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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

LETRAS E PAPEL

Olha como esperam por ti!
Olha como te fitam
como se sempre tivessem sido o teu horizonte!
Vê como te chamam,
como se transformam em fonte,
pequena ribeira, longo rio e parte do teu mar.

Olha como é espantoso o apelo,
como é persuasivo
e como enfrenta a indiferença das tuas mãos!
Olha como és cativo
dos seus domínios pagãos,
da sua força divina e do seu poder de encantar.

Final inevitável: Rendição.
Postura espectável: Desarmar.


poema por Carmen Zita Ferreira
fotografia por Nuno Abreu

22 comentários:

Taliesin disse...

Olha como é espantoso o apelo das letras, que conjugadas formam as palavras, palavras essas que flúem como um rio selvagem até ao mar e ai desarmam qualquer alma perdida no horizonte, com a beleza do que é escrito…e acompanhadas com a imagem ideal a rendição é completa.
Magnifico poema.

-›¦‹-Sombras-›¦‹- disse...

Espantosas são sempre as tuas palavras, cheias de simbolismo e de um enorme sentimento!... Beijinhos

Teté disse...

Amei, CZ!

E faz de facto sentido aqui na Teia! Que a onda de carinho, simpatia e amizade não perpassa em todos os canais da blogosfera.

Jinhos grandes para ambas!

su disse...

Sombras: Este belíssimo poema não é meu; é da Carmen Zita Ferreira. E sim, são palavras cheias de sentido!

su disse...

Teté: Sempre foi este o objectivo da Teia...fazer dela uma "casa" acolhedora onde os amigos "puxassem" uma cadeira, se "sentassem" e gostassem de estar, partilhar. :)

su disse...

Taliesin: fazes das palavras um outro jogo, não de espelhos, mas sim de continuação ao sabor enérgico e apelativo deste poema, porque é de força que ele fala, de origens e de continuação.
;)

carteiro disse...

E é óptimo quando, por fim, nos rendemos à beleza daquelas formas e contornos. E de todas a variações que podemos fazer ao escrever cada letra. E tocar no papel depois de escrito e senti-lo preenchido...

su disse...

Carteiro: O papel ainda é a forma mais apelativa e apaixonante de largar as palavras, do toque para o toque, o aroma fazem o corpo do que se escreve...o texto!

alice disse...

Susana, onde é que posso adquirir as vossas publicações? procurei e não encontrei.
bj

Eduardo Jai disse...

Gostei. E, não sei porquê, deu-me vontade de ouvir música Celta por uns minutos.


Ah, Su! À última hora não pude ir ao concerto por motivos que não vou contar: ainda estou a tentar conter certos instintos primatas que todos nós, humanos, transportamos cá dentro e, se me ponho a falar sobre isso, não há Zoo que não me queira. :))

Restou-me a consolação de alguém especial, que ocupou o meu lugar, me ter ligado quando a Liz Fraser cantava o Teardrop. E soube bem, pela intenção...

Um dia bom.
:)

serenidade disse...

Uma conjugação inevitável na paixão pelo sentir e partilhar...

Serenos sorrisos

mixtu disse...

desarmar...
as palavras que ganham sentido

as palavras que se sentem...

desarmar para armar...

abrazo europeo

Letras de Babel disse...

por aí abaixo


meio cá
meio lá


e despertar
no deslumbramento da postura final.



beijos

_______.

su disse...

alice: Os livros estão disponíveis com as editoras dos livros ou então com os próprios autores. O primeiro já esteve na Fnac de Almada à venda mas agora penso que já não.

su disse...

Eduardo: És um sortudo. Liz Fraser ao telefone não é para quelquer um!! ;) De facto, só pode ser especial alguém fazer isso num concerto. De certo modo, afinal estiveste lá!
Olha, música celta fica sempre bem. Sou adepta e "íntima" deste género musical! Bem lembrado. Já esteve a tocar na Teia na altura do post sobre Gerês e Galiza!

su disse...

serenidade: De facto, há conjugação perfeita neste poema da Carmen. Daí ter ficado apaixonada por ele logo no primeiro instante em que o li! ;)

su disse...

mixtu: abraço europeu. E do Chile não há novas?! Sim, as palavras tanto desramam como armam...é uma questão de perspectiva e de atitude! ;)

su disse...

letras de babel: não reina "confusão" entre as tuas letras...apenas pura poesia. :)

Carmen Zita Ferreira disse...

Obrigada a todos, pelas palavras de apreço! Obrigada, principalmente, à Susana, pelos motivos mais evidentes e pelos outros todos.

Quanto à fotografia: O que dizer? É do Nuno Abreu e basta!

tonsdeazul disse...

Nem sei bem o que dizer...
Pois a força das palavras da autora deixarm-me assim...
Deliciada e sem saber o que aqui escrever...
Gostei imenso!

su disse...

Carmen: amiga, a mim não tens que agradecer nunca nada! Entre nós...basta existir o que existe! : )

tonsdeazul: É de facto um poema com muita força! ;)

Anónimo disse...

É, definitivamente, um poema muito sentido, muito bonito. Gostei verdadeiramente da harmonia das palavras e do toque pessoal... pequenas palavras de parabéns carmén. beijinho também para suzana. Elsa