um dos nossos locais preferidos, a igreja de Santa Marina Dozo. Uma antiga igreja do tardo-medieval que apenas mantém a capela-mor, algumas capelas laterais e a estrutura dos arcos da nave. O cemitério que a rodeia prolonga-se até ao seu interior. Este é um local que aconselhamos vivamente a sua visita…é único! Penetrando na província da Corunha, visitamos o Dólmen de Axeitos, perto da cidade de Noia, um magnifico megalítico de oito pedras verticais, com uma laje de grandes dimensões, apenas assente em três pedras. Uma visão glorificante de um Dólmen datado de 5000 a.c.Entretanto no nosso percurso que tinha sido delineado em terras lusas, decidimos fazer uma excepção e dirigimo-nos para Corrubedo para ver o complexo Dunar, uma duna viva, que hoje mede 1300 metros de comprimento, 300 de largura e 20 metros de altura. É pena podermos ver apenas uma pequena porção da duna, visto ser expressamente proibido os humanos (aviso que existe no local) andarem sobre este monumento geológico. Partimos em direcção ao nosso grande objectivo desta viagem, o castro Barona. Seguimos a estrada que passa perto de castro, e num certo momento começamos a ver uma enorme confusão de carros estacionados, ou seja, fomos “obrigados” a deixar o automóvel um pouco distante do local, mas quem corre por gosto não se cansa, lá partimos em direcção ao castro. Seguindo as pobres indicações, embrenhámo-nos numa densa floresta onde avistamos algumas tendas montadas, sugerindo que este local poderia ser de uma grande romaria por parte dos entusiastas da cultura celta. Percorrendo mais um pouco do bosque, apercebemo-nos que está no seu término, e quando de facto termina, temos uma visão indescritível do castro Barona. É impossível transcrever as sensações que passam pelo nosso corpo e nossa mente. Depois de uns minutos completamente atónitos decidimos ir ao seu encontro, um castro que ocupa a totalidade de uma pequena península. A única entrada possível é através de uma pequena faixa de areia, visto à sua volta ser uma península rochosa. A majestosidade do castro não reside nos seus muros ou rochas, a beleza do castro Barona existe no local onde os nossos antepassados decidiram criar uma civilização e viver tranquilamente nas suas terras. Desígnio que de pouco serviu com a chegada das tropas romanas.
De tudo um pouco trazemos, para além de fotografias e ap
ontamentos, as saudades do que vimos (e do que ficou para ver!) e da história que conhecemos. Os parques de campismo na Galiza são muito bons e as auto-estradas são mais baratas do que as portuguesas, as praias Galegas são de uma beleza rara, embora a água seja muito fria, o café é de evitar: caro e de extremo mau gosto, as indicações das terras, cidades e monumentos históricos são confusas e quase inexistentes (à excepção das igrejas, conventos e mosteiros!). Convém ir bem “aviado” de mapas e de percursos pré-estabelecidos… E tudo o que se encontrar, em termos de monumentos históricos e de paisagens, é, de facto, fabuloso!

Para o ano há mais, parte dois!

Diário abreviado de dois viajantes saudosos: Taliesin e su.

10 comentários:

CZ disse...

E o primeiro comentário vai para... vai para... mim!

Gostei desta nova teia :)
Beijos grandes!

alice disse...

Pitões de Júnias é um lugar mágico (todo o gerês o é),em 2003 o km de escadas em madeira não existia(mas descemos na mesma!);)
O castro de Barona não conheço, obrigada pela indicação :)

Borboleta disse...

Antes de mais, desejo-te boa estadia pelo blogspot :) Estas fotos estão fantásticas... Bem-vinda :) Beijinhos.

Noite disse...

É curioso dizer, mas é um facto, quando escrevi que também iria, fui mesmo, e também lá estive, comparadas as fotos até diria que são as mesmas, comparadas as emoções não tenho dúvidas que são as minhas...curioso, ou talves não!

Princesa disse...

Olá Su, quantas saudades fico feliz por ter notícias tuas e que notícias!

Bem, grande aventura...fantástico o vosso "Tour", bem ao meu género, uns mapas gatafunhados debaixo do braço e a mala do carro atulhada de material de "sobrevivência"...

ADORO, ADORO, ADORO

Lembrei-me logo de um roteiro que fiz ha uns anos com duas amigas rumo a Santiago de Compostela com alguns desvios Galícia afora..., fantástico!

Um beijo enorme e boa rentrée :)
Princesa

su disse...

Galiza está repleta de lugares naturalmente encantadores onde a força antiga do Homem em conjugação com a mesma resulta em algo de mágico. É um lugar que marca e deixa saudades.

Guilherme F. disse...

Gostei desta "Peregrinação". Agradeço as palavras.
bj
Gui
coisasdagaveta.blogs.sapo.pt

Teté disse...

Ah, não, não estava a contestar nada do que escreveram sobre o passeio ao Gerês ou a terras da Galiza. Muito menos em relação a castros e igrejas, que as últimas visito sempre que posso quando pairo por novas paisagens, por simples curiosidade e apreciar obras de arte veridicas - não por ser especialmente devota!

Li mal uma pequena parte do texto, em que referem que um castro datado de I a.C a I d.C. está pejado de símbolos cristãos. Como é que se pode ser cristão antes de Cristo? E mesmo no depois, não foi logo a seguir... Mas pronto, numa leitura mais atenta, percebi que era um moderno apagador a tirar o giz do quadro da sala de aula e a inscrever lá outra frase qualquer!

Paisagens fabulosas sim senhora, no Gerês, Galiza e Minho, mas que a água é gélida - assim que pomos lá o pezinho, até os ossos doem -já sabia quase desde que nasci...

Dito isto, adorei o post, as fotos e o género "diário", em parceria.

Jinhos, Su e Taliesin!

tonsdeazul disse...

Então a menina andou por terras galegas!? Mas também pelo Gerês. Este último local, sem dúvida, maravilhoso. :)
Bonitas fotos e a descrição dos acontecimentos em jeito de diário dá vontade de ir de férias novamente e já. :)

Ah! Já que mudaste a localização da tua teia, espero que este te traga muitos outros bons momentos.

su disse...

Sem dúvida...eu por mim tão cedo não regressava com tanto que ficou para ver! Fica para a próxima de desejo ainda mais aguçado!
Ah, Teté...mas eu pus lá o pézinho naquela água límpida...e apesar de me arrepiar...está comprovada a minha costela de mulher do Norte! Aliás, na Galiza a água ainda é pior...e não deixei de entrar na água, depois de muito ponderar!

; )