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terça-feira, 18 de março de 2008

E quando tudo passar...

Quando tudo passar
E sobre a tua pele deixar as letras desfolhadas
Como páginas sem sabor ou sem sentido
Revoltadas pela exaustão
Marcadas pela passagem do sangue
Entre o corpo e a alma
Quando tudo passar
E não for mais do que poeira liberta
Pela corrida do tempo contra a vontade
E os textos que escrevemos terminarem
Como inúmeras sombras destacadas no horizonte
Do que restar na memória
Quente e extenuada memória
Contra a velha árvore que se encosta
À última palavra à beira do fim do mundo
Com cuidado…não se cai.

Tornamo-nos no ponto final.

12 comentários:

muguet disse...

estou a tentar ler, sentir, os teus pensamentos...

uma coisa sei, depois de um ponto final começa sempre uma nova frase, cheia de uma mistura de aromas que se chamam Vida.

o texto, sem entrelinhas, lindo, su...muito lindo!!

beijo, com sabor a xi apertadinho

...o caminho também se faz com velhas árvores... (reticências, não ponto final!)

Mike disse...

...o início de um novo parágrafo, porque nada tem o seu termo certo, nem mesmo ele...esse fado a que chamamos Fim!
Do ponto final, nasce sempre um novo folego, num cenário diferente, uma nova página, um novo livro, uma vida nova...
Porque os títulos dos nossos livros são cunhos inextinguíveis, porque carinhosamente guardamos, entre parênteses os capítulos do nosso passar, a última palavra será sempre a primeira a partir daquele “ponto” final...

Beijos carinhosos querida Su
Mike

Teté disse...

Ponto final, Su?

Tudo se ultrapassa, excepto esse ponto!

Gostei do poema, não tanto do desencanto...

Fica bem, amiga!

Azer Mantessa disse...

"When everything to pass and on your skin to leave the taken away the leaves letters As pages without meaningless flavor or Rebelled by the exhaustion Marked by the ticket of the blood Between the body and the soul When everything to pass and will not be more of the one than dust frees For the race of the time against the will and the texts that we write to finish As innumerable shades detached in the horizon the one that to remain in the memory Hot and extenuada memory Against the old tree that if it leans the last word the side of the end of the Com.cuidado world... if does not fall."

su,

my goodness ... every text is so meaningful.

Dark-me disse...

O fim é relativo!...

Dark kiss

Liz / Falando de tudo! disse...

Quando tudo passar eu quero ter ficado na recordação de muitos, e deixadoum pouquinho de mim por onde eu passei!
Passando pra te desejar uma excelente semana, acho que este foi um bom dia pra vim aqui, adorei!
Também aproveito a oportunidade pra te convidar a vim dar um olhadinha no meu blog de fotos:
www.falandodefotos.blogspot.com
Um abraço!

Matchbox31 disse...

O ponto final? Acho que não, nunca nos devemos tornar num ponto final. Mas adorei o post!

O Árabe disse...

Tudo passa, sempre, Su... e recomeça! :)

Gerlane disse...

E quando tudo passar, restará ainda a infinitude da alma. Esta que não tem princípio e nem fim. Que paira além dos tempos e da limitada razão.

Beijos pra ti!

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá amiga SU... Votos de Santa e Feliz Páscoa... Beijinhos de carinho...
Fernandinha

Lenita Boneca de Porcelana disse...

Na verdade, não passamos de um ponto final... limitamos o todo como o ponto final limita as palavras da frase... deambulamos como se tivéssemos o poder de limitar assim... como se pudéssemos fracturar o todo desta forma... é então que o céu desaba nas nossas cabeças, mas... é sempre um desabar feito à nossa maneira... pequenino, embora a nós, minúsculos grãos de poeira do Universo, nos pareça absolutamente colossal... com cuidado, cai-se com cuidado e a mazela fica controlada...

Bjoka!!

Oliver Pickwick disse...

A linguagem é tão primorosa, que nem dei muita importância à melancolia do texto. Aprecio este seu jeito de esculpir as palavras. Padeço da síndrome de Rafael, sou obsessivo por técnica. O Rafael poderia pintar o que quisesse, até coisas banais, mas a sua técnica, por si só, era suficiente.
Quanto ao tema, estes são passageiros, dividem-sem em capítulos, livros, novos livros. Mas a técnica permanece, sempre. Como as fases da nossa própria vida, elas vão, mas o nosso caráter e personalidade ficam.
Volto amanhã, que a hora é tardia.
Beijos!